O desafio é criar estratégias de forma a levar a população - de todas as faixas etárias - para vacinar. Maior ainda é garantir a imunização simultânea em uma mesma visita ao posto de saúde, vez que o intervalo prolongado entre a administração das vacinas pode interferir no número de doses (conforme cada esquema vacinal). E, com isso, fazer com que doenças, já eliminadas ou erradicadas, recrudesçam e, ainda, ocorra deslocamento de faixa etária.

Outra meta a ser alcançada, essa na esfera comportamental, é "fazer com que o médico que atende adulto passe a pensar como adulto". Em outras palavras, seja por não concordar, não achar importante ou por esquecimento, ainda é preocupante o número de médicos que não prescrevem a vacinação para seus pacientes maiores de 50 anos. "Precisamos fazer com que essa conduta seja adotada como rotina nos consultórios", adverte a pediatra Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações(SBIm).

Foco nos adultos

A campanha "Quem é sênior vacina", lançada pela SBIm na web, é justamente voltada para este segmento. Hoje, este público representa quase 70% dos internautas, que permanecem mais de 40 minutos por dia em frente à telinha, tempo superior ao dedicado pelos jovens, ao contrário do que muitos pensam.

"Enquanto o pediatra prescreve tudo, até a receita de uma sopa, outras muitas especialidades médicas se detêm apenas a indicar, sugerir e dizer que seria bom se o paciente X se vacinasse", diz Ballalai.

No caso do paciente adulto - de 20 a 59 anos - é mais garantido obter a adesão quando o médico prescreve na receita, da mesma forma que indica que a pessoa precisa fazer exercícios físicos, reduzir o peso e ingerir menos açúcares e gorduras, e por aí vai. Quanto à imunização, a verdade é que muitos adultos nem sabem realmente que existem vacinas essenciais para a sua idade, cabendo ao médico, assim como ao enfermeiro ou cuidador, fazer esse alerta.

Mais informação

Isabella Ballalai cita como exemplo de uma experiência pública bem-sucedida, no caso específico do paciente idoso, o projeto "Sala de espera", viabilizado em postos de saúde da capital paulista. Durante as cerca de duas horas, em média, que os pacientes esperam para ser atendidos, são abordados e municiados de material informativo sobre o calendário vacinal. Resultado, a partir do momento em que eles começaram a perguntar e questionar seus médicos, 80% dos profissionais do posto passaram a prescrever a vacinação como conduta de rotina.

Esse é o quadro atual, mas Ballalai reconhece que já é visível uma mudança de postura da classe médica neste sentido. Lembra os avanços já obtidos desde 1996, quando ela começou a conversar com seus pares sobre como melhorar adesão do 'adulto maior'. Hoje, essa é uma bandeira defendida por entidades de toda a América Latina.

Fonte: Diário do Nordeste, por Giovanna Sampaio (http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/vida/resistencia-a-vacinacao-1.1637310)

Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn