Covid-19 - Perguntas e Respostas

Para ajudar você saber mais sobre indicação, eficácia, segurança e outros temas relacionados com as vacinas Covid-19, a SBIm elaborou as respostas para as perguntas mais frequentes. Acesse e fique atualizado(a) com #InformaçãoDeVerdade!

Os coronavírus fazem parte de uma velha conhecida família de vírus, responsáveis por infecções respiratórias em seres humanos (resfriados) e em animais. O SARS-CoV-2, também conhecido como novo coronavírus, é uma cepa identificada em 2019 que, infelizmente, tem algumas características genéticas que o tornam mais transmissível e capaz de causar quadros clínicos mais graves.

Os sinais clínicos mais comuns são semelhantes aos de um resfriado: tosse, febre, coriza e dor de garganta. Também é possível haver perda de olfato e de paladar (ageusia), conjuntivite, náuseas, dor de estômago, diarreia, dor de cabeça e lesões de pele e alteração do nível de consciência. Alguns casos evoluem para pneumonia, insuficiência respiratória e morte.

Pessoas que:

  • Tiveram contato próximo, prolongado e desprotegido — isto é, a menos de 2 metros de distância, por 15 minutos ou mais, sem uso de máscaras adequadas — com um paciente com infecção confirmada por SARS-CoV-2, independentemente da presença de sintomas.
  • Permanecem com frequência em ambientes onde há aglomeração
  • Moram ou estiveram recentemente em áreas com alta transmissão também estão em maior risco de infecção.

Atualmente, o tratamento é baseado nos sintomas individuais de cada paciente. Medicamentos específicos contra a Covid-19 estão em estudo, alguns com resultados muito promissores em pacientes internados de alto risco para formas graves da doença.

Ainda não há medicação eficaz na prevenção do vírus. Hidroxicloroquina, cloroquina, nitazoxanida, azitromicina, ivermectina, corticosteroide sistêmico e ozonioterapia são comprovadamente ineficazes tanto para a prevenção quanto para o tratamento precoce.

A principal forma de transmissão é via contato direto com secreções contaminadas, por meio de pequenas gotículas (aerossóis) expelidas ao falar, tossir ou espirrar. Também existe a possibilidade de ser infectado após tocar em um objeto ou superfície onde essas gotículas tenham se depositado e levar as mãos aos olhos, nariz ou boca. Por isso, o uso de máscara, a higienização das mãos com água e sabão ou álcool 70% e as medidas de distanciamento são fundamentais.

O vírus SARS-CoV-2 inteiro já foi isolado em amostras do trato respiratório superior e do fluido de lavagem broncoalveolar, bem como em cultura de células das fezes de alguns pacientes. O RNA, material genético, foi detectado em amostras do trato respiratório superior e inferior e em amostras de sangue e fezes. 

Não há certeza se fluidos corporais não respiratórios de uma pessoa infectada, como sangue, vômito, fezes urina, leite materno ou sêmen, podem conter SARS-CoV-2 infeccioso viável (capaz de causar covid-19). Da mesma forma, não se sabe por quanto tempo é possível detectar o RNA, mas o período pode levar algumas semanas, sem que o paciente necessariamente seja capaz de transmitir a doença.

Sim. A transmissão do SARS-CoV-2 se estende do período de incubação do vírus (dois a 14 dias antes do início dos sintomas) até, em média, sete dias após o surgimento do quadro clínico. Além disso, pessoas que não têm sintomas ou apresentam quadros leves — a maioria — são capazes de disseminar a doença sem saber. Por isso, é importante adotar medidas gerais, como lavar as mãos com frequência, usar máscaras, distanciamento e não compartilhar objetos de uso pessoal.

Com base nas evidências atuais, acredita-se que pessoas com quadros leves e moderados de COVID-19 podem transmitir o vírus por até 10 dias após o início dos sintomas. Um pequeno número de indivíduos com covid-19 grave, incluindo imunocomprometidos, pode transmitir por até 20 dias. A transmissão se inicia ainda durante o período de incubação, geralmente 48 horas antes dos primeiros sintomas.

Em alguns casos, o RNA (material genético) do SARS-CoV-2 é detectado por exames laboratoriais semanas após o início da doença. O achado, no entanto, não significa necessariamente que exista vírus viável (capaz de causar covid-19).

Apesar de não ser uma situação comum, a pessoa pode ser infectada mais de uma vez (e voltar a transmitir), especialmente diante do surgimento de novas variantes do vírus. Por esse motivo, é essencial se vacinar e, mesmo que já vacinado, não abandonar as medidas de distanciamento e higienização das mãos.

O sequenciamento genético do vírus SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19, demonstrou que ele tem mais de 92% de similaridade com um tipo de coronavírus que circula em morcegos. As diferenças genéticas entre ambos se distribuem de forma aleatória, o que indica um processo de evolução natural, provavelmente com um hospedeiro intermediário entre os morcegos e os humanos.

Se essas modificações genômicas fossem artificiais não teriam características aleatórias e seriam facilmente detectáveis. Fora isso, do ponto de vista econômico, não faz sentido um laboratório criar um vírus sem ter a solução e dividir os lucros com todos os concorrentes.

Como explicado na resposta anterior, o sequenciamento genético demonstrou que o vírus SARS-Cov2, que causa a Covid-19, é fruto de um processo de evolução natural de um tipo de coronavírus que circula em morcegos. Não foi criado artificialmente.

A origem do vírus, porém, ainda não é clara. Apesar de os primeiros casos de Covid-19 terem sido relatados no fim de dezembro de 2019, na província de Wuhan, na China, indícios do vírus foram encontrados em amostras de esgoto congeladas por pesquisadores em datas anteriores. Uma delas no Brasil, no Espírito Santo, em novembro de 2019.

É a aprovação por órgão regulatórios — no caso do Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — para que um produto possa ser usado excepcionalmente em uma emergência, para diagnosticar, tratar ou prevenir doenças graves ou fatais, quando não houver alternativas adequadas disponíveis e já licenciadas.

Essa aprovação não permite a comercialização do produto, que deve ser usado com indicações específicas até receber a licença definitiva.

As vacinas cujos processos de submissão estão finalizados e, portanto, estão pré-qualificadas pela  Organização Mundial da Saúde (OMS) até de 2022 são as seguintes:

  • Pfizer/BioNTech
  • Oxford/AstraZeneca
  • Janssen
  • Moderna
  • Sinopharm
  • Sinovac (Coronavac)
  • Covovax
  • Novavax

O processo de análise, com diversas vacinas candidatas à aprovação, é muito dinâmico, portanto, a lista é atualizada periodicamente. Para consultar a informação mais recente divulgada pela OMS, acesse https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/covid-19-vaccines (em inglês).

