COVID-19

O conteúdo desta seção, elaborado por diretores e colaboradores da SBIm com base em estudos científicos, tem como objetivo sanar dúvidas sobre a COVID-19 e formas de prevenção da doença causada pelo vírus SARS-CoV-2. #InformaçãoDeVerdade para aprender e compartilhar!

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Os coronavírus (CoV) são uma grande família de vírus que causam desde resfriados comuns até doenças mais graves, como a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS), a síndrome respiratória aguda severa (SARS) e, mais recentemente, a COVID-19.

Trata-se de vírus zoonóticos, ou seja, eles podem ser transmitidos de animais para pessoas. Acredita-se que o SARS-CoV-2 tenha origem no RaTG13, tipo de coronavírus que circula em morcegos, e que provavelmente passou por um hospedeiro intermediário antes de chegar aos humanos.

Assim como outros vírus, o SARS-CoV-2 sofre mutações ao longo do tempo. Essas mudanças vêm sendo acompanhadas de perto por laboratórios de saúde pública, os quais fazem o sequenciamento genético para avaliar se as variantes estão mais frequentes ou podem deixar de ser detectadas pelos testes disponíveis. Até o momento, algumas demonstraram maior capacidade de transmissão, mas não parecem causar doenças mais graves.

Apesar de pouco frequente, as pessoas podem ter COVID-19 mais de uma vez. Ainda não se sabe exatamente quanto tempo dura a imunidade após a infecção natural, mas as evidências até o momento sugerem que a reinfecção é rara nos 90 dias após a primeira ocorrência.

Breve linha do tempo

  • Início de dezembro de 2019 - Primeiros casos de pneumonia por agente desconhecido, em Wuhan, na China.
  • 31/12/2019 - Cluster (grupo) de casos é oficialmente notificado à Organização Mundial da Saúde (OMS).
  • 07/01/2020 – O código genético do vírus é isolado.
  • 12/01/2020 - China compartilha sequenciamento genético com a comunidade internacional
  • 30/01/2020 - OMS declara emergência de saúde global. Foi a sexta vez que o mecanismo, criado após o surto de SARS em 2002-2003, foi acionado – H1N1 (2009), poliomielite (2014), zika (2016), ebola (2014 e 2019).
  • 11/02/2020 – A doença é chamada de COVID-19; e o vírus é nomeado SARS-CoV-2.
  • 26/02/2020 - Primeiro caso é confirmado no Brasil, em um homem de 61 anos em retorno de viagem à Itália.
  • 07/03/2020 - Casos chegam a 100 mil.
  • 11/03/2020 - OMS declara pandemia.

No fim de janeiro de 2021, mais de 100 milhões de casos e 2 milhões de mortes haviam sido confirmados em todo o planeta. No Brasil, eram mais de 9 milhões de casos e mais de 220 mil mortos.

CONSULTE - Números atualizados

Mundo: https://covid19.who.int/ (em inglês)
Brasil: https://covid.saude.gov.br

Transmissão

As principais vias de transmissão de uma pessoa para outra são semelhantes à de diversas infecções respiratórias:

  • Gotículas expelidas durante a fala, tosse ou espirro.
  • Contato indireto com gotículas, ao levar as mãos aos olhos, boca e nariz após tocar em pessoas, objetos ou superfícies infectados.

As gotículas são relativamente pesadas, não atingem longas distâncias e rapidamente caem no chão. A transmissão por meio de aerossóis − partículas ainda menores e mais leves que as gotículas − também é possível em circunstâncias especiais.

O período de incubação da COVID-19, ou seja, o tempo entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas, varia de um a 14 dias — média de cinco a seis dias. Pessoas infectadas que não apresentam sintomas podem transmitir o vírus. Casos de reinfecção têm sido relatados, mas ainda são pouco frequentes.

Para reduzir o risco de disseminação, as pessoas com COVID-19 devem se manter isoladas por pelo menos dez dias, de preferência em casa, desde os primeiros sintomas. Se for possível, a pessoa deve fazer uso de quarto e banheiro exclusivos, bem ventilados (janelas abertas) e com portas fechadas. O uso de máscara é essencial sempre que houver contato com outras pessoas.

Sintomas

Os sintomas mais comuns da COVID-19 são:

  • Febre
  • Tosse
  • Dor de cabeça
  • Fadiga
  • Dores musculares ou corporais
  • Perda de paladar (ageusia) ou olfato (anosmia/hiposmia)
  • Dor de garganta
  • Náusea
  • Diarreia

Sinais de alarme (demandam consulta médica imediata):

  • Dificuldade para respirar
  • Dor ou pressão no peito
  • Dificuldade para permanecer acordado

Segundo a OMS, cerca de 80% das pessoas com COVID-19 se recuperam sem necessidade de tratamento hospitalar; 15% desenvolvem a doença severa, demandando suporte de oxigênio; e 5% ficam em estado crítico. Nos quadros mais delicados, além do prejuízo ao sistema respiratório, pode haver:

  • Complicações sistêmicas (como trombose), cardíacas e renais.
  • Sepse (infecção generalizada) e choque séptico.

Diagnóstico

  • Diagnóstico clínico (com base nos sintomas): a possibilidade de COVID-19, mesmo com exame de RT-PCR negativo, deve ser fortemente considerada na presença de dois ou mais sintomas da doença — em especial a perda de paladar (ageusia), perda de olfato (anosmia) e sintomas gastrointestinais — caso não exista confirmação de outros quadros passíveis de causar sintomas semelhantes. Entre eles, painel viral positivo para outro vírus respiratório, amidalite bacteriana clássica, infecção do trato urinário, e outros.
  • Diagnóstico clínico-epidemiológico: presença de dois ou mais sintomas associado(s) a histórico de contato próximo ou domiciliar com caso de COVID-19 confirmado nos 14 dias anteriores ao início dos sintomas.
  • Diagnóstico clínico+imagem: dois ou mais sintomas de COVID-19 associados a alterações em exames de imagem, como radiografias e/ou tomografias do pulmão.
  • Diagnóstico laboratorial: recomendado para pessoas com sintomas de COVID-19 e pessoas que tiveram contato próximo (entre 1,5 m a 2 m, por 15 minutos ou mais) com alguém com COVID-19 confirmado. Há diversos tipos:
  • Teste de biologia molecular (RT-PCR): detecta a presença do vírus no organismo. É o mais sensível e por isso considerado padrão ouro. Considerações:
    • Quando realizado em sintomáticos entre o primeiro e o sétimo dia de início dos sintomas:
      • Se positivo, confirma a COVID-19.
      • Se negativo (uma única amostra), não descarta o diagnóstico da doença. Uma segunda amostra pode ser solicitada, com pelo menos 24 horas de intervalo).
    • Em indivíduos assintomáticos, um RT-PCR negativo não descarta a infecção pelo SARS-CoV2. No entanto, não há recomendação de quarentena para essas pessoas.
  • Sorologia: detecta a presença de anticorpos, o que significa que a pessoa tem/teve uma infecção recente (IgM) e/ou teve uma infecção anterior (IgG). Como a produção de anticorpos não é imediata, as amostras devem ser coletadas a partir do oitavo dia após o início dos sintomas (preferencialmente dez dias). Menos preciso que o RT-PCR.
  • Testes rápidos: também detectam a presença de anticorpos. Apesar da praticidade de se receber o resultado com maior velocidade, é o menos confiável.

Tratamento

Até o momento, não há terapêutica antiviral específica e eficaz para a COVID-19, seja para a prevenção, tratamento precoce ou casos mais graves.

Nos quadros leves, em geral, são utilizados medicamentos para aliviar os sintomas, como analgésicos e antitérmicos, e água ou fluidos intravenosos para hidratação. Recomenda-se repouso para ajudar o corpo a combater o vírus.

A automedicação é extremamente perigosa. Se você suspeitar que está com COVID-19, converse com o seu(sua) médico(a).

Para o manejo do paciente gravemente enfermo, hospitalizado, algumas intervenções têm se demonstrado seguras e efetivas, como a oxigenação, uso de anticoagulantes e corticoides, além de outras medidas de suporte.

Fatores de risco

No Brasil, os principais fatores de risco para formas graves e óbito são:

  • Idade superior a 60 anos
  • Diabetes mellitus
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
  • Doença renal
  • Doenças cardiovasculares e cerebrovasculares
  • Hipertensão arterial grave
  • Indivíduos transplantados de órgãos sólidos
  • Anemia falciforme
  • Câncer
  • Obesidade mórbida (IMC≥40).

*Comorbidades além das citadas acima também podem aumentar o risco.

Adultos mais velhos estão sob maior risco. As taxas de mortalidade específicas para pessoas com mais de 60 anos excedem em 11 a 28 vezes as taxas de mortalidade registrada em pessoas abaixo dessa idade.

COVID-19 entre profissionais de saúde

Embora a proporção de profissionais de saúde na maioria dos países corresponda a menos de 3% da população em geral, a proporção de casos de COVID-19 nesse grupo é quase cinco vezes maior. No Brasil, até 14 de janeiro de 2021 foram registrados 442.285 casos entre eles e 390 óbitos.

COVID-19 na população indígena

Relatório da Rede Eclesiástica Pan-Amazônica (REPAM) sobre o impacto da pandemia, que inclui dados do Brasil e de outros países, informa que entre março e outubro de 2020 houve 1.377.609 casos e 34.054 mortes por COVID-19 na região. Os indígenas representam 5,3% dos casos e 6,3% dos óbitos. A população amazônica é de 33,6 milhões de pessoas.

