Fonte: Theo Ruprecht, da Revista Saúde​
Publicado originalmente em http://saude.abril.com.br/medicina/saiba-onde-o-cancer-de-colo-de-utero-e-mais-comum-no-brasil/

O câncer de colo de útero é o terceiro mais frequente entre as brasileiras (desconsiderando o de pele), atrás apenas do de mama e do colorretal. Em 2016, foram 16 340 novos casos, segundo o Instituto Nacional de Câncer. Mas o que chamou atenção durante um evento da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) é o fato de essa incidência variar consideravelmente entre as regiões do nosso país.

“Há uma discrepância que pode ser explicada em boa parte por falta de uma vacinação adequada”, analisou o infectologista Monica Levi, presidente da Comissão de Revisão de Calendários e Consensos da Sbim, durante sua apresentação. Explica-se: esse tumor é causado exclusivamente pelo vírus HPV, que se espalha através das relações sexuais. E, hoje, uma das formas mais eficazes de evitar sua disseminação é a imunização de meninas e meninos.

Entretanto, por mais que as doses estejam disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) para ambos os sexos, a vacinação depende dos jovens e de seus pais. Ou seja, eles precisam ser levados ao posto para receber a injeção e voltar seis meses depois para o reforço. E, em regiões onde isso é menos estimulado (ou onde faltam vacinas), fica difícil seguir o protocolo adequado para se proteger dessa infecção cancerígena.

Há ainda uma questão de educação sexual. Embora os preservativos não anulem o risco de o HPV se espalhar, eles o reduzem consideravelmente. Isso significa que locais em que a preocupação com doenças sexualmente transmissíveis é baixa fomentam a multiplicação desse vírus.

“É curioso como todo mundo tem medo da febre amarela, mas nem liga para o HPV, que mata muito mais”, raciocina a infectologista Isabella Ballalai, presidente da Sbim. Faz sentido: o surto atual de febre amarela matou 162 pessoas até o dia 23 de março, enquanto todo ano cerca de 5 430 mulheres vão à óbito por causa do câncer de colo de útero. E olha que o HPV ainda causa tumores de cabeça e pescoço, no ânus e no pênis, por exemplo.

Ranking de incidência de cânceres femininos em cada região

Norte

1ª: Colo de útero
2ª: Mama
3ª: Colorretal
4ª: Estômago

Nordeste

1ª: Mama
2ª: Colo de útero
3ª: Colorretal
4ª: Traqueia, brônquio e pulmão

Centro-Oeste

1ª: Mama
2ª: Colo de útero
3ª: Colorretal
4ª: Traqueia, brônquio e pulmão

Sudeste

1ª: Mama
2ª: Colorretal
3ª: Colo de útero
4ª: Traqueia, brônquio e pulmão

Sul

1ª: Mama
2ª: Colorretal
3ª: Traqueia, brônquio e pulmão
4ª: Colo de útero

BRASIL

1ª: Mama
2ª: Colorretal
3ª: Colo de útero
4ª: Traqueia, brônquio e pulmão

E a mortalidade por câncer de colo de útero?

Já adiantamos: ela também varia entre as regiões brasileiras. No entanto, a explicação aqui envolve muito mais as idas ao ginecologista e a realização de exames preventivos, como o papanicolau e o teste de HPV.

Ao fazê-los com certa frequência — consulte um médico para adotar um protocolo mais personalizado —, a chance de pegar um eventual tumor no início, onde é muito mais facilmente tratado, aumenta demais. Se você esperar para surgirem sintomas como sangramento, provavelmente a doença já estará em um estágio mais avançado e letal.

Veja agora o ranking de mortalidade por câncer entre as mulheres:

Norte

1ª: Colo de útero
2ª: Mama
3ª: Traqueia, brônquio e pulmão
4ª: Estômago

Nordeste

1ª: Mama
2ª: Traqueia, brônquio e pulmão
3ª: Colo de útero
4ª: Colorretal

Centro-Oeste

1ª: Mama
2ª: Traqueia, brônquio e pulmão
3ª: Colorretal
4ª: Colo de útero

Sudeste

1ª: Mama
2ª: Traqueia, brônquio e pulmão
3ª: Colorretal
4ª: Estômago

Sul

1ª: Mama
2ª: Traqueia, brônquio e pulmão
3ª: Colorretal
4ª: Pâncreas

BRASIL

1ª: Mama
2ª: Traqueia, brônquio e pulmão
3ª: Colorretal
4ª: Colo de útero

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