O que previne:

Infecção do fígado (hepatite) causada pelo vírus da hepatite B.

Do que é feita:

Trata-se de vacina inativada, portanto, não tem como causar a doença.

É composta por proteína de superfície do vírus da hepatite B purificado, hidróxido de alumínio, cloreto de sódio e água para injeção. Pode conter fosfato de sódio, fosfato de potássio e borato de sódio.

A rede pública utiliza a apresentação multidose (mais de uma dose por frasco), que contém timerosal (derivado do mercúrio) como conservante.

Indicação:

Para pessoas de todas as faixas etárias. Faz parte da rotina de vacinação das crianças, devendo ser aplicada, de preferência, nas primeiras 12-24 horas após o nascimento, para prevenir hepatite crônica – forma que acomete 90% dos bebês contaminados ao nascer.

Especialmente indicada para gestantes não vacinadas.

Contraindicação:

Não deve ser aplicada em pessoas que apresentaram anafilaxia com qualquer componente da vacina ou com dose anterior. Ou nas que desenvolveram púrpura trombocitopênica após dose anterior de vacina com componente hepatite B.

Esquema de doses:

  • Para a vacinação rotineira de crianças, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) adotou o esquema de quatro doses: uma dose em formulação isolada ao nascimento e doses aos 2, 4 e 6 meses de vida, incluídas na vacina pentavalente de células inteiras, única vacina com componente hepatite B disponível no PNI para a rotina do primeiro ano de vida.
  • A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomendam o esquema de três doses: ao nascimento, em formulação isolada, e aos 2 e 6 meses de vida, como parte da vacina hexavalente acelular. O esquema pode ser igualmente de quatro doses, como no PNI, caso no quarto mês também seja administrada a vacina hexavalente, em vez da pentavalente acelular (que não contém o componente hepatite B).    
  • Para crianças mais velhas, adolescentes e adultos não vacinados no primeiro ano de vida, o PNI, a SBP e a SBIm recomendam três doses, com intervalo de um ou dois meses entre primeira e a segunda doses e de seis meses entre a primeira e a terceira (intervalo mínimo de 4 meses entre D1 e D3).
  • Pessoas com condições clínicas que comprometam a resposta vacinal podem ter necessidade de esquemas adaptados. Veja calendários de vacinação dos pacientes especiais.

Avaliação sorológica de resposta vacinal

O exame sorológico só é válido para averiguar a resposta à vacinação contra a hepatite B se for realizado de 30 a no máximo 90 dias após o fim do esquema (título de anticorpos anti-HBS ≥ 10 mUI/ml é considerado correlato de proteção).  Sorologias realizadas além desse período, não permitem esclarecer se houve falha na resposta ou se os anticorpos caíram naturalmente, o que é normal e não significa ausência de proteção.

A sorologia após vacinação não é recomendada na rotina pois a eficácia da vacina é muito alta em indivíduos saudáveis. Por outro lado, pessoas em situações de imunocomprometimento, que têm a resposta vacinal prejudicada, devem realizar a sorologia de 30 a 60 dias após o término do esquema ou periodicamente, de acordo com o a condição (saiba mais nos Calendários de Vacinação SBIm Pacientes Especiais). 

São exemplos:

  • Diabetes
  • Hepatopatias graves com imunocomprometimento, hepatopatia terminal ou transplante hepático;
  • Pessoas vivendo com HIV/AIDS;
  • Doença renal crônica;
  • Erros inatos da imunidade;
  • Doenças oncológicas em atividade;
  • Uso de imunossupressores na ocasião da vacinação;
  • Doenças autoimunes que cursam com imunossupressão;
  • Pessoas vacinadas no pós-transplante de órgão sólidos;
  • Transplantados de células tronco hematopoiéticas.

Outro grupo em que a sorologia deve ser solicitada 30 a 60 dias após vacinação e está estabelecida por legislação são os TRABALHADORES DA ÁREA DA SAÚDE, pelo maior risco de exposição ao vírus da hepatite B em suas atividades laborais.