De acordo com o Ministério da Saúde, os povos indígenas mais vulneráveis à COVID-19 são os que vivem em terras demarcadas. Os motivos são o modo de vida coletivo, que faz com que as doenças infecciosas atinjam rapidamente a maior parte da população em uma aldeia, e as dificuldades de implementação de medidas preventivas, como uso de máscaras e distanciamento. Além disso, a localização das aldeias complica o acesso aos postos de saúde. Em alguns casos, o deslocamento até um serviço de atenção especializada pode levar mais de um dia.

Outros grupos com elevada vulnerabilidade social

Também são considerados com maior risco pela vulnerabilidade social e econômica as populações ribeirinhas e quilombolas, pessoas em situação de rua, refugiados, pessoas com deficiência e a população privada de liberdade.

Prevenção

Vacinas

As vacinas COVID-19 licenciadas para uso emergencial no Brasil em janeiro de 2021 demonstraram segurança e eficácia nos estudos clínicos, incluindo os de Fase 3. Qualquer outra vacina candidata será cuidadosamente avaliada e liberada pela Anvisa somente se obtiver resultados tão ou mais satisfatórios.

A princípio, diante da disponibilidade insuficiente da vacina no mercado mundial, o objetivo é proteger as pessoas com mais chance de internação e morte, trabalhadores da área da saúde e de outras consideradas essenciais para o funcionamento da sociedade.

É importante destacar que não há garantias de que a vacina previna a infecção e a consequente transmissão do vírus. Também não se sabe se as vacinas licenciadas serão eficazes contra novas variantes. Por isso, os vacinados devem manter as medidas preventivas.

Outras medidas

  • Usar máscaras que cubram o nariz e a boca. Não as manipular pela parte da frente — sempre colocar e retirar pela alça. Trocar a cada três horas ou quando ficar úmida. No caso de máscaras de tecido, lavá-las adequadamente após o uso. Máscaras descartáveis não devem ser reaproveitadas.
  • Manter distanciamento social de ao menos 1,5 m.
  • Higienizar frequentemente as mãos com água e sabão (por 20 segundos) ou álcool 70%.
  • Não tocar seus olhos, nariz e boca sem antes higienizar as mãos.
  • Evitar aglomerações.
  • Ao tossir ou espirrar, cobrir com um lenço de papel ou com a parte interna do cotovelo. Em seguida, lavar as mãos.
  • Manter os ambientes arejados e ventilados.
  • Pessoas com COVID-19 devem permanecer isoladas por dez dias ou mais, a critério médico.
  • Limpar e desinfetar superfícies tocadas com frequência, como mesas, maçanetas, interruptores, bancadas, puxadores, mesas, telefones, teclados, torneiras e pias. Caso estejam sujas, limpá-las com detergente ou sabão e água antes da desinfecção.
  • Usar luvas, reutilizáveis ou descartáveis, para a aplicação de produtos de limpeza e de desinfecção. Seguir as instruções do fabricante.

Para evitar transmissão, as pessoas com COVID-19 devem permanecer isoladas por 10 dias ou mais, a critério médico, idealmente desde o primeiro dia de sintomas sugestivos da doença. Se for preciso ter contato com outras pessoas, é necessário usar máscaras.

Caso seja viável, usar quartos e banheiros exclusivos (com portas fechadas) e bem ventilados (janelas abertas). Fazer as refeições em momentos diferentes dos demais presentes no local é uma boa estratégia.

FONTES CONSULTADAS

World Health Organization – WHO

https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019

Organização Pan-Americana da Saúde – OPAS

https://www.paho.org/en/topics/coronavirus-infections

Ministério da Saúde do Brasil, Programa Nacional de Imunizações (PNI) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

https://coronavirus.saude.gov.br/

BRASIL. Secretaria de Vigilância em Saúde/Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis/Coordenação-Geral do Programa Nacional de Imunizações. Informe Técnico: Campanha Nacional de Vacinação contra a Covid-19, Brasília, 19/01/2021.

BRASIL. Gerência de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde, Gerência Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Nota Técnica: Orientações para Serviços de Saúde: Medidas de prevenção e controle que devem ser adotadas durante a assistência aos casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). – 27.10.2020.

Centers for Disease Control and Prevention –CDC

https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-nCoV/index.html

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A vacinação é a forma mais eficaz e segura de se adquirir proteção contra uma doença infecciosa. A vacinação elimina ou reduz drasticamente o risco de adoecimento ou de manifestações graves, que podem levar à internação e até mesmo ao óbito. Por ano, a vacinação evita de dois a três milhões de mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por isso dizemos que:

  • a vacinação é tão importante para sua saúde quanto o consumo de uma dieta saudável e a prática de atividade física;
  • estar vacinado(a) pode significar a diferença entre estar vivo(a) e saudável ou gravemente enfermo(a) ou com sequelas deixadas por doenças imunopreveníveis;
  • as vacinas estão entre os produtos farmacêuticos mais seguros que existem.

Proteção

A proteção gerada pelas vacinas decorre da capacidade que elas têm de induzir nosso sistema de defesa a produzir imunidade, seja por meio da ação de células ou de anticorpos específicos.

No caso das vacinas contra a COVID-19 produzidas pelo Instituto Butantan/Sinovac (Coronavac) e pela Fiocruz/Universidade de Oxford/AstraZeneca a quantidade de anticorpos suficiente contra a doença é obtida por volta de 15 dias após a segunda dose.

Por que se vacinar contra a COVID-19?

  • Porque a vacinação é a única forma segura e eficaz de prevenir a COVID-19, de nos livrarmos da pandemia e recuperarmos o convívio social do qual tanto sentimos falta.
  • Porque as vacinas aprovadas para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são seguras e eficazes. Não há a menor possibilidade de você adquirir a COVID-19 por meio das vacinas. São vacinas inativadas, não replicantes.

Cuidados que devem permanecer após a vacinação

Ainda faltam dados para sabermos se as vacinas, além da proteção contra a doença provocada pelo novo coronavírus − especialmente sua forma grave −, também conseguem impedir a transmissão do vírus entre as pessoas. A ciência dará essa resposta em breve. Até lá, temos que manter todas as medidas de contenção do espalhamento do vírus: a higiene das mãos com água e sabão ou álcool em gel 70%, o uso regular e correto de máscara e o distanciamento físico.

Proteção coletiva

Estima-se que quando atingirmos 70 a 80% de cobertura vacinal na população brasileira (exceto a população infantil), conseguiremos obter a imunidade coletiva ou imunidade de rebanho. O prazo para alcançarmos essa meta depende do número de doses de vacinas disponíveis e do tempo que o país vai levar para vacinar toda a população-alvo.

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A pandemia de COVID-19 desencadeou uma corrida da ciência mundial por uma vacina. Calcula-se que até o fim de fevereiro de 2021, mais de 400 estavam em desenvolvimento. Cerca de 250 foram registradas na Organização Mundial da Saúde (OMS).

Diferentes tecnologias vêm sendo usadas nos projetos: das clássicas — como as vacinas de vírus inteiros inativados e atenuados, sub-unitárias proteicas, recombinantes — às novas plataformas, de ácidos nucleicos (DNA e mRNA) e vetores virais. O principal alvo dos imunizantes é a proteína S (spike), responsável pela ligação do vírus SARS-CoV-2 com as células humanas.

Destaca-se que as pesquisas prévias para a elaboração de vacinas contra outros coronavírus, o SARS-CoV (2002) e o MERS (2012), e os vultosos investimentos realizados por governos dos países desenvolvidos, organizações privadas e multilaterais e empresas farmacêuticas multinacionais foram determinantes para acelerar o processo.

Etapas de pesquisa

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Requisitos para aprovação

Em situações normais, exige-se que as vacinas tenham eficácia acima de 70%. No entanto, na medida em que a vacina é necessária para controlar uma pandemia que já matou milhões de pessoas, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu que uma vacina com proteção acima de 50% é aceitável, pois esse índice é suficiente para diminuir a circulação do vírus quando altas coberturas vacinais forem alcançadas. Devido à limitação inicial de doses, ainda levará algum tempo até que as vacinas cheguem à maior parte da população.

Segundo a OMS, para ter a o perfil ideal, uma vacina ideal deve:

  • Conferir proteção contra doença grave e moderada e, se possível, proteção esterilizante (impedir a infecção e transmissão).
  • Ter eficácia elevada e estimular a produção de altos títulos de anticorpos neutralizantes e imunidade celular.
  • Ser segura, com mínimos eventos adversos.
  • Induzir memória imunológica de longa duração.
  • Poder ser usada em todas as faixas etárias da população: crianças, adolescentes, adultos e idosos, além de gestantes e lactantes.
  • Conferir proteção, idealmente com dose única
  • Poder ser administrada por via oral ou nasal
  • Ser resistente a longos períodos em temperaturas de 2ºC a 8 ºC
  • Apresentar tecnologia com alto rendimento na produção
  • Apresentar tecnologia com baixo custo de produção para oferecer vacina de baixo custo

Plataforma tecnológicas

Vacinas de vírus inteiros inativados

As vacinas são feitas a partir do vírus SARS-CoV-2 inativado, ou seja, morto. A inativação é feita com o auxílio de substâncias químicas que destroem o material genético do vírus e, consequentemente, impedem a sua replicação, o que o torna incapaz de causar a doença. Esse processo, no entanto, mantém íntegra a cápsula do vírus, onde está a proteína S, responsável pela ligação e penetração em nossas células.

Uma vez no organismo, o vírus vacinal é percebido como um agente estranho e desencadeia a resposta do sistema imunológico. As primeiras células envolvidas nessa resposta (células apresentadoras de antígeno) “absorvem” o vírus, o destroem em seu interior e levam a proteína S para sua superfície.

Nesse momento, os chamados linfócitos T auxiliares entram em ação. Eles detectam a proteína, encaixam-se a ela e recrutam os linfócitos B, que produzirão os anticorpos específicos contra a proteína S. Os linfócitos B também são ativados pelo próprio vírus vacinal.

Como o sistema imune “aprendeu” a se defender da proteína S, em caso de contato com o vírus, e enquanto a imunidade durar, o organismo será capaz de neutralizar rapidamente o SARS-CoV-2

As vacinas de vírus inteiros inativados geralmente são seguras e imunogênicas, embora produzam menos títulos de anticorpos e induzem memória imunológica não duradoura.

Exemplos de vacinas

  • Instituto Butantan/Sinovac (Coronavac)
  • Sinopharm Beijing
  • Sinopharm Wuhan
  • Bharat Biotech (Covaxin)

Vacinas de vetores virais não replicantes

Para desenvolver este tipo de vacina, os pesquisadores inserem apenas o gene que codifica a produção de proteína S, responsável pela ligação do novo coronavírus com as nossas células, dentro de outro vírus que não causa doença nas pessoas, e este ainda é modificado para que seja incapaz de se replicar dentro do nosso organismo e causar alteração no genoma de nossas células. Esse vírus “carreador” do código genético que instrui a formação da proteína S é, portanto, apenas um vetor da informação genética para que as células humanas passem a fabricar a proteína S.

Após a vacinação e a entrada do vetor vacinal na célula humana, esse gene que codifica a proteína S é transformado em uma molécula chamada RNA mensageiro (mRNA), que contém instruções para a produção de proteínas S, o que ocorre fora do núcleo das nossas células, onde está o nosso genoma. Essas proteínas produzidas se fixam na superfície celular.

A partir desse momento, o sistema imunológico começa a atuar em diferentes “frentes”:

  • os chamados linfócitos T auxiliares detectam o agente estranho e recrutam os linfócitos B, que produzirão anticorpos específicos contra a proteína S;
  • os linfócitos B entram em contato diretamente com a proteína S da superfície das células “vacinadas” e produzem os anticorpos;
  • outro tipo de linfócitos T, chamados citotóxicos (ou assassinos), também são recrutados e destroem diretamente qualquer estrutura que exiba a proteína S.
  • as células “vacinadas”, ao morrerem, liberam fragmentos da proteína S que também são identificados pelo nosso sistema imune, desencadeando toda a resposta vacinal.

Enquanto a imunidade durar, caso a pessoa vacinada tenha contato com o vírus, o organismo será capaz de “lembrar” como fazer para neutralizar rapidamente o SARS-CoV-2.

Exemplos de vacinas

  • Fiocruz/Oxford/AstraZeneca — utiliza adenovírus de chimpanzé
  • CanSino — utiliza adenovírus humano 5 (Ad5)
  • Janssen/J&J — utiliza adenovírus humano 26 – (Ad26)
  • Instituto Gamaleya (Sputnik V) — utiliza dois adenovírus humanos distintos (Ad26 e Ad5) nas primeira e segunda doses, respectivamente.

Vacinas de RNA mensageiro (mRNA)

A tecnologia de vacinas de RNA mensageiro (mRNA) é investigada há muitos anos. Em laboratório, os cientistas desenvolvem o mRNA sintético, que ensinará ao nosso organismo a fabricar a proteína S do SARS-CoV-2, responsável pela ligação do vírus com as nossas células. Por ser muito instável, o mRNA é recoberto por uma capa de lipídios (tipo de gordura) que o protegerá da degradação. É essencial deixar claro que a molécula não contém outra informação, não é capaz de realizar qualquer outra tarefa e não penetra no núcleo de nossas células. Então, não consegue causar a COVID-19 ou qualquer alteração em nosso genoma.

Uma vez que a vacina é injetada e capturada pelas chamadas células apresentadoras de antígeno, a partir das “instruções” do mRNA são fabricadas as proteínas S do novo coronavírus que, então, são transportadas até a superfície da célula, onde os processos de defesa são desencadeados:

  • Os chamados linfócitos T auxiliares detectam a proteína estranha e recrutam os linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos;
  • Os linfócitos B entram em contato com a proteína S da superfície e produzem os anticorpos específicos contra ela, que neutralizarão o novo coronavírus;
  • Outras células de defesa chamadas linfócitos T citotóxicos (ou assassinos) reconhecem e destroem diretamente qualquer estrutura que exiba a proteína S em sua superfície;
  • Quando a célula que absorveu o mRNA morre, a proteína S e seus fragmentos liberados podem ser identificados pelo nosso sistema de defesa que também desencadeia todo o processo.

Essa tecnologia permite a produção de volumes importantes de vacinas, mas exige, em geral, temperaturas muito baixas para conservação.

Exemplos de vacinas

  • Moderna/NIH
  • Pfizer/BioNTec
  • CureVac

Vacinas proteicas – sub-unitárias, recombinantes ou de partículas semelhantes ao vírus (VLP)

São baseadas em fragmentos do vírus, como a proteína S (spike), responsável pela ligação do SARS-CoV-2 com as nossas células. Essas partículas são percebidas como agentes estranhos e desencadeiam a resposta do sistema imunológico:

  • As células apresentadoras de antígeno “absorvem” a substância, a destroem em seu interior e levam até a superfície
  • Os chamados linfócitos T auxiliares detectam a proteína estranha e recrutam os linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos;
  • Os linfócitos B entram em contato com as proteínas do vírus e produzem os anticorpos específicos contra elas, que neutralizarão o novo coronavírus;
  • Outras células de defesa chamadas linfócitos T citotóxicos (ou assassinos) reconhecem e destroem diretamente qualquer estrutura que exiba as partículas virais envolvidas;

Exemplos de vacinas

  • Novavax — utiliza a proteína S, com adjuvante Matrix-M1™
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Índice

Fiocruz/Universidade de Oxford/AstraZeneca

O que previne:

A COVID-19, doença causada pelo vírus SARS-CoV-2.

Dados sobre eficácia (Brasil, Reino Unido e África do Sul):

  • Geral: 70,42% (IC 95: 54,84-80,63%)
  • Duas doses plenas: 62,10% (IC95,84%:39,96%-76,08%)
  • Meia dose + dose plena: 90,05% (IC95,84%:65,84%-97,10%)
  • Não há informações suficientes para afirmar que a vacina é capaz de prevenir a infecção e a transmissão.
  • Também não se sabe se imunocomprometidos, incluindo sob vigência de tratamento imunossupressor, desenvolverão a mesma resposta à vacina que indivíduos imunocompetentes.

Do que é feita:

A vacina contém partículas virais do vetor adenovírus recombinante de chimpanzé, deficiente para replicação (ChAdOx1), que expressa a glicoproteína SARS-CoV-2 Spike (S), além dos excipientes: L-Histidina, cloridrato de L-histidina monoidratado, cloreto de magnésio hexaidratado, polissorbato 80, etanol, sacarose, cloreto de sódio, edetato dissódico di-hidratado (EDTA) e água para injetáveis. Este produto contém organismos geneticamente modificados (OGMs).

Indicação:

Vacina para uso em homens e mulheres a partir de 18 anos.

Em um primeiro momento, diante de escassez de vacinas e da necessidade de minimizar os impactos da pandemia, o PNI definiu os grupos de riscos a serem vacinados.

Para informações detalhadas sobre o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19 e os grupos contemplados pelo Ministério da Saúde, clique aqui.

Contraindicação:

  • Alergia a qualquer um dos componentes presentes na vacina.
  • História de anafilaxia após dose anterior da vacina.
  • Pessoas que apresentaram trombose venosa ou arterial maior associadas à plaquetopenia após receberem a primeira dose.

Precauções para a vacinação:

  • Gravidez e lactação: A vacinação com a vacina COVID-19 (recombinante) não é recomendada durante a gravidez e a amamentação, pois os dados são insuficientes para fundamentar um risco associado com a vacina. No entanto, diante da situação epidemiológica, é necessário avaliar se os benefícios da vacinação superam os riscos potenciais. A decisão deve ser compartilhada entre a paciente e o médico.

Esquema de doses:

Duas doses de 0,5 ml, com intervalo entre 4 e 12 semanas.

A orientação é a de que o esquema vacinal seja continuado sempre com o mesmo fabricante.

Via de aplicação:

Intramuscular, no músculo deltoide.

Cuidados antes, durante e após a vacinação:

  • Antes da vacinação, é preciso questionar a mulher sobre a possibilidade de gravidez. A decisão de vacinar a gravida deve ser compartilhada entre o seu médico e a gestante.
  • A vacinação deve ser postergada na presença de enfermidade febril aguda grave.
  • Quadros infecciosos mais leves como um resfriado e/ou febre de baixo grau não devem retardar a vacinação.
  • Também é preciso saber sobre história de covid-19 nos últimos 30 dias.
  • Compressas frias são indicadas para aliviar a reação no local da aplicação.
  • Se necessário, analgésicos e/ou antipiréticos (por exemplo, produtos contendo paracetamol) podem ser usados para minimizar o desconforto.
  • Qualquer evento adverso após a vacinação (EAPV), independentemente da gravidade, deve ser notificado.
  • Sintomas de eventos adversos graves ou persistentes, que se prolongam por mais de 24 a 72 horas (dependendo do sintoma), devem ser investigados para verificação de outras causas.
  • É recomendando um intervalo de 14 dias entre a administração da vacina COVID-19 e qualquer outra vacina, inclusive a de gripe.

Efeitos e eventos adversos:

Os eventos adversos mais comuns foram sensibilidade no local da injeção (> 60%); dor no local da injeção, cefaleia, fadiga (> 50%); mialgia e mal-estar (> 40%); estado febril, calafrios (> 30%); e artralgia, náusea (> 20%). A maioria das reações adversas foi de intensidade leve a moderada e usualmente resolvida dentro de poucos dias após a vacinação. Os eventos foram mais leves e menos comuns em idosos (idade igual ou acima 65 anos). Da mesma forma, frequência e a intensidade dos eventos foram menores na segunda dose.

Raros casos de eventos adversos com formação de trombo foram reportados na literatura mundial, mas o perfil de risco benefício da vacina é ainda favorável. No Brasil, a taxa foi de 0,89 evento tromboembólico para cada 100.000 doses aplicadas, taxa inferior à esperada para a população em geral. Não há, até o momento, evidências de que a vacina aumente o risco para esses eventos ou comprovação de relação causal com a vacinação.

De todo modo, os profissionais de saúde devem ficar atentos a sinais e sintomas de trombose ou tromboembolismo associados a plaquetopenia, para tratá-los de acordo com as recomendações disponíveis. Além disso, o vacinado deve ser informado sobre os sinais e sintomas que indicam a necessidade de atendimento médico imediato. São eles: dispneia, dor torácica, edema de membro inferior, dor abdominal persistente, cefaleia intensa e persistente, turvação visual e petéquias fora do local da vacinação.

Atenção: Por precaução, indivíduos que apresentaram trombose venosa ou arterial maior associadas à plaquetopenia após receberam a vacina COVID-19 Fiocruz/Oxford/AstraZeneca devem interromper a vacinação até que novas evidências indiquem a melhor conduta nesses casos.

Onde pode ser encontrada:

  • Nos locais definidos pelas secretarias municipais de saúde, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS); equipes volantes em hospitais e instituições de longa permanência; drive-throughs; entre outros e de acordo com cronograma local.

Observação: até o momento não há previsão da disponibilidade desta vacina no setor privado no Brasil.

Voltar para índice

Instituto Butantan/Sinovac (CoronaVac)

O que previne:

A COVID-19, doença causada pelo vírus SARS-CoV-2.

Dados sobre eficácia (Brasil)

  • Geral: 50,39% (IC95:35,26-61,98%)
  • Formas leves (sem necessidade de assistência médica*): 77,96% (IC95:46,15-90,44%)
  • Formas moderadas ou graves (exigem hospitalização**): não houve nenhum caso durante o estudo, mas os dados ainda não têm significância estatística (p=0,4967).
  • Não há informações suficientes para afirmar que a vacina é capaz de prevenir a infecção e a transmissão.

*Categoria 3 da Organização Mundial da Saúde (OMS)
**Categorias 4 a 6 da OMS

Do que é feita:

Trata-se de uma vacina de vírus inteiro inativado, portanto não é capaz de causar a doença.  É composta pelo antígeno do vírus inativado SARS-CoV-2 e excipientes, como hidróxido de alumínio, hidrogenofosfato dissódico, di-hidrogenofosfato de sódio, cloreto de sódio, água para injetáveis e hidróxido de sódio.

Indicação:

Vacina para uso em homens e mulheres a partir de 18 anos.

Em um primeiro momento, diante de escassez de vacinas e da necessidade de minimizar os impactos da pandemia, o PNI definiu os grupos de riscos a serem vacinados.

Para informações detalhadas sobre o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19 e os grupos contemplados, clique aqui.

Contraindicação:

  • Alergia a qualquer um dos componentes presentes na vacina.
  • História de anafilaxia após dose anterior

Grupos com precaução para a vacinação:

  • Gestantes: a segurança e eficácia das vacinas não foram avaliadas em grávidas, mas estudos em animais não demonstraram risco de malformações. A vacinação de gestantes pertencentes a grupos prioritários pode ser realizada após criteriosa avaliação médica dos riscos e benefícios. A decisão deve ser compartilhada entre a paciente e o profissional.

No caso de vacinação inadvertida, a grávida deve ser tranquilizada, informada sobre a baixa probabilidade de risco e encaminhada para o acompanhamento pré-natal de rotina. É necessário notificar a ocorrência como erro de imunização no sistema e-SUS Notifica, para fins de controle e monitoramento de ocorrência de eventos adversos.

Eventos adversos que porventura aconteçam com a gestante após a vacinação devem ser notificados, assim como quaisquer eventos adversos com o feto ou com o recém-nascido até 6 meses após o nascimento. Puérperas e lactantes pertencentes aos grupos prioritários devem ser vacinadas normalmente com qualquer uma das vacinas.

  • Pacientes que usam imunoglobulina humana devem ser vacinados com pelo menos um mês de intervalo.
  • Assim como ocorre com outras aplicações intramusculares, deve haver cautela na aplicação da vacina em pessoas com trombocitopenia, coagulopatias ou em vigência de terapia anticoagulante, uma vez que nesses indivíduos pode ocorrer sangramento e hematoma após a administração.
  • Pessoas que já tiveram COVID-19 devem ser vacinadas desde que estejam restabelecidas e tenham se passado pelo menos quatro semanas do início dos sintomas ou do resultado positivo no exame RT-PCR.
  • Imunossuprimidos: como toda vacina inativada, a CoronaVac é geralmente utilizada com segurança em pessoas imunossuprimidas, inclusive em tratamento de câncer. Ainda assim, a decisão de vacinar deve ser individualizada, compartilhada entre o paciente e o(a) médico(a) que o acompanha.

Esquemas de doses:

Duas doses, com intervalo de duas a quatro semanas.

A orientação é a de que o esquema vacinal seja continuado sempre com o mesmo fabricante.

Via de aplicação:

Intramuscular, na região deltoide.

Cuidados antes, durante e após a vacinação:

  • Antes da vacinação é preciso questionar a mulher sobre a possibilidade de gravidez. A decisão de vacinar a grávida deve ser compartilhada entre o médico e a gestante.
  • Verificar histórico de COVID-19. Se houver, é necessário aguardar o completo restabelecimento e no mínimo quatro semanas após o início dos sintomas (ou do primeiro resultado positivo no exame de RT-PCR).
  • Em caso de febre, deve-se adiar a vacinação até que ocorra a melhora.
  • Compressas frias podem ser usadas para aliviar eventuais reações no local da aplicação.
  • Qualquer evento adverso após a vacinação (EAPV), independentemente da gravidade, deve ser notificado.
  • Sintomas de eventos adversos graves ou persistentes, que se prolongam por mais de 24 a 72 horas (dependendo do sintoma), devem ser investigados para verificação de outras causas.
  • É recomendando um intervalo de 14 dias entre a administração da vacina COVID-19 e qualquer outra vacina, inclusive a de gripe.

Efeitos e eventos adversos:

Os estudos demonstraram que a vacina tem um bom perfil de segurança. A frequência geral de ocorrências de eventos adversos solicitados (locais e sistêmicos) até sete dias após a segunda dose foi de 50,8% nos adultos de 18 a 59 anos e de 36,4% nos idosos – maiores de 60 anos.

A reação mais comum observada nos dois grupos foi dor no local da aplicação, que ocorreu em 40,1% dos adultos e 27,8% dos idosos. Outros eventos adversos muito comuns e comuns foram cefaleia, fadiga, febre, mialgia, calafrios, anorexia, diarreia, náusea, tosse, artralgia, prurido, rinorreia e congestão nasal, além de eventos locais como prurido, eritema e edema.

Não ocorreu nenhum evento adverso grave.

Onde pode ser encontrada:

  • Nos locais definidos pelas secretarias municipais de saúde, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS); equipes volantes em hospitais e instituições de longa permanência; drive-throughs; entre outros, de acordo com cronograma local.

Observação: até o momento não há previsão da disponibilidade desta vacina no setor privado no Brasil

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Janssen Pharmaceuticals/Johnson & Johnson (Ad26.COV2.S)

O que previne:

A COVID-19, doença causada pelo vírus SARS-CoV-2. 

Dados sobre eficácia:

  • Casos moderados e graves: 66% (América Latina); (72%) Estados Unidos; 57% (África do Sul).
  • Casos graves: 85%
  • O tempo de duração da proteção e a capacidade de prevenir a transmissão ainda são desconhecidos.

Do que é feita:

A vacina utiliza a plataforma de vetores virais não replicantes, a mesma da vacina Fiocruz/Oxford/AstraZeneca. Nela, os pesquisadores inserem apenas o gene que codifica a produção de proteína S, responsável pela ligação do novo coronavírus (SARS-COV-2) com as nossas células, dentro de outro vírus que não causa doença nas pessoas, e este ainda é modificado para que seja incapaz de se replicar dentro do nosso organismo e causar alteração no genoma de nossas células.

Esse vírus “carreador” do código genético que instrui a formação da proteína S é, portanto, apenas um vetor da informação genética para que as células humanas passem a fabricar a proteína S.

Após a vacinação e a entrada do vetor vacinal na célula humana, esse gene que codifica a proteína S é transformado em uma molécula chamada RNA mensageiro (mRNA), que contém instruções para a produção de proteínas S, o que ocorre fora do núcleo das nossas células, onde está o nosso genoma. Essas proteínas produzidas se fixam na superfície celular.

A partir desse momento, o sistema imunológico começa a atuar em diferentes “frentes”:

  • os chamados linfócitos T auxiliares detectam o agente estranho e recrutam os linfócitos B, que produzirão anticorpos específicos contra a proteína S;
  • os linfócitos B entram em contato diretamente com a proteína S da superfície das células “vacinadas” e produzem os anticorpos;
  • outro tipo de linfócitos T, chamados citotóxicos (ou assassinos), também são recrutados e destroem diretamente qualquer estrutura que exiba a proteína S.
  • as células “vacinadas”, ao morrerem, liberam fragmentos da proteína S que também são identificados pelo nosso sistema imune, desencadeando toda a resposta vacinal.

Enquanto a imunidade durar e a pessoa vacinada tenha contato com o vírus, o organismo será capaz de “lembrar” como fazer para neutralizar rapidamente o SARS-CoV-2.

Indicação:

Pessoas a partir de 18 anos.

Em um primeiro momento, diante de escassez de vacinas e da necessidade de minimizar os impactos da pandemia, o PNI definiu os grupos de riscos a serem vacinados.

Para informações detalhadas sobre o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19 e os grupos contemplados pelo Ministério da Saúde, clique aqui.

Contraindicação:

  • Alergia a qualquer um dos componentes presentes na vacina.
  • História de anafilaxia após dose anterior da vacina

Precauções para a vacinação:

  • Gestantes e lactantes: não há resultados de estudos com estes grupos até o momento. No entanto, diante da situação epidemiológica da COVID-19, é necessário avaliar se os benefícios da vacinação superam os riscos potenciais. A decisão deve ser compartilhada entre a paciente e o médico. É importante ressaltar que a vacina não tem capacidade para causar COVID-19.
  • Diante da pandemia, qualquer vacinação deve ser postergada na presença de quadros respiratórios, febris ou não, independente da intensidade, até que se passem 14 dias do fim dos sintomas.
  • Verificar histórico de COVID-19. Se houver, é necessário aguardar o completo restabelecimento e no mínimo quatro semanas após o início dos sintomas (ou do primeiro resultado positivo no exame de RT-PCR).

Esquema de doses:

Dose única, de 0,5 ml.

Via de aplicação:

Intramuscular, no músculo deltoide.

Cuidados antes, durante e após a vacinação:

  • Antes da vacinação, é preciso questionar a mulher sobre a possibilidade de gravidez. A decisão de vacinar a gravida deve ser compartilhada entre o médico e a gestante.
  • Diante da pandemia, qualquer vacinação deve ser postergada na presença de quadros respiratórios, febris ou não, independente da intensidade, até que se passem 14 dias do fim dos sintomas.
  • Verificar histórico de COVID-19. Se houver, é necessário aguardar o completo restabelecimento e no mínimo quatro semanas após o início dos sintomas (ou do primeiro resultado positivo no exame de RT-PCR).
  • Compressas frias são indicadas para aliviar a reação no local da aplicação.
  • Se necessário, analgésicos e/ou antipiréticos (por exemplo, produtos contendo paracetamol) podem ser usados para minimizar o desconforto.
  • Qualquer evento adverso pós-vacinação (EAPV), independentemente da gravidade, deve ser notificado.
  • Sintomas de eventos adversos graves ou persistentes, que se prolongam por mais de 24 a 72 horas (dependendo do sintoma), devem ser investigados para verificação de outras causas.
  • É recomendando um intervalo de 14 dias entre a administração da vacina COVID-19 e qualquer outra vacina, inclusive a de gripe.

Efeitos e eventos adversos:

  • O perfil de segurança da vacina foi considerado aceitável, com base nos dados de curto prazo disponíveis. As reações observadas foram locais e sistêmicas, leves e moderadas, transitórias, autolimitadas e bem toleradas. Houve relatos de febre baixa em 9% dos vacinados e de febre alta em 0,2%. A reatogenicidade foi menor em adultos a partir de 65 anos.
  • Raros casos de eventos adversos com formação de trombo e plaquetopenia foram reportados. Uma possível explicação deste fenômeno seria uma resposta imunológica semelhante ao quadro conhecido como HIT (trombocitopenia induzida pela heparina). O perfil de risco-benefício da vacina ainda é favorável, mas diversos países da Europa passaram a não recomendar esta vacina para mulheres abaixo de 55 ou 60 anos, dependendo do país.  A situação continuará a ser monitorada.

Conservação:

Deve ser conservada entre -25ºC e -15ºC por até 24 meses a partir da data de fabricação. Estudos demonstraram que é possível armazenamento por até três meses em temperaturas de 2ºC a 8ºC. Após aberta, a vacina pode ser usada em até seis horas, desde que refrigerada entre 2ºC e 8ºC. Não deve ser congelada ou exposta à luz.

Onde pode ser encontrada:

  • Apesar de aprovada para uso emergencial no Brasil, a expectativa é a de que a vacina comece a ser usada em outubro.
  • Quando disponível, será oferecida nos locais definidos pelas secretarias municipais de saúde, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS); equipes volantes em hospitais e instituições de longa permanência; drive-thrus; entre outros e de acordo com cronograma local.

Observação: até o momento não há previsão da disponibilidade desta vacina no setor privado no Brasil.

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Pfizer/BioNTech (COMIRNATY)

O que previne:

A COVID-19, doença causada pelo vírus SARS-CoV-2. 

Dados sobre eficácia

  • Geral: 95%
  • O tempo de duração da proteção e a capacidade de prevenir a transmissão ainda são desconhecidos.

Do que é feita:

A vacina utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) sintético, que “ensina” o nosso organismo a fabricar a proteína S do SARS-CoV-2, responsável pela ligação do vírus com as nossas células. Por ser muito instável, o mRNA é recoberto por uma capa de lipídios (tipo de gordura) que o protege. A molécula não contém outra informação, não é capaz de realizar qualquer outra tarefa e não penetra no núcleo de nossas células. Dessa forma, não consegue causar a COVID-19 ou qualquer alteração em nosso genoma.

Uma vez que a vacina é injetada e capturada pelas células apresentadoras de antígeno, a partir das “instruções” do mRNA são fabricadas as proteínas S do novo coronavírus que, então, são transportadas até a superfície da célula, onde os processos de defesa são desencadeados:

  • os chamados linfócitos T auxiliares detectam a proteína estranha e recrutam os linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos;
  • os linfócitos B entram em contato com a proteína S da superfície e produzem os anticorpos específicos contra ela, que neutralizarão o novo coronavírus (SARS-CoV-2);
  • outras células de defesa chamadas linfócitos T citotóxicos (ou assassinos) reconhecem e destroem diretamente qualquer estrutura que exiba a proteína S em sua superfície;
  • quando a célula que absorveu o mRNA morre, a proteína S e seus fragmentos liberados podem ser identificados pelo nosso sistema de defesa que também desencadeia todo o processo.

Indicação:

Vacina para uso em homens e mulheres a partir de 16 anos. Recentemente, foi solicitada ao FDA — órgão regulatório dos Estados Unidos — autorização para uso em adolescentes acima de 12 anos baseado em um estudo com 2260 indivíduos que demonstrou excelente resposta neste grupo etário. Aguarda-se esta liberação em breve

Em um primeiro momento, diante de escassez de vacinas e da necessidade de minimizar os impactos da pandemia, o PNI definiu os grupos de riscos a serem vacinados.

Para informações detalhadas sobre o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19 e os grupos contemplados, clique aqui.

Contraindicação:

  • Alergia a qualquer um dos componentes presentes na vacina.
  • Histórico de anafilaxia após dose anterior

Precauções para a vacinação:

  • Histórico de anafilaxia ou problemas respiratórios após vacinação com qualquer vacina.
  • Histórico de síncope (desmaio) após injeção.
  • Diante da pandemia, qualquer vacinação deve ser postergada na presença de quadros respiratórios, febris ou não, independente da intensidade, até que se passem 14 dias do fim dos sintomas.
  • Verificar histórico de COVID-19. Se houver, é necessário aguardar o completo restabelecimento e no mínimo quatro semanas após o início dos sintomas (ou do primeiro resultado positivo no exame de RT-PCR).
  • Assim como ocorre com outras aplicações intramusculares, deve haver cautela na aplicação da vacina em pessoas com trombocitopenia, coagulopatias ou em vigência de terapia anticoagulante, uma vez que nesses indivíduos pode ocorrer sangramento e hematoma após a administração.

Esquemas de doses:

Duas doses. O Ministério da Saúde, baseado em experiência bem-sucedida no Reino Unido, adotou o intervalo de 12 semanas entre elas.

A orientação é a de que o esquema vacinal seja continuado sempre com o mesmo fabricante.

