O movimento antivacina acaba de receber mais um golpe. A edição de setembro da revista da Academia Americana de Pediatria trouxe mais um ataque das autoridades contra os partidários da não imunização. A partir de agora, pediatras norte-americanos podem se recusar a atender pais com filhos não imunizados. Mas você sabe qual é a origem desse movimento? Entenda essa história que envolve estudos mal feitos cujos resultados, décadas depois, a comunidade científica precisa enfrentar. 

Wakefield, no entanto,  pouco a pouco começou a ser desmascarado. Uma série de investigações descobriu que algumas crianças voluntárias do estudo haviam sido indicadas por um escritório de advocacia que queria entrar com ações contra a indústria farmacêutica. Em 2010, a The Lancet retirou o estudo de seu site. No mesmo ano, o Conselho Britânico de Medicina cassou a licença de Wakefield e ele não pôde mais atender pacientes no Reino Unido.

Mas o estrago havia sido feito. Nos Estados Unidos, por exemplo, o sarampo atingiu 189 pessoas em 2013, após estar erradicado há quase 15 anos, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Para controlar o estrago, vários estados não permitem a matrícula de alunos sem a apresentação da carteira de vacinação completa. A nova posição da Academia Americana de Pediatria, que autoriza pediatras a não receberem crianças não vacinadas no consultório, com o intuito de conter uma possível infecção de crianças não vacinadas por serem alérgicas ou imunossuprimidas, é outra tentativa. Apesar disso, quase todos os estados permitem a isenção de vacinas em crianças caso a família alegue motivos religiosos.

O assunto ainda desperta a curiosidade em pais de primeira viagem. Em 2014, o médico francês Bernard Dalbergue, ex-funcionário do laboratório Merck, Sharp and Dohme (MSD) publicou o livro 'Omerta dans les labos pharmaceutiques: confessions d'un médecin' (Omerta nos laboratórios farmacêuticos: confissões de um médico), no qual supostamente revela as entranhas da indústria farmacêutica. No livro, Dalbergue afirma que muitas das vacinas vendidas carecem de estudos aprofundados e que não entregam o que promete. Como resposta, ele foi acusado de querer se vingar da empresa após ser demitido.

Questionamentos dessa ordem acontecem em um contexto no qual a medicina avança e a população não convive mais com a doença e, é claro, seus efeitos, afirma Lessandra Michelin, coordenadora do comitê de imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia. “As pessoas falam contra a vacina porque não têm mais contato com essas doenças, não viram seus efeitos”, afirma.

O medo das autoridades é que comecemos a voltar séculos atrás, quando doenças relativamente simples causavam milhares de mortes.  "O desenvolvimento das vacinas, no século 20,  foi um dos grandes avanços da medicina, junto com antibióticos. Ela é de extrema importância para todos e traz benefícios não só para a criança vacinada, mas para todos que entram em contato com ela”, ressalta Luciana Rodrigues Silva, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Fonte: Estadão, por Marcel Hartmann

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