Sim. Apesar da agilidade no desenvolvimento, todas as vacinas licenciadas passaram obrigatoriamente por rígidos testes, desde a fase laboratorial até os estudos de fases 1, 2 e 3, que confirmam a segurança e eficácia em humanos. Os dados foram avaliados por especialistas independentes e entidades regulatórias e continuarão a ser monitorados na medida em que as vacinas forem aplicadas.

A possibilidade de desenvolver vacinas em curto espaço de tempo diante de uma emergência não devia ser motivo de desconfiança, mas de comemoração. Isso só é viável graças aos avanços de tecnologias que permitiram sequenciar em apenas uma semana o genoma do vírus e posteriormente aplicar esse saber no desenvolvimento de vacinas de diferentes plataformas.

Várias são as tecnologias aplicadas nas vacinas que estão em desenvolvimento e/ou já em uso ao redor do mundo. Todas se dirigem contra a proteína S (de spike: espícula, em português), que é responsável pela adesão do SARS-CoV-2 às nossas células, com consequente invasão e infecção.

De acordo com as plataformas tecnológicas utilizadas, podemos dividi-las em categorias:

  • Vacinas de vírus inteiros, atenuados ou inativados. Exemplo: Butantan/Sinovac (Coronavac) e Covaxin;
  • Vacinas genéticas, de RNA mensageiro (mRNA) ou DNA. Exemplos: Pfizer/BioNTech e Moderna;
  • Vacinas baseadas em vetores replicantes ou não replicantes. Exemplos: Fiocruz/Oxford/AstraZeneca, Janssen/Johnson & Johnson e Sputnik V;
  • Vacinas de subunidades baseadas em proteína do vírus. Exemplo: Novavax e Covovax;
  • De partículas semelhantes ao vírus (VLP).

Dessas, já se encontram em uso as vacinas de mRNA, as de vetores não replicantes, as de vírus inteiros inativados e as de subunidades. No Brasil, estão aprovadas para uso emergencial ou já registradas as vacinas Fiocruz/Oxford/AstraZeneca, Butatan/Sinovac (Coronavac), Pfizer/BioNTech e Janssen.

As vacinas são feitas a partir do vírus SARS-CoV-2 inativado, ou seja, morto. A inativação é feita com o auxílio de substâncias químicas que destroem o material genético do vírus e, consequentemente, impedem a sua replicação, o que o torna incapaz de causar a doença. Esse processo, no entanto, mantém íntegra a cápsula do vírus, onde está a proteína S, responsável pela ligação e penetração em nossas células.

Uma vez no organismo, o vírus vacinal é percebido como um agente estranho e desencadeia a resposta do sistema imunológico. As primeiras células envolvidas nessa resposta (células apresentadoras de antígeno) “absorvem” o vírus, o destroem em seu interior e levam a proteína S para sua superfície.

Nesse momento, os chamados linfócitos T auxiliares entram em ação. Eles detectam a proteína, encaixam-se a ela e recrutam os linfócitos B, que produzirão os anticorpos específicos contra a proteína S. Os linfócitos B também são ativados pelo próprio vírus vacinal.

Enquanto a imunidade durar, caso a pessoa vacinada tenha contato com o vírus SARS-CoV-2, o organismo será capaz de “lembrar” como neutralizá-lo rapidamente.

Para desenvolver este tipo de vacina, os pesquisadores inserem apenas o gene que codifica a produção de proteína S, responsável pela ligação do novo coronavírus com as nossas células, dentro de outro vírus, modificado para que seja incapaz de se replicar dentro do nosso organismo e causar doença ou qualquer alteração no genoma de nossas células. Esse vírus “carreador” do código genético que instrui a formação da proteína S é, portanto, apenas um vetor da informação genética para que as células humanas passem a fabricar a proteína S.

Após a vacinação e a entrada do vetor vacinal na célula humana, esse gene que codifica a proteína S é transformado em uma molécula chamada RNA mensageiro (mRNA), que contém instruções para a produção de proteínas S, o que ocorre fora do núcleo das nossas células, onde está o nosso genoma. Essas proteínas produzidas se fixam na superfície celular.

A partir desse momento, o sistema imunológico começa a atuar em diferentes “frentes”:

  • os chamados linfócitos T auxiliares detectam o agente estranho e recrutam os linfócitos B, que produzirão anticorpos específicos contra a proteína S;
  • os linfócitos B entram em contato diretamente com a proteína S da superfície das células “vacinadas” e produzem os anticorpos;
  • outro tipo de linfócitos T, chamados citotóxicos (ou assassinos), também são recrutados e destroem diretamente qualquer estrutura que exiba a proteína S.
  • as células “vacinadas”, ao morrerem, liberam fragmentos da proteína S que também são identificados pelo nosso sistema imune, desencadeando toda a resposta vacinal.

Enquanto a imunidade durar, caso a pessoa vacinada tenha contato com o vírus SARS-CoV-2, o organismo será capaz de “lembrar” como neutralizá-lo rapidamente.

Vacinas usando a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) e sendo aplicadas em larga escala pode ser uma novidade, mas a tecnologia já vem sendo estudada há bastante tempo.

Em laboratório, os cientistas desenvolvem o mRNA sintético, que ensinará ao organismo a fabricar a proteína S do SARS-CoV-2, responsável pela ligação do vírus com as nossas células. Por ser muito instável, o mRNA é recoberto por uma capa de lipídios (tipo de gordura) que o protegerá. É essencial deixar claro que a molécula não contém outra informação, não é capaz de realizar qualquer outra tarefa e não penetra no núcleo de nossas células. Ou seja, não consegue causar a Covid-19 ou qualquer alteração no genoma humano.

Uma vez que a vacina é injetada e capturada pelas células apresentadoras de antígeno, são fabricadas a partir das “instruções” do mRNA as proteínas S do novo coronavírus. Elas, então, são transportadas até a superfície da célula, onde os processos de defesa são desencadeados:

  • os chamados linfócitos T auxiliares detectam a proteína estranha e recrutam os linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos;
  • os linfócitos B entram em contato com a proteína S da superfície e produzem os anticorpos específicos contra ela, que neutralizarão o novo coronavírus;
  • outras células de defesa chamadas linfócitos T citotóxicos (ou assassinos) reconhecem e destroem diretamente qualquer estrutura que exiba a proteína S em sua superfície.

Esses mecanismos também podem ser ativados depois que a célula que absorveu o mRNA morrer e liberar no organismo a proteína S e seus fragmentos.

Enquanto a imunidade durar, caso a pessoa vacinada tenha contato com o vírus SARS-CoV-2, o organismo será capaz de “lembrar” como neutralizá-lo rapidamente.

Eficácia é a capacidade de uma vacina prevenir determinada doença. É verificada em estudos clínicos controlados, que envolvem dois grupos de voluntários: um grupo recebe a vacina em estudo e outro recebe placebo (substância imunologicamente neutra) ou uma vacina contra outra doença.

A capacidade de produzir anticorpos e a capacidade de prevenir a doença é então comparada. Quando se fala que uma vacina tem 95% de eficácia, significa que as pesquisas demonstraram que o número de pessoas vacinadas que se infectaram foi 95% menor do que o das pessoas que não receberam a vacina (grupo placebo).

Estes estudos clínicos envolvem muitos voluntários e seguem regras rígidas. Os resultados são revisados por especialistas independentes e por órgãos regulatórios, que verificam a robustez dos dados e das conclusões apresentadas. As vacinas só podem ser aprovadas para aplicação caso a segurança e a eficácia pretendidas sejam comprovadas.

Todas as vacinas licenciadas para uso emergencial ou registradas no Brasil alcançaram os parâmetros de segurança e eficácia estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os resultados dos testes de Fase 3 da vacina do Instituto Butantan/Sinovac (Coronavac) foram muito bons, embora tenham gerado desconfiança em parte da população pela divulgação deste percentual de eficácia. Para entender estes dados é preciso separar as informações:

  • Eficácia global de 50,4%: significa que o risco de ter a doença com sintoma, em qualquer grau, diminui pela metade.
  • Eficácia de 78% contra casos que necessitam de assistência médica: significa que a maioria dos vacinados tem casos leves, que podem ser tratados em casa. Esse dado é extremamente relevante porque reduzirá muito o número de pessoas que precisam de internação e assistência médica, reduzindo a sobrecarga do sistema de saúde.
  • Eficácia próxima de 100% contra casos graves e mortes.

Evidências indicam que pessoas totalmente vacinadas têm menos probabilidade de infecção, incluindo assintomática, de adoecer de forma grave e de transmitir o vírus a outras pessoas. O grau de proteção, entretanto, pode variar de acordo com a resposta imunológica de cada indivíduo, das variantes do vírus em circulação e do tempo decorrido desde a vacinação.

É importante ressaltar que completar o esquema é essencial para obter a proteção máxima contra a enfermidade. Além disso, com um grande percentual da população adequadamente vacinado, podemos reduzir a circulação do vírus, as chances de infecção das pessoas que não respondem bem às vacinas ou não podem ser vacinadas e dificultar o surgimento de variantes mais agressivas.

As evidências atuais indicam que pode haver alguma perda de eficácia a depender da variante e da vacina, sobretudo com esquemas incompletos. No entanto, as vacinas continuam cumprindo seu principal papel: mesmo com aumento de casos por novas variantes, a maioria dos pacientes graves e internados são pessoas que não se vacinaram.

Essa questão é acompanhada de perto pela ciência. Caso surja alguma variante que escape das vacinas atuais, os esquemas vacinais poderão ser revisados e os fabricantes rapidamente poderão adaptar suas vacinas.

No geral, as vacinas que vêm sendo aprovadas ao redor do mundo apresentaram bom perfil de segurança. A maioria dos registros é de casos leves a moderados, que se resolvem em poucos dias. Os eventos adversos graves, sobre os quais trataremos em outras respostas a seguir, são raros.

As quatro vacinas já aprovadas no Brasil apresentam um perfil de segurança semelhante ao das outras que utilizamos há anos. Elas não causam efeitos colaterais importantes na maioria das pessoas que as recebem. Os eventos mais comuns são dor no local da injeção e febre. Outros sintomas observados são aparecimento de gânglios, cansaço, mialgia, dor de cabeça e outros, que cessam em poucos dias.

É importante destacar que estamos falando de novas vacinas que estão sendo aplicadas em milhões de pessoas, então eventos inesperados podem ser registrados. Cabe à vigilância exercer um acompanhamento rigoroso. Não podemos esquecer que eventuais riscos de raros eventos adversos graves pós-vacinais são muito menores do que as consequências e complicações da própria Covid-19.

Episódios de hipersensibilidade imediata grave (anafilaxia), que exigem injeção imediata de adrenalina ou suporte hospitalar, podem ocorrer após qualquer vacina, inclusive as vacinas Covid-19. Mas até o momento poucos casos foram registrados no Brasil.

Recomenda-se, de todo modo, que a administração de qualquer vacina seja feita em local com estrutura para atendimento e com profissionais capacitados para reconhecer rapidamente os primeiros sinais e tratar a reação.

Talvez. Apesar de não conhecermos a duração exata da proteção em vacinados e em quem se infectou ou desenvolveu a Covid-19, já sabemos que as doses de reforço vêm se mostrando necessárias para aumentar ou prolongar a imunidade, principalmente para pessoas de grupos específicos— como idosos, imunodeficientes e gestantes — e diante da possibilidade de novas variantes. Informações futuras esclarecerão se mais reforços deverão ser administrados.

A indicação de dose de reforço se baseia na análise de diversas evidências:

  • cenários epidemiológicos nos diferentes locais em que se verifique aumento no risco de adoecimento entre vacinados, ainda que de forma branda;
  • desempenho das vacinas quanto à capacidade de prevenir infecção e formas graves, em diferentes contextos de circulação de variantes de preocupação;
  • maior quantitativo de doses disponíveis;
  • prioridade para grupos de maior risco, que demandam esquema diferenciado de vacinação;
  • momento ideal para a dose de reforço;
  • possibilidade de reforços com vacinas de diferentes plataformas, para garantir o efeito de reforço da imunidade;
  • viabilidade, sustentabilidade e equidade da vacinação em nível global.

Considerando os aspectos citados acima, o Ministério da Saúde ampliou de forma progressiva a quantidade de doses nos esquemas de vacinação no país. Acesse as notas técnicas e a versão mais recente do PNO aqui.

Na medida em que estados e municípios têm autonomia para estabelecer seus calendários de acordo com a disponibilidade de vacinas, situação epidemiológicas locais e estágio da campanha de vacinação, é preciso também consultar a Secretaria Municipal de Saúde ou os meios de comunicação oficiais da prefeitura para verificar o calendário da sua cidade.

A proteção conferida pela doença, chamada de “imunidade natural”, pode variar de pessoa para pessoa. Como estamos lidando com uma nova doença e com um vírus de comportamento muito peculiar, esse tempo ainda é incerto. As evidências disponíveis até o momento sugerem que é incomum contrair a doença pela segunda vez. Quando isso acontece, raramente ocorre em menos de 90 dias após a primeira infecção. Já existem dados demonstrando que a proteção pode durar pelo menos oito meses em grande parte das pessoas que adoeceram.

Também não sabemos com exatidão por quanto tempo as vacinas prevenirão a Covid-19. Dados demonstram que a infecção de pessoas com o esquema vacina completo é muito pouco frequente nos primeiros seis meses após a vacinação. O acompanhamento da pandemia e dos indivíduos vacinados, na vigência de vacinação em massa no mundo real, tem trazido cada vez mais evidências sobre o que poderemos esperar em termos de duração de proteção pelas vacinas. O mais importante é lembrar que, mesmo que a proteção eventualmente seja menos longa, as vacinas não envolvem os riscos do adoecimento.

Nenhuma vacina tem 100% de eficácia. É possível desenvolver a doença após a vacinação, mas as chances de Covid-19 grave são baixas. É importante destacar que todas as notificações de reinfecção estão sendo acompanhadas e investigadas pela Vigilância, que também tem avaliado a efetividade das vacinas na vida real, a duração de proteção e possíveis falhas vacinais.

Essa estratégia permitiu concluir que são necessárias doses adicionais para garantir a imunidade por mais tempo. Assim, o Ministério da Saúde definiu que todos os brasileiros acima de 18 anos devem recebem um reforço quatro meses após a última dose do esquema primário. Já os imunossuprimidos devem receber esquema primário de três doses e um reforço quatro meses após a terceira dose.

A imunidade coletiva, ou de rebanho, é obtida quando a maior proporção de indivíduos em uma comunidade está protegida, seja porque teve a doença ou porque foi vacinada. Com poucas pessoas vulneráveis, a circulação do agente que causa a doença cai, protegendo de modo indireto aqueles que não estão imunizados.

A porcentagem necessária de vacinados para conseguirmos a imunidade de rebanho varia de acordo com a doença e com a efetividade da vacina. Ainda faltam informações sobre qual o percentual exato de imunizados é necessário para a adequada imunidade coletiva contra a Covid-19, sobretudo se consideramos a possibilidade de surgimento de variantes que podem escapar às vacinas. Contudo, dada a grande capacidade de contágio do SARS-CoV-2 (inclusive por assintomáticos), quanto maior a cobertura vacinal, maior a redução na circulação viral, menor a transmissão e, consequentemente, menor a chance de os vírus produzirem variantes.

  • Use máscara sobre o nariz e a boca e não coloque as mãos na frente da máscara.
  • Fique a pelo menos um metro e meio de distância das outras pessoas.
  • Evite multidões e aglomerações.
  • Evite espaços mal ventilados.
  • Lave as mãos frequentemente, ou use álcool em gel a 70%.
  • Não saia de casa se estiver com algum sintoma respiratório e não visite ninguém que esteja com algum sintoma desse tipo.
  • Proteja os idosos e cuide para não levar infecções para suas casas. 

Apesar de a vacinação ter reduzido de forma drástica o número de casos e mortes por Covid-19 no Brasil e de sabermos que a taxa de transmissão a partir de pessoas vacinadas é mais baixa, as vacinas ainda não são capazes de prevenir totalmente a transmissão e a infecção.

É preciso manter a cautela, especialmente por vivermos em um cenário em que podem surgir novas variantes de preocupação (VOCs) capazes de escapar, ainda que parcialmente, da imunidade adquirida pelas vacinas e causar novas ondas da doença.

As medidas recomendadas são simples:

  • Higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel 70%
  • Usar máscaras corretamente
  • Manter o distanciamento social, não causar aglomerações e não frequentar locais cheios.

Como a duração da proteção natural gerada pela própria doença é desconhecida e por existir a possibilidade de reinfecção, ainda que pouco frequente, a vacinação é indicada, independentemente de histórico de Covid-19.

Para receber as vacinas covid-19, é necessário aguardar o completo restabelecimento e no mínimo quatro semanas após o início dos sintomas. Pessoas assintomáticas e que tiveram resultado positivo no exame de RT-PCR também devem esperar quatro semanas para vacinar.

Para outras vacinas, basta a recuperação clínica, ausência de febre por pelo menos 24 horas e respeitar o fim do período de isolamento para pessoas com covid-19.

Para a administração das demais vacinas que não as vacinas covid-19, é recomendado aguardar a recuperação clínica, ausência de febre por pelo menos 24 horas e e respeitar o fim do período de isolamento para pessoas com covid-19.

Já para as vacinas covid-19, é necessário o completo restabelecimento e no mínimo quatro semanas após o início dos sintomas. Pessoas assintomáticas e que tiveram resultado positivo no exame de RT-PCR também devem esperar quatro semanas para vacinar.

Para garantia da eficácia esperada e documentada nos estudos, as doses das vacinas devem ser aplicadas de acordo os intervalos estipulados para cada uma. No entanto, em caso de atraso, não é preciso recomeçar o esquema e basta completá-lo.

De maneira geral, os indivíduos devem preferencialmente completar o esquema com a mesma vacina, pois ainda não há estudos de eficácia/efetividade e segurança em larga escala de esquemas com vacinas de diferentes fabricantes e plataformas. No entanto, estudos menores publicados recentemente indicam que a intercambialidade entre as vacinas Pfizer e AstraZeneca levam a uma resposta imune vigorosa, com bom perfil de segurança.

A Organização Mundial da Saúde, diante dos dados, passou a orientar que vacinas diferentes sejam usadas em situações excepcionais, em que não seja possível administrar a segunda dose com o mesmo produto — falta do imunizante, contraindicações ou precauções em relação a eventos adversos, anafilaxia após primeira dose, entre outras.

O Ministério da Saúde, em consonância com as orientações internacionais, publicou Nota Técnica na qual recomenda que a intercambialidade seja adotada nas mesmas situações. Caso vacinas diferentes tenham sido usadas por engano, o profissional deve informar no “e-SUS Notifica” que houve erro de imunização e acompanhar possíveis eventos adversos e falha vacinal.

Veja detalhes sobre as recomendações nessa situação em https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/secovid-nt-n6-2021-intercambialidade.pdf.

Medicamentos para reduzir a febre e a dor podem ser indicados para tratar sintomas locais ou sistêmicos após a vacinação, se necessário. A administração antes da vacinação não é recomendada porque não conhecemos se isso pode afetar a respostas à vacina.

Pelo mesmo motivo, a administração de anti-histamínicos antes da vacinação não é recomendada. Os anti-histamínicos não prevenirão quadros de anafilaxia e têm o potencial de mascarar sintomas cutâneos, o que pode atrasar o diagnóstico e o pronto tratamento.

Até o momento, estão aprovadas duas vacinas no Brasil: a da Pfizer, para crianças de 5 a 11 anos, e a do Butantan/Sinovac (Coronavac), para crianças a partir de 6 anos. A Coronavac não deve ser aplicada em crianças imunossuprimidas.

Diante de quadro sugestivo ou confirmado de covid-19, a vacinação contra a doença deve ser adiada até a recuperação clínica total e pelo menos quatro semanas após o início dos sintomas ou do resultado positivo de PCR-RT.

Sim. A apresentação pediátrica da vacina da Pfizer tem embalagem com tampa laranja para diferenciação e minimização de erros de aplicação — para o público acima de 12 anos a tampa é roxa. Após a diluição, cada frasco contém 1,3 ml de suspensão injetável com 10 doses/frasco, em embalagens com 10 frascos.

O volume da dose infantil é equivalente a um terço (10 mcg em 0,2 ml) da formulação aprovada no Brasil para uso a partir de 12 anos, que tem 30 mcg em 0,3 ml. A vacina para adultos não pode ser utilizada para crianças, mesmo que diluída.

Para mais informações, acesse o bulário eletrônico da Anvisa e a Nota Técnica do Ministério da Saúde.

Veja também como a vacina funciona em https://sbim.org.br/covid-19, clicando no tópico “Vacinas disponíveis no Brasil”

Os resultados preliminares de ensaios clínicos, com participação inicial de 2.268 crianças de 5 a 11 anos, mostraram que duas doses da formulação pediátrica reduziu o risco de Covid-19 sintomática em 90,9% por pelo menos dois meses. A resposta imune foi a mesma ou melhor do que a verificada nos vacinados de 16 a 25 anos que receberam duas doses da formulação com 30 mcg em 0,3 ml.

Não. A formulação pediátrica deve ser mantida na segunda dose.

É importante ressaltar que, em situações como essa, os responsáveis não devem aguardar a criança completar 12 anos para fazer a primeira dose com a formulação adulta. É necessário vacinar as crianças e adolescentes o mais rápido possível.

As mesmas contraindicações válidas para as outras faixas etárias:

  • Hipersensibilidade ao princípio ativo ou a qualquer dos excipientes da vacina.
  • Crianças que já apresentaram uma reação anafilática confirmada a uma dose anterior da vacina COVID-19 de mRNA.

Nos estudos analisados pela Anvisa para a aprovação da vacina no Brasil, durante os sete dias após a vacinação, cerca de 90% das crianças relataram reações locais, principalmente dor no local da injeção, e duas a cada três relataram reações sistêmicas, em especial fadiga e dor de cabeça.

A grande maioria dos episódios foi leve ou moderado e resolvido em 1 a 2 dias. As reações foram mais brandas do que aquelas relatadas por adultos jovens que receberam a formulação da tampa roxa. As reações sistémicas foram mais prováveis ​​de serem notificadas após a dose 2.

Não foram observados acontecimentos adversos graves relacionados com a vacinação no ensaio clínico.

Segundo o Centro de Controle de Prevenção e Doenças dos Estados Unidos (CDC), entre 3 e 19 de dezembro de 2021, após a aplicação de aproximadamente 8,7 milhões de doses da vacina Covid-19 da Pfizer19 em crianças de 5 a 11 anos, foram notificados no país 4.249 eventos adversos, dos quais:

  • 149 (97,6%) não eram graves. Entre eles dor, inchaço e vermelhidão no local da injeção, febre, fadiga, dor de cabeça, calafrios, mialgia, artralgia e linfadenopatia.
  • 100 (2,4%) eram graves, como convulsão e miocardite. Todos evoluíram de forma benigna.
  • Entre os 15 casos suspeitos de miocardite relatados durante o período analisado, 11 foram confirmados. Destas 11 crianças, sete já estavam recuperadas e quatro se recuperavam no momento em que o relatório foi publicado.
  • Não houve mortes associadas à vacina.

No ensaio de fase 3 que avaliou segurança e eficácia e permitiu o licenciamento nos Estados Unidos, Brasil e em outros países, não houve nenhum caso de miocardite e pericardite entre as 1.444 crianças de 5 a 11 anos vacinadas.

Nos relatórios de vigilância americanos, entre 3 e 19 de dezembro de 2021, foram notificados 15 casos suspeitos de miocardite, sendo 11 confirmados. Das 11 crianças, sete já estavam recuperadas e quatro se recuperavam no momento em que o relatório foi publicado.

Casos de miocardite e pericardite têm sido relatados muito raramente em vários países após a vacinação com as vacinas de mRNA, entre elas a da Pfizer. Os episódios identificados até o momento ocorreram na maioria das vezes dentro de 14 dias após a vacinação — em especial na segunda dose —, e entre adolescentes do sexo masculino e homens jovens.

De qualquer forma, os profissionais de saúde devem estar atentos aos sinais e sintomas de miocardite e pericardite e orientar seus pacientes a procurar atendimento médico imediato caso sintam dor no peito, dispneia (falta de ar) ou palpitações.

Apesar de não constar nas notas técnicas do Ministério da Saúde (leia aqui e aqui), entendemos que há situações em que os benefícios da vacinação superam os potenciais riscos desconhecidos da coadministração em intervalos menores.

São exemplos a imunoprofilaxia para tétano no manejo de feridas em um indivíduo suscetível, administração de soros antiofídicos após acidente, profilaxia pós-exposição da raiva humana, e a vacinação para controle de surtos de sarampo ou de hepatite A.

É improvável que a vacina da Pfizer aumente o risco de eventos adversos nesses pacientes. Ainda que a eficácia possa ser menor em imunocomprometidos, a vacinação é recomendada, salvo situações de contraindicações específicas.

Com relação à Coronavac, ainda existem poucos dados sobre a vacinação em crianças imunodeprimidas. Por isso, no momento, a vacina não deve ser usada nesta população.

Transplantados de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) perdem a imunidade protetora no pós-transplante. Se foram vacinados antes do transplante, devem ter o esquema vacinal refeito, preferencialmente seis meses após o procedimento. Porém, a depender da situação epidemiológica local, o intervalo para a vacinação pode ser reduzido para três meses.

Com relação à Coronavac, ainda existem poucos dados sobre a vacinação em crianças imunodeprimidas. Por isso, no momento, a vacina não deve ser usada nesta população.

Da mesma forma que não há recomendação para sorologia após a vacinação, a pesquisa viral (RT-PCR) ou a sorológica para verificação de infecção anterior não são recomendadas com o propósito de tomada de decisão sobre a vacinação.

Os dados disponíveis indicam que as vacinas são seguras em pessoas previamente acometidas pela Covid-19. Também é possível, embora ainda não tenha sido cientificamente estabelecido, que a vacinação possa conferir proteção adicional a esses indivíduos.

Na medida em que a vacinação de pessoas com infecção prévia é segura e pode até trazer benefício extra, não existe motivo para solicitar exames antes da vacinação. A vacinação deve ser oferecida independentemente da história de infecção anterior por SARS-CoV-2, sintomática ou assintomática.

Os testes sorológicos não são recomendados para esse fim porque não permitem uma conclusão inequívoca sobre a resposta à vacina. Isso ocorre por alguns motivos:

  • Não se sabe o nível de anticorpos necessários (correlato de proteção) para prevenir a Covid-19, portanto o resultado positivo não significa necessariamente que a pessoa está protegida.
  • O resultado negativo pode refletir a baixa sensibilidade do exame (falso negativo). Pessoas protegidas pela vacina podem testar negativo.
  • As vacinas contra Covid-19 têm como alvo a produção de anticorpos contra a proteína S do SARS-CoV-2, responsável pela ligação com nossas células e a consequente infecção – esses anticorpos é que seriam os marcadores de proteção a serem investigados. Os testes atuais podem verificar tanto o nível desses anticorpos quanto de anticorpos contra outro componente do vírus, a proteína do nucleocapsídeo (N). Como nem sempre essa informação consta no laudo, pode haver equívocos de interpretação.
  • Mesmo que o resultado seja positivo para anticorpos contra a proteína S, pode não ser possível distinguir se foi resposta imunológica pela vacina ou se foi fruto de infecção prévia pelo vírus.

Até o momento, a única conclusão a que a presença de IgG/IgM contra a Covid-19 no organismo permite chegar é a de que houve contato prévio com o vírus. Ainda não se sabe o nível de anticorpos necessário para evitar a doença, se os anticorpos desenvolvidos em resposta à infecção por SARS-CoV-2 são neutralizantes, se impedem a transmissão ou por quanto tempo vão durar.

Por esses motivos, o resultado dos testes não permite descartar a vacinação e as demais medidas preventivas nem aferir a resposta vacinal (saiba mais).

Não. Grande parte dos pacientes recuperados não terão mais o RNA do SARS-CoV-2 detectável, mas em algumas pessoas o material genético pode ser identificado de forma persistente. Além disso, há registros de indivíduos que voltaram a testar positivo, sem evidência de nova infecção, após terem feito dois exames consecutivos com resultado negativo.

Estudos que investigaram por quanto tempo o RNA do SARS-CoV-2 pode ser detectado demonstraram que o período pode ser de algumas semanas. Isso, no entanto, não significa que há presença de vírus viável (capaz de causar a doença).

Uma vez que não é possível chegar a conclusões a partir dos resultados, não há recomendação para realizar os testes com este objetivo.

Com base na experiência com outros vírus, é improvável que pessoas com concentrações detectáveis e baixas de RNA viral após a recuperação clínica tenham vírus viáveis no organismo, ou seja, capazes de causar a doença. Ainda não foi definitivamente estabelecido se isso é válido para o SARS-CoV-2, mas não há evidências de que pessoas clinicamente recuperadas com resultado positivo persistente tenham transmitido o vírus.

O entendimento atual é o de que o isolamento domiciliar e as demais precauções podem ser interrompidos de 10 a 14 dias após o início dos sintomas, desde que haja melhora dos sintomas e ausência de febre por pelo menos 24 horas.

Via de regra, a carga viral detectável cai progressivamente após o início da doença, o que leva a uma redução da capacidade de isolar vírus vivos. Embora em pacientes com Covid-19 grave — em geral imunocomprometidos — já tenha sido documentada a presença de vírus vivos de 10 a 20 dias depois do início dos sintomas, os esforços para isolá-los em amostras do trato respiratório superior colhidas 10 dias após o início dos sintomas não são bem-sucedidos na maioria das vezes.

Além disso, a cultura viral do SARS-CoV-2 exige tecnologia complexa, deve ser conduzida em laboratórios de nível de biossegurança muito elevado e demandam bastante tempo. O exame, portanto, não é adequado na rotina prática e para orientar o manejo de pessoas infectadas.

Todas as vacinas Covid-19 atualmente disponíveis são contraindicadas para pessoas com histórico de reação alérgica grave (por exemplo, anafilaxia) após dose anterior ou a qualquer componente da fórmula.

A vacina AstraZeneca também é contraindicada para pacientes que sofreram trombose venosa e/ou arterial importante em combinação com trombocitopenia após vacinação com qualquer vacina para a Covid-19.

As vacinas AstraZeneca e Janssen, especificamente, são contraindicadas para gestantes, puérperas e pessoas com histórico de síndrome de extravasamento capilar.

  • Pessoas com histórico de desmaio após injeções devem ser colocadas em observação por pelo menos 15 minutos após a administração da vacina.
  • Pessoas que usam anticoagulantes ou têm algum distúrbio de coagulação devem ter o local da injeção pressionado com algodão seco por mais tempo, para evitar sangramento e formação de hematoma. Compressas geladas antes e após a aplicação também são recomendadas.
  • Diante de doenças agudas febris moderadas ou graves, recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro, para não haver confusão entre a manifestação da doença febril e uma eventual reação vacinal.

Da mesma forma que as pessoas com comorbidades, as imunodeprimidas e com outras condições que comprometem o sistema imunológico apresentam maior vulnerabilidade a formas graves e óbito por Covid-19. Ainda que a resposta à vacina possa ser inferior, esse é um grupo cuja proteção pela vacina deve ser priorizada. É importante ressaltar que as vacinas disponíveis são inativadas, portanto, incapazes de causar doença em imunodeprimidos.

Leia as recomendações do Ministério da Saúde.

  • Imunocomprometidos de 12 a 17 anos, incluindo gestantes e puérperas:
    • Pfizer: três doses com intervalos de oito semanas e um reforço a partir de quatro meses após a terceira dose.
  • Imunocomprometidos a partir de 18 anos, exceto gestantes e puérperas:
    • AstraZeneca: três doses com intervalos de oito semanas e um reforço a partir de quatro meses após a terceira dose.
    • Coronavac: três doses, com intervalos de quatro semanas entre a primeira e a segunda dose e de oito semanas entre a segunda e a terceira, e um reforço quatro meses após a terceira dose.
    • Janssen: duas doses com intervalo de oito semanas e um reforço a partir de quatro meses após a segunda dose.
    • Pfizer: três doses com intervalos de oito semanas e um reforço a partir de quatro meses após a terceira dose.
    • Observação: Independente do esquema primário, o reforço deve ser feito preferencialmente com a vacina Pfizer, ou, de forma alternativa, com a AstraZeneca ou Coronavac.
  • Gestantes e puérperas a partir de 18 anos imunocomprometidas:
    • Coronavac: três doses com intervalos de oito semanas e um reforço quatro meses após a terceira dose.
    • Pfizer: três doses com intervalos de oito semanas e um reforço a partir de quatro meses após a terceira dose.
    • Observação: o reforço deve ser feito preferencialmente com a vacina Pfizer. Se não disponível, usar Coronavac
    • Observação: Apesar de as bulas recomendarem que os esquemas de vacinação sejam feitos com a mesma vacina (esquema homólogo), estudos que avaliaram a imunogenicidade e segurança de esquemas com vacinas diferentes (esquema heterólogo) — em especial de plataformas tecnológicas distintas — observaram aumento nos títulos de anticorpos sem qualquer alteração no perfil de segurança. As evidências apoiam as recomendações do Ministério da Saúde (leia mais aqui e aqui).

Saiba mais aqui.

Com base na resposta imunológica e proteção clínica reduzidas observadas em estudos com grupos diferentes de pessoas imunossuprimidas, além do maior risco de covid-19 grave, foi estabelecida a necessidade de uma dose adicional no esquema primário e um reforço. A alteração no esquema não mudou o perfil de segurança de vacina, que se manteve satisfatório.

É importante ressaltar que a possibilidade de resposta imunológica reduzida permanece mesmo com esses esquemas específicos. Por isso, as demais medidas de prevenção, como uso de máscara e evitar aglomerações, devem ser mantidas para limitar o risco de exposição ao vírus.

Pessoas com condições médicas subjacentes (comorbidades) podem receber as vacinas Covid-19 aprovadas ou licenciadas pela Anvisa, desde que não tenham apresentado reação alérgica imediata ou grave após dose anterior ou a algum componente da fórmula.

Estes grupos constituem grupo de risco para quadros graves de Covid-19, por isso foram incluídos entre as prioridades pelo Ministério da Saúde e devem ser vacinados. Mas, como são poucos os dados de estudos com esses pacientes, a avaliação de risco-benefício e a decisão pela vacinação deve ser compartilhada com o(a) médico(a) assistente, considerando não apenas o risco de Covid-19 grave, mas a doença de base, os medicamentos em uso, e a existência de contraindicações.

Leia as recomendações do Ministério da Saúde.

Grávidas e puérperas (até 45 dias após o parto) são mais vulneráveis a desenvolver formas graves de Covid-19 e complicações obstétricas, tais como parto prematuro, óbito fetal, abortamento, entre outros. Por esse motivo, O Programa Nacional de Imunizações (PNI) incluiu os grupos como prioritários. As vacinas recomendadas pelo Ministério da Saúde no momento são as da Pfizer (Cominarty) ou do Instituto Butantan/Sinovac (CoronaVac).

O teste de gravidez não deve ser um pré-requisito para a administração das vacinas nas mulheres com potencial para engravidar e que se encontram em um dos grupos prioritários para vacinação.

Atenção: Diante da ocorrência de um evento adverso grave com provável associação causal com a vacina AstraZeneca/Fiocruz em uma gestante, optou-se pela interrupção temporária da vacinação das gestantes e puérperas com vacinas de vetor viral (AstraZeneca/Fiocruz e Janssen).

O Ministério da Saúde atualiza suas recomendações para esta e outras situações por meio de “Informes Técnicos” divulgados periodicamente (acesse).

Os esquemas são os seguintes:

  • Coronavac — três doses, com intervalos de 28 dias entre a primeira e a segunda e de oito entre a segunda e a terceira. Reforço a partir de quatro meses após a terceira dose, preferencialmente com a vacina Pfizer (Cominarty). Se não estiver disponível, usar a Coronavac.
  • Pfizer (Cominarty): três doses, com intervalo de oito semanas. Reforço a partir de quatro meses após a terceira dose, preferencialmente com a vacina Pfizer (Cominarty). Se não disponível, usar a Coronavac.
  • As vacinas AstraZeneca ou Janssen não são indicadas. Caso gestantes e puérperas imunodeprimidas tenham recebido essas vacinas antes da gestação, é recomendado um reforço, preferencialmente com a vacina da Pfizer. Se não disponível, usar a Coronavac.

Para gestantes ou mulheres que estejam no puerpério (até 45 dias pós-parto) na data da segunda dose deverá ser ofertada, preferencialmente, a vacina Pfizer. Caso não esteja disponível, a vacina Coronavac é uma opção. O(A) médico(a) que as acompanha deve orientá-las sobre as limitações dos dados existentes e o perfil de risco benefício.

Veja mais em https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/secovid-nt-n6-2021-intercambialidade.pdf

A vigilância de eventos adversos após a vacinação com as vacinas Covid-19 detectou um caso desta síndrome, que se caracteriza pela aparição de trombos e problemas de coagulação decorrentes do surgimento de autoanticorpos contra o fator 4 plaquetário. Diferente de outras situações em que ocorre trombose, essa é uma síndrome muito específica. Não é esperado que haja um risco aumentado de ocorrência da TTS em indivíduos com histórico ou outros fatores predisponentes para trombose.

Pessoas com histórico de trombose e que usam antiagregantes plaquetários ou anticoagulantes (varfarina, apixabana, dabigatrana, edoxabana e rivaroxabana) não têm contraindicação para nenhuma das vacinas Covid-19 — por cautela, a vacina pode ser administrada o mais longe possível da última dose do anticoagulante. Pessoas com trombocitopenia prévia e em uso de heparina devem avaliar a vacinação com o médico assistente.

Como parte do processo de vigilância de eventos adversos relacionados às vacinas Covid-19, Estados Unidos e Israel verificaram um aumento nas notificações de miocardite e pericardite (inflamação do músculo cardíaco e da estrutura que envolve o coração) após a vacinação com vacinas de mRNA em adolescentes e adultos jovens. Os sistemas de monitoramento concluíram que existem poucos relatos desta condição até o momento, a maioria leve e tratável, e que esses casos parecem ocorrer:

  • predominantemente em adolescentes e adultos jovens,
  • mais frequentemente em homens do que mulheres,
  • mais frequentemente após a dose 2 do que após dose 1, e
  • normalmente dentro de 4 dias após a vacinação.

O risco de miocardite/pericardite após a vacinação existe, mas é raro. A possibilidade de o quadro ser causado pela COVID-19 é muito maior. Por isso, agências regulatórias de vários países continuam a recomendar a vacinação para todos os indivíduos a partir de 12 anos de idade — muitas para crianças a partir de 5 anos de idade.

Depende:

  • Se o episódio não tiver relação com a vacina: podem receber qualquer vacina Covid-19 atualmente disponível, desde que sob orientação médica e que o episódio de miocardite ou pericardite esteja completamente resolvido. Ou seja, sem sintomas e sem evidências de inflamação ou sequelas cardíaca.
  • Se o episódio tiver relação com a vacina: a segunda dose deve ser adiada até que dados de segurança adicionais estejam disponíveis. A decisão, ainda assim, deve ser debatida com a equipe médica assistente.