Via de aplicação:

Intramuscular, na região deltoide.

Conservação:

A vacina pode ser armazenada em temperaturas entre -90º C a -60º C por até 6 meses. Para possibilitar o transporte aos diferentes países ou locais de aplicação, a fabricante desenvolveu uma embalagem que permite acondicionar a vacina por até 30 dias, com auxílio de gelo seco, desde que a manutenção correta seja realizada. Em refrigerador comum, entre 2º C e 8º C, a vacina pode ser usada em até 5 dias.

O Food and Drug Administration (FDA) — órgão regulatório dos Estados Unidos — aprovou, a partir de informações sobre estabilidade enviadas pelo fabricante, o armazenamento dos frascos entre -25ºC e -15 ºC por até duas semanas. A temperatura permite maior flexibilidade no gerenciamento da distribuição e administração da vacina, uma vez que freezers e refrigeradores farmacêuticos conseguem atingi-la.

Cuidados antes, durante e após a vacinação:

  • Antes da vacinação é preciso questionar a mulher sobre a possibilidade de gravidez. A decisão de vacinar a grávida deve ser compartilhada entre o médico e a gestante.
  • Verificar histórico de COVID-19. Se houver, é necessário aguardar o completo restabelecimento e no mínimo quatro semanas após o início dos sintomas (ou do primeiro resultado positivo no exame de RT-PCR).
  • Diante da pandemia, qualquer vacinação deve ser postergada na presença de quadros respiratórios, febris ou não, independente da intensidade, até que se passem 14 dias do fim dos sintomas.
  • Compressas frias podem ser usadas para aliviar eventuais reações no local da aplicação.
  • Qualquer evento adverso após a vacinação (EAPV), independentemente da gravidade, deve ser notificado.
  • Sintomas de eventos adversos graves ou persistentes, que se prolongam por mais de 24 a 72 horas (dependendo do sintoma), devem ser investigados para verificação de outras causas.
  • É recomendando um intervalo de 14 dias entre a administração das vacinas COVID-19 e qualquer outra vacina, inclusive a de gripe.

Efeitos e eventos adversos:

  • Reações muito comuns (ocorrem em 10% dos vacinados): dor e inchaço no local de injeção, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações, calafrios e febre.
  • Reações comuns (ocorrem entre 1% e 10% dos vacinados): vermelhidão no local de injeção e náusea.
  • Reações incomuns (ocorrem entre 0,1% e 1% dos vacinados): aumento dos gânglios linfáticos (ou ínguas), sensação de mal-estar, dor nos membros, insônia e prurido no local de injeção.
  • Reação rara (ocorre entre 0,01% e 0,1% dos vacinados): paralisa facial aguda.
  • Desconhecida (não pode ser estimado a partir dos dados disponíveis): reação alérgica grave (anafilaxia), hipersensibilidade, diarreia, vômito e dor nas extremidades (braço).

Onde pode ser encontrada:

  • Nos locais definidos pelas secretarias municipais de saúde.

Observação: até o momento não há previsão da disponibilidade desta vacina no setor privado no Brasil.

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VacinAção pela Vida - COVID-19. Assista aos vídeos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém em seu portal uma seção com dados sobre todas as vacinas COVID-19 já aprovadas e em desenvolvimento. Na página, é possível acessar informações como plataforma tecnológica, fabricante, número de doses, esquema vacinal e via de administração. Além disso, há links para os protocolos dos testes clínicos e para os estudos já publicados em periódicos científicos.

O conteúdo, em inglês, é atualizado a cada 15 dias. Acesse aqui.

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VacinAção pela Vida - COVID-19. Assista aos vídeos.

O texto a seguir é um resumo das diretrizes da ação. A íntegra e outros informes técnicos podem ser acessados em https://sbim.org.br/informes-e-notas-tecnicas/outras-entidades.

Objetivos do Plano

  • Estabelecer as ações e estratégias para a operacionalização da vacinação contra a COVID-19 no Brasil
  • Definir a população-alvo e os grupos prioritários
  • Otimizar os recursos existentes por meio de planejamento e programação oportunos para operacionalização da vacinação nas três esferas de gestão
  • Instrumentalizar estados e municípios para vacinação contra a covid-19

Grupos prioritários

Considerando a transmissibilidade da COVID-19 (R0 entre 2,5 e 3), cerca de 60 a 70% da população precisaria estar vacinada para interromper a circulação do vírus. Até o momento, no entanto, o mercado mundial não dispõe de vacinas suficientes para esses índices serem alcançados.

O plano de vacinação desenvolvido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) em cooperação com o comitê de especialistas da Câmara Técnica foi baseado em princípios similares aos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e em considerações sobre a viabilização operacional das ações.

Diante do cenário, inicialmente, a vacinação tem como focos:

  • A redução da morbimortalidade causada pelo novo coronavírus com a imunização de indivíduos com maior risco de desenvolvimento de formas graves e óbitos por COVID-19, bem como aqueles em situação de vulnerabilidade
  • A manutenção do funcionamento da força de trabalho dos serviços de saúde
  • A manutenção do funcionamento dos serviços essenciais

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Fonte: Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a COVID-19 – 4ª Edição – Brasília - DF |15/02/2021

 

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Fonte: Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a COVID-19 – 4ª Edição – Brasília - DF |15/02/2021

Observações

  • O plano apresenta diretrizes gerais da campanha. Especificidades e alterações em função da disponibilidade de vacinas serão divulgadas oportunamente em Informes Técnicos do PNI.
  • A organização dos públicos-alvo de cada fase é responsabilidade das prefeituras. Para saber quando e onde se vacinar, consulte as informações do seu município.

As vacinas

Diante da necessidade das vacinas como medida adicional na prevenção da COVID-19, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso emergencial das seguintes vacinas, já incorporadas à campanha:

  • Instituto Butantan (IB) Coronavac - Vacina adsorvida COVID-19 (Inativada) Fabricante: Sinovac Life Sciences Co., Ltd. Parceria: IB/ Sinovac. Processo: 25351.900460/2021-13
  • Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) - INSTITUTO DE TECNOLOGIA EM IMUNOBIOLÓGICOS - Bio-Manguinhos Covishiled - Vacina covid-19 (recombinante) Fabricante: Serum Institute of India Pvt. Ltd. Parceria: Fiocruz/ Astrazeneca. Processo: 25351.900503/2021-61

A Anvisa concedeu o registro definitivo para a vacina produzida pela Pfizer/BioNtech. O imunobiológico, entretanto, ainda não foi comprado pelo país. Saiba mais sobre vacinas COVID-19.

Farmacovigilância

A vigilância de eventos adversos é obrigatória para qualquer vacina ou medicamento, pois permite identificar e investigar qualquer ocorrência inesperada.

Saiba mais na seção Boas Prática em vacinas COVID-19.

Registro da vacinação

O registro da dose aplicada será nominal e individualizado. Essa modalidade garante o reconhecimento dos vacinados por meio do número do CPF ou do Cartão Nacional de Saúde (CNS), a fim de possibilitar evitar duplicidade de vacinação e identificar/monitorar a investigação de possíveis EAPV.

Saiba mais na seção Boas Prática em vacinas COVID-19.

Rede de frio

A Rede de Frio Nacional organiza-se nas três esferas de gestão, viabilizando a adequada logística de aproximadamente 300 milhões de doses dos 47 imunobiológicos distribuídos anualmente pelo PNI, para garantia de vacinação em todo o território nacional.

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O PNI

Criado em 18 de setembro de 1973, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) é responsável por estabelecer a política nacional de imunizações. Tem como missão reduzir a morbimortalidade por doenças imunopreveníveis, a partir do fortalecimento de ações integradas de vigilância para promoção, proteção e prevenção em saúde.

Reconhecido no Brasil e no exterior, o PNI é um dos maiores programas de imunização do mundo — atende a aproximadamente 211,8 milhões de pessoas. Trata-se de um patrimônio do estado brasileiro, mantido pelo comprometimento e dedicação de profissionais da saúde, gestores e de toda a população. A ampla expertise acumulada ao longo de décadas habilita o PNI a promover a vacinação contra a COVID-19.

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VacinAção pela Vida - COVID-19. Assista aos vídeos.

Armazenamento, conservação e manuseio de vacinas COVID-19

  • É responsabilidade da equipe de enfermagem da sala de vacinação garantir a qualidade do imunobiológico e manter a cadeia de frio. Essa responsabilidade é compartilhada entre fabricantes e distribuidores.
  • A quebra na cadeia de frio pode exigir a aplicação de doses extras, o que aumenta os custos para os serviços de saúde e compromete a confiança da população nas vacinas.
  • Mais importante: os pacientes que recusam a revacinação podem continuar suscetíveis a doenças graves que poderiam ser evitadas pela vacina.
  • As práticas adequadas de armazenamento e manuseio da vacina têm um papel muito importante na proteção de indivíduos e comunidades contra a COVID-19.
  • O armazenamento e o manuseio incorretos podem reduzir a potência da vacina, resultando em respostas imunológicas inadequadas e proteção insuficiente contra a doença.
  • As condições necessárias para a conservação das vacinas podem variar de acordo com o produto. Clique para saber mais.

Equipamentos de proteção pessoal (EPIs)

A pandemia de COVID-19 ressalta a importância da implementação de práticas de prevenção de infecções, incluindo distanciamento físico, higiene respiratória e das mãos, descontaminação de superfície e controle de fonte (no caso de unidades de saúde).

Os profissionais devem ter acesso aos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) antes de administrar as vacinas. O uso correto, além de protegê-los, aumenta a segurança das pessoas que serão vacinadas;

EPI obrigatórios durante a rotina de vacinação

  • Máscara cirúrgica: obrigatória para os profissionais de saúde durante todo o período de vacinação. A troca deve ser feita sempre que estiver suja ou úmida.

EPI recomendados pelo Ministério da saúde para a vacinação contra a COVID-19

  • Proteção ocular: Proteção facial (faceshield) ou óculos de proteção;
  • Avental descartável para uso diário ou avental de tecido higienizado diariamente.
  • Pacientes e outras pessoas que acessarem o local de vacinação devem usar máscaras descartáveis ou de tecido durante todo o período de permanência.

EPI com possibilidade de uso eventual (somente para situações específicas)

Luvas: Não estão indicadas na rotina. Recomenda-se para vacinadores com lesões abertas nas mãos ou nas raras situações em que pode haver contato com fluidos corporais do paciente. Os profissionais devem retirar as luvas, higienizar as mãos e colocar um novo par a cada atendimento.

As luvas não evitam ferimentos com agulhas. Qualquer ferimento por picada de agulha deve ser relatado imediatamente ao supervisor do local, com os devidos cuidados e acompanhamento de acordo com as diretrizes estaduais e locais.

Informações gerais sobre administração de vacinas

Administração segura

Cuidados a serem observados pelo vacinador:

  • Paciente certo: confirmar o nome do paciente para evitar a aplicação em pessoa errada;
  • Vacina certa: conferir, ao menos em três momentos distintos do processo de vacinação, qual vacina deve ser preparada para administração;
  • Momento certo: analisar cuidadosamente os históricos de saúde e vacinal — caso o paciente esteja com a carteira de vacinação — para ter certeza de que é o momento correto para administrar a vacina.
  • Dose certa: administrar a dose correta. O cuidado deve ser redobrado quando a apresentação da vacina for multidose.
  • Preparo e administração certos: preparar a vacina de acordo com sua apresentação. Utilizar a agulha e a seringa correta e escolher a melhor via e área para a aplicação da vacina. No caso das vacinas COVID-19, intramuscular, no deltoide.
  • Orientações certas: fornece orientações de acordo com a vacina administrada.
  • Registro certo: No comprovante de vacinação e no sistema de informação, incluir nome da vacina, lote, tipo de dose, data de aplicação, unidade de saúde onde foi administrada, nome do vacinador e assinatura.

Triagem

O profissional deve avaliar o histórico de saúde do paciente e possíveis contraindicações/precauções. O procedimento deve ser feito mesmo em indivíduos que já receberam a primeira dose, uma vez que as condições podem ter mudado.

Para avaliar os pacientes de forma correta e consistente, os profissionais de saúde devem usar uma ferramenta de triagem abrangente e padronizada. Confira um exemplo.

* Importante: Pacientes podem ter dúvidas ou preocupações sobre a vacinação. Os profissionais de saúde precisam estar preparados para responder.

Intercambialidade

Os esquemas de vacinação devem ser completados com a mesma vacina. No caso de pessoas vacinadas de maneira inadvertida com duas vacinas diferentes, a orientação do Ministério da Saúde (MS) é informar no “e-SUS Notifica” que houve erro de notificação e acompanhar possíveis eventos adversos e episódios de falha vacinal. Isso porque ainda não há dados bem estabelecidos sobre a segurança ou eficácia em situação de intercambialidade.

O MS também esclarece que “estes indivíduos não poderão ser considerados devidamente imunizados”, mas que, no momento atual, “não é recomendada a administração de doses adicionais de vacinas Covid-19.”

O MS poderá atualizar essa e outras recomendações por meio de “Informes Técnicos” que têm sido divulgados periodicamente. Fique atento.

Coadministração com outras vacinas

Dada a falta de dados sobre a segurança e eficácia da aplicação simultânea da vacina COVID-19 com outras vacinas, deve-se respeitar um intervalo mínimo de 14 dias antes ou após a administração de outras vacina.

Caso o período não seja observado, o profissional deverá reportar o corrido como erro em imunização por meio do sistema e-SUS Notifica como erro em imunização pelo sistema e-SUS.

Após a vacinação

Registro de vacinação

Sempre deve ser entregue um comprovante de vacinação que inclua o registro da vacina realizada com:

  • o nome da vacina administrada;
  • o lote da vacina administrada;
  • a data da administração;
  • a data da próxima dose, quando aplicável.

Orientações sobre eventos adversos

A pessoa vacinada pode apresentar alguns eventos adversos, normais diante do processo de construção de imunidade. Essas ocorrências podem afetar a capacidade de realizar as atividades diárias, mas costumam desaparecer em alguns dias. Os mais esperados são:

  • Locais: dor e inchaço no local da injeção.
  • Sistêmicos: fadiga, febre, mialgia, diarreia, náusea e dor de cabeça.

O profissional de saúde sempre deve informar o paciente sobre a possibilidade e as práticas para amenizar os sintomas:

Redução da dor e desconforto no local da injeção:

  • Aplicar uma toalha limpa, fresca e úmida sobre a área onde foi administrada a vacina.

Redução do desconforto da febre:

  • Ingerir líquidos.
  • Vestir-se com roupas leves
  • Utilizar o antitérmico de costume, com orientação médica.

Farmacovigilância

A ocorrência significativa de notificações de eventos adversos pós-vacinação (EAPV) é esperada durante a introdução de novas vacinas — em especial no contexto da atual pandemia, em que a produção de vacinas foi acelerada, algumas se valendo de novas tecnologias, e um número massivo de pessoas será vacinado.

Para o manejo apropriado dos EAPV de uma nova vacina, o sistema de vigilância é essencial. É ele que permitirá analisar a segurança do produto e responder prontamente as preocupações da população relacionadas às vacinas.

Considerando a necessidade de se estabelecer o perfil de segurança das vacinas COVID-19, orienta-se que TODOS os eventos (não graves e) graves, erros de imunização, problemas com a rede de frio e queixas técnicas sejam notificados.

O formulário de e-SUS notifica deverá ser preenchido com o maior número de informações possíveis. Principalmente a identificação do tipo de vacina suspeita de provocar o EAPV, como número de lote e fabricante.

Características das vacinas licenciadas no Brasil

Instituto Butantan/Sinovac | Coronavac

Sobre
A vacina adsorvida COVID-19 (inativada) induz o organismo a produzir anticorpos contra SARS-CoV-2, para prevenir a doença causada pelo vírus. Estima-se que o tempo entre a vacinação e a produção de anticorpos neutralizantes suficientes seja de 15 dias após a segunda dose. Independente da vacinação, as medidas de proteção individual devem continuar a ser adotadas.

Indicação
Pessoas a partir de 18 anos.

Esquema
Duas doses de 0,5ml, com intervalo de 14 a 28 dias.

Composição
Cada dose de 0,5 mL de suspensão injetável contém 600 SU do antígeno do vírus inativado SARSCoV-2. Excipientes: hidróxido de alumínio, hidrogenofosfato dissódico, di-hidrogenofosfato de sódio, cloreto de sódio, água para injetáveis e hidróxido de sódio para ajuste de pH. Não contém conservantes.

Apresentação
Frasco-ampola contendo 0,5 mL de solução injetável, que corresponde a uma dose da vacina (monodose).

Armazenamento
De 2°C a 8°C.

Preparação
Suspensão injetável, opalescente. Nenhum aglomerado deve ser encontrado ao agitar. Esta vacina não deve ser utilizada caso haja alteração na coloração ou presença de partículas estranhas. Aplicar imediatamente após abertura.

Via de administração
Intramuscular. O local de administração recomendado é o músculo deltoide do braço.

Fiocruz/Oxford/Astrazeneca | Vacina COVID-19 (recombinante)

Sobre
A vacina, aprovada para uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sob o nome vacina COVID-19 (recombinante), foi desenvolvida com a tecnologia de vetor viral não-replicante de adenovírus de chimpanzé.

Os adenovírus que compõem a vacina não podem se replicar na pessoa vacinada, mas são reconhecidos por nossas células, que desencadeiam uma resposta imunológica específica contra a proteína S do SARS-CoV-2, presente na fórmula. Isso permite ao organismo gerar anticorpos e outras células protetoras (células T) contra o novo coronavírus.

Indicação
Pessoas a partir de 18 anos.

Esquema
Duas doses de 0,5 ml, com intervalo de 4 a 12 semanas.

Composição
Cada dose de 0,5 mL contém 5 × 1010 partículas virais (pv) do vetor adenovírus recombinante de chimpanzé, deficiente para replicação (ChAdOx1), que expressa a glicoproteína SARS-CoV-2 Spike (S). Excipientes: L-Histidina, cloridrato de L-histidina monoidratado, cloreto de magnésio hexaidratado, polissorbato 80, etanol, sacarose, cloreto de sódio, edetato dissódico di-hidratado (EDTA) e água para injetáveis.

Apresentação
Disponibilizada na forma líquida, em frascos com 10 doses cada. A via de administração será intramuscular.