Conduta para os grupos acima:

  1. Caso a sorologia tenha sido feita no período recomendado (30 a 60 dias após o fim do esquema), títulos de anti-HBS abaixo de 10 mUI/ml requerem a administração de novo esquema vacinal e nova sorologia. Se o resultado permanecer inferior, o indivíduo é considerado “não respondedor” e continuará suscetível.
  2. Caso a sorologia tenha sido realizada mais de 90 dias após vacinação, é preciso avaliar se houve falha na resposta ou queda natural de anticorpos. Nessa situação, indica-se a aplicação de uma dose (chamada dose de desafio) e repetir a sorologia 30 a 60 dias depois:
    • Se positivo: considerar protegido. Em imunocompetentes, o resultado é válido para toda a vida, pode ser usado como prova de soroconversão e elimina a necessidade de novas sorologias e administração de doses adicionais, mesmo em caso de exposição. Isso porque a infecção pelo vírus da hepatite B tem incubação extremamente longa, muito maior que o tempo necessário para desencadear a resposta de memória nos indivíduos saudáveis que já soroconverteram;
    • Se negativo: completar o esquema recomendado e repetir o anti-HBs 30 a 60 dias após o fim do novo esquema. Se permanecer negativo, considerar não respondedor.

Importante: Indivíduos não respondedores em situações de exposição suspeita ou comprovada ao vírus da hepatite B devem receber Imunoglobulina anti-HB (HBIG).

Via de aplicação:

Intramuscular.

Cuidados antes, durante e após a vacinação:

  • Não são necessários cuidados especiais antes da vacinação.
  • Em caso de febre, deve-se adiar a vacinação até que ocorra a melhora.
  • Compressas frias aliviam a reação no local da aplicação.
  • Qualquer sintoma grave e/ou inesperado após a vacinação deve ser notificado ao serviço que a realizou.
  • Sintomas de eventos adversos graves ou persistentes, que se prolongam por mais que 24 a 72 horas (dependendo do sintoma), devem ser investigados para verificação de outras causas.

Efeitos e eventos adversos:

  • Em 3% a 29% dos vacinados pode ocorrer dor no local da aplicação; endurecimento, inchaço e vermelhidão acometem de 0,2% a 17% das pessoas.
  • Em relação às manifestações gerais, de 1% a 6% dos vacinados apresentam febre bem tolerada e autolimitada nas primeiras 24 horas após a aplicação; cansaço, tontura, dor de cabeça, irritabilidade e desconforto gastrintestinal acometem de 1% a 20%.
  • A ocorrência de púrpura trombocitopênica idiopática após administração da vacina hepatite B é um evento raro, registrado em menos de 0,01% dos vacinados, e até hoje não foi bem estabelecido se esses poucos casos estão de fato relacionados à vacina ou se foi apenas coincidência. Nestes casos, as manchas roxas ou avermelhadas na pele e a diminuição da contagem de plaquetas que caracterizam a doença surgiram poucos dias a até dois meses depois da vacinação.
  • Anafilaxia também é muito rara: um caso em 600 mil adolescentes e adultos vacinados, sendo mais rara ainda em crianças.
  • Tais eventos adversos estão relacionados à vacina hepatite B isolada. Aqueles associados às vacinas combinadas com componente hepatite B podem ser encontrados nos tópicos que tratam de cada uma especificamente: DTPa-VIP-HB/Hib e DTPw-HB/Hib e vacina combinada hepatite A e B.

Onde pode ser encontrada:

  • Na rede pública, para todas as pessoas. Pode ser usada a vacina hepatite B isolada ou, para as doses dos 2, 4 e 6 meses de idade, na apresentação combinada a outras vacinas (vacina DTPw-HB/Hib).
  • Nos serviços privados de vacinação é encontrada em apresentação isolada para todas as idades; em apresentação combinada DTPa-VIP-HB/Hib para menores de 7 anos; e na apresentação combinada com a vacina hepatite A (vacina hepatite A e B) para crianças maiores de 1 ano, adolescentes e adultos.
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