Porque não sabemos se as terapias com anticorpos passivos contra Covid-19, incluindo anticorpos monoclonais e plasma convalescente, podem reduzir a eficácia da vacinação com vacinas Covid-19. Como precaução, recomenda-se aguardar ao menos 90 dias após essas terapias para iniciar vacinação. Pessoas que tiveram Covid-19 após a primeira dose da vacina e foram submetidas a terapia passiva com anticorpos também devem esperar 90 dias antes de receber a segunda dose. Não é preciso recomeçar o esquema.

No caso de terapias com anticorpos não específicos para o tratamento com Covid-19 (por exemplo, imunoglobulina intravenosa e anti-Rh), é improvável haver prejuízo substancial à resposta vacinal. Por esse motivo, não há necessidade de intervalo.

Atualmente, não há dados sobre a segurança e eficácia das vacinas Covid-19 em pessoas com este histórico. Os mecanismos da Síndrome não são bem compreendidos, mas incluem uma resposta imune desregulada à infecção por SARS-CoV-2.

A decisão sobre a vacinação e quanto tempo aguardar após a recuperação da síndrome deve ser tomada em conjunta pelo médico e o paciente, considerando os benefícios da vacinação e o risco de infecção pelo SARS-CoV-2.

Não. O consumo moderado de bebidas alcoólicas não interfere na resposta gerada por nenhuma vacina e não aumenta o risco de eventos adversos pós-vacinais. Por outro lado, a ingestão excessiva ou o uso crônico e abusivo podem enfraquecer o organismo como um todo, incluindo o sistema imunológico, o que facilita infecções.

É preciso pesquisar as exigências de cada país na ocasião da viagem, em sites oficiais ou junto a consulados, porque as recomendações são alteradas com certa frequência. Além disso, muitas vezes são necessários documentos específicos ou períodos de quarentena.

Em nota técnica publicada em 22 de outubro de 2021 (leia), o PNI definiu que:

  • Viajantes que não receberam duas doses da vacina podem antecipar a segunda dose respeitando o intervalo mínimo de 21 dias para a vacina da Pfizer/Wyeth e 28 dias para a vacina AstraZeneca/Fiocruz (esquema homólogo);
  • Viajantes que completaram o esquema da vacina Butantan/Sinovac (coronavac) e se dirigirão a países que não a incluíram entre as vacinas autorizadas poderão receber uma terceira dose de outro imunizante aceito pelo país de destino. O intervalo mínimo entre o fim do esquema primário e a terceira dose é de 28 dias.

Não há evidências que apoiem quaisquer preocupações sobre o efeito das vacinas na fertilidade ou no ciclo menstrual. Alegações associando as vacinas Covid-19 com alterações na integridade dos órgãos reprodutivos são especulativas e não são suportadas por dados científicos.

Não existem mecanismos biologicamente plausíveis para as vacinas causarem algum impacto na fertilidade. Os ensaios iniciais com animais indicaram não haver efeitos prejudiciais ao sistema reprodutivo, e resultados preliminares de estudos sobre toxicidade reprodutiva mostram que não há alteração na contagem de espermograma em homens vacinados.

Dados preliminares de um estudo realizado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sugerem que a vacina tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) poderia interferir positivamente na evolução da doença por SARS-Cov-2, evitando casos sintomáticos.

A pesquisa, ainda não publicada, parte da premissa já conhecida de que vacinas atenuadas —a exemplo da tríplice viral — por estimularem com maior robustez o sistema imune e a chamada imunidade inata inespecífica, são capazes de prevenir a evolução mais grave de outras infecções.

Como os detalhes do estudo não são conhecidos e ainda não existem dados conclusivos, a SBIm não recomenda a prescrição da tríplice viral para este fim e orienta que a população seja informada de que ela não substitui em hipótese alguma as vacinas Covid-19. Em nota oficial (leia), a UFSC e a Prefeitura de Santa Catarina seguiram caminho semelhante.

Observação: em virtude da situação epidemiológica do sarampo no Brasil, devemos recomendar a atualização da vacinação com a tríplice viral para as pessoas não vacinadas ou parcialmente vacinadas, para a prevenção do próprio sarampo.

Infelizmente o vírus influenza, causador da gripe, não tem parentesco ou semelhança genética com o SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19.

Entretanto, neste momento de pandemia, a vacinação contra a gripe é importantíssima para evitar uma sobrecarga maior no sistema de saúde e reduzir a possibilidade de confusão de diagnóstico.

Não. É certo que as vacinas de vírus inteiros, da mesma forma que diversos medicamentos, precisam ser cultivadas em células que têm rápida capacidade de multiplicação, como as embrionárias. Mas essas células podem ser de animais (ovos de galinha), vegetais ou humanas. As humanas são replicações em laboratório de células que foram obtidas décadas atrás.

É importante destacar dois pontos:

  • Para obtenção das células humanas para pesquisas científicas não foi provocado aborto para fornecer o material para pesquisa científica. Reconhecendo isso, o próprio Vaticano se manifestou favorável à vacina da Covid-19 e disse que o uso dessas células “não constitui em si uma legitimação, mesmo indireta, da prática do aborto”.
  • As vacinas passam por processos que eliminam possíveis vestígios das células embrionárias.

Os ingredientes de todas as vacinas Covid-19 em teste estão publicamente disponíveis em base de dados online e reunidos no site da Organização Mundial da Saúde (OMS). Componentes distintos dos informados podem ser identificados com facilidade por meio de testes laboratoriais.

Esta teoria conspiratória surgiu a partir da deturpação da fala do empresário Bill Gates sobre uma tecnologia futura que permitiria auxiliar na identificação de quem já teve Covid-19 ou foi vacinado. Isso, no entanto, não tem nenhuma relação com a vacina ou com o 5G, que nada mais é do que a evolução do 4G que usamos hoje. Mesmo que quisessem, seria impossível usá-lo para controlar pessoas.

Não. As vacinas “genéticas”, como as de RNA mensageiro (mRNA), apenas “ensinam a receita” para nossas células produzirem a proteína S (de spike), responsável pela ligação do SARS-Cov2 com nossas células. A apresentação da proteína S estimula a atuação do sistema imune, que gerará os anticorpos contra ela e, assim, evitar a doença.

Não há nenhum risco de alterações no nosso DNA, modificações físicas, entre outros boatos que circularam por aí. Inclusive, é interessante destacar que em uma infecção natural, os vírus invadem as células e as destroem por completo. Se fosse possível modificar o nosso DNA com tanta facilidade, um simples resfriado faria isso. Não a vacina.