Armazenamento e conservação

  • A vacina deve ser armazenada entre 2°C e 8°C. Não congelar. O frasco fechado tem validade de seis meses.
  • Após o primeiro uso, administrar o mais rapidamente possível, em até 6 horas.
  • Manter os frascos na embalagem exterior para proteger da luz.
  • Identifique o frasco logo após sua abertura com data e hora.
  • Despreze qualquer vacina não utilizada.
  • A vacina não contém nenhum conservante. Técnica asséptica deve ser usada para retirar a dose para administração
  • Para facilitar a rastreabilidade da vacina, o nome e o número do lote do produto administrado devem ser claramente registrados para cada destinatário.

Preparação

A vacina COVID-19 Fiocruz/Oxford/AstraZeneca é uma solução incolor a ligeiramente castanha, límpida a ligeiramente opaca.

A vacina deve ser inspecionada visualmente antes da administração e descartada se houver partículas ou diferenças na aparência descrita. Não agitar o frasco.

Cada dose de 0,5 ml deve ser retirada para uma seringa para injeção a ser administrada por via intramuscular. Use uma agulha e seringa estéreis separadas cada indivíduo. É normal que permaneça líquido no frasco após a retirada da dose final.

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VacinAção pela Vida - COVID-19. Assista aos vídeos.

Para ajudar você saber mais sobre indicação, eficácia, segurança e outros temas relacionados com as vacinas COVID-19, a SBIm elaborou as respostas para as perguntas mais frequentes. Acesse e fique atualizado(a) com #InformaçãoDeVerdade!

1) O que é uma autorização para uso emergencial?

É a aprovação deste órgão regulatório para que um produto possa ser usado, de modo excepcional, em uma emergência, para diagnosticar, tratar ou prevenir doenças graves ou fatais, quando não houver alternativas adequadas disponíveis e já licenciadas.

Essa aprovação não permite a comercialização do produto, que deve ser usado com indicações específicas até receber a licença definitiva.

2) Quais e como são as vacinas COVID-19 em estudo ou já em utilização?

Várias são as tecnologias aplicadas nas vacinas que estão em desenvolvimento e/ou já em uso ao redor do mundo. Todas se dirigem contra a proteína S (de spike: espícula, em português), que é responsável pela adesão do SARS-CoV-2 às nossas células, com consequente invasão e infecção.

De acordo com as plataformas tecnológicas utilizadas, podemos dividi-las em categorias:

  • Vacinas de vírus inteiros, atenuados ou inativados. Exemplo: Butantan/Sinovac (Coronavac);
  • Vacinas genéticas, de RNA mensageiro (mRNA) ou DNA. Exemplos: Pfizer/BioNTech e Moderna;
  • Vacinas baseadas em vetores replicantes ou não replicantes. Exemplos: Fiocruz/Oxford/AstraZeneca, Janssen/Johnson & Johnson e Sputnik V;
  • Vacinas de subunidades baseadas em proteína do vírus. Exemplo: Novavax;
  • De partículas semelhantes ao vírus (VLP).

Dessas, já se encontram em uso as vacinas de mRNA, as de vetores não replicantes e as de vírus inteiros inativados. No Brasil, estão aprovadas para uso emergencial ou já registradas as vacinas Fiocruz/Oxford/AstraZeneca, Sinovac/Butatan (Coronavac), Pfizer/BioNTech e Janssen.

3) Como funcionam as vacinas de vírus inteiros inativados como a do Butatan/Sinovac (Coronavac)?

As vacinas são feitas a partir do vírus SARS-CoV-2 inativado, ou seja, morto. A inativação é feita com o auxílio de substâncias químicas que destroem o material genético do vírus e, consequentemente, impedem a sua replicação, o que o torna incapaz de causar a doença. Esse processo, no entanto, mantém íntegra a cápsula do vírus, onde está a proteína S, responsável pela ligação e penetração em nossas células.

Uma vez no organismo, o vírus vacinal é percebido como um agente estranho e desencadeia a resposta do sistema imunológico. As primeiras células envolvidas nessa resposta (células apresentadoras de antígeno) “absorvem” o vírus, o destroem em seu interior e levam a proteína S para sua superfície.

Nesse momento, os chamados linfócitos T auxiliares entram em ação. Eles detectam a proteína, encaixam-se a ela e recrutam os linfócitos B, que produzirão os anticorpos específicos contra a proteína S. Os linfócitos B também são ativados pelo próprio vírus vacinal.

Como o sistema imune “aprendeu” a se defender da proteína S, em caso de contato com o vírus, e enquanto a imunidade durar, o organismo será capaz de neutralizar rapidamente o SARS-CoV-2.

4) Como funcionam as vacinas baseadas em vetores virais não replicantes, como a vacina de Fiocruz/Oxford/AstraZeneca?

Para desenvolver este tipo de vacina, os pesquisadores inserem apenas o gene que codifica a produção de proteína S, responsável pela ligação do novo coronavírus com as nossas células, dentro de outro vírus que não causa doença nas pessoas, e este ainda é modificado para que seja incapaz de se replicar dentro do nosso organismo e causar alteração no genoma de nossas células. Esse vírus “carreador” do código genético que instrui a formação da proteína S é, portanto, apenas um vetor da informação genética para que as células humanas passem a fabricar a proteína S.

Após a vacinação e a entrada do vetor vacinal na célula humana, esse gene que codifica a proteína S é transformado em uma molécula chamada RNA mensageiro (mRNA), que contém instruções para a produção de proteínas S, o que ocorre fora do núcleo das nossas células, onde está o nosso genoma. Essas proteínas produzidas se fixam na superfície celular.

A partir desse momento, o sistema imunológico começa a atuar em diferentes “frentes”:

  • os chamados linfócitos T auxiliares detectam o agente estranho e recrutam os linfócitos B, que produzirão anticorpos específicos contra a proteína S;
  • os linfócitos B entram em contato diretamente com a proteína S da superfície das células “vacinadas” e produzem os anticorpos;
  • outro tipo de linfócitos T, chamados citotóxicos (ou assassinos), também são recrutados e destroem diretamente qualquer estrutura que exiba a proteína S.
  • as células “vacinadas”, ao morrerem, liberam fragmentos da proteína S que também são identificados pelo nosso sistema imune, desencadeando toda a resposta vacinal.

Enquanto a imunidade durar e a pessoa vacinada tenha contato com o vírus, o organismo será capaz de “lembrar” como fazer para neutralizar rapidamente o SARS-CoV-2.

5) Como funcionam as vacinas baseadas em mRNA (RNA mensageiro), como as vacinas da Pfizer e da Moderna?

A tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) é uma plataforma investigada há muitos anos. Vacinas usando essa plataforma e sendo aplicadas em larga escala pode ser uma novidade, mas a tecnologia já vem sendo estudada há bastante tempo.

Em laboratório, os cientistas desenvolvem o mRNA sintético, que ensinará ao nosso organismo a fabricar a proteína S do SARS-CoV-2, responsável pela ligação do vírus com as nossas células. Por ser muito instável, o mRNA é recoberto por uma capa de lipídios (tipo de gordura) que o protegerá. É essencial deixar claro que a molécula não contém outra informação, não é capaz de realizar qualquer outra tarefa e não penetra no núcleo de nossas células. Então, não consegue causar a COVID-19 ou qualquer alteração em nosso genoma.

Uma vez que a vacina é injetada e capturada pelas células apresentadoras de antígeno, a partir das “instruções” do mRNA são fabricadas as proteínas S do novo coronavírus que, então, são transportadas até a superfície da célula, onde os processos de defesa são desencadeados:

  • os chamados linfócitos T auxiliares detectam a proteína estranha e recrutam os linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos;
  • os linfócitos B entram em contato com a proteína S da superfície e produzem os anticorpos específicos contra ela, que neutralizarão o novo coronavírus;
  • outras células de defesa chamadas linfócitos T citotóxicos (ou assassinos) reconhecem e destroem diretamente qualquer estrutura que exiba a proteína S em sua superfície;
  • quando a célula que absorveu o mRNA morre, a proteína S e seus fragmentos liberados podem ser identificados pelo nosso sistema de defesa que também desencadeia todo o processo.

6) O que significa eficácia e como entender esses percentuais de eficácia das vacinas Covid?

Trata-se da capacidade de uma vacina em prevenir determinada doença. Quando se diz que a vacina Sinovac/Butatan (Coronavac) tem 50,4% de eficácia geral, isso significa que as pessoas que receberam a vacina têm 50,4% menos chance de desenvolver COVID-19. Os percentuais são de 70% para a vacina da Fiocruz/Oxford/AstraZeneca e de 95% para a vacina da Pfizer. É importante salientar que todas demostraram eficácia ainda mais alta quando considerados apenas os casos graves da doença, evitando mortes.

Os índices de eficácia são obtidos por meio de grandes estudos clínicos. As pesquisas seguem rigorosas regras estabelecidas no meio científico e são revisadas por especialistas independentes e órgãos regulatórios, que verificam a robustez dos resultados e das conclusões apresentadas. As vacinas só podem ser aprovadas para aplicação na população em geral caso a segurança e a eficácia pretendidas sejam comprovadas.

Todas as vacinas licenciadas para uso emergencial ou registradas no Brasil alcançaram os parâmetros de segurança e eficácia estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

7) Por quanto tempo as vacinas funcionam? Serão necessárias doses de reforço regularmente, após o esquema inicial, como no caso da vacina da gripe?

Os testes com as vacinas começaram há poucos meses, então precisamos aguardar os vacinados serem monitorados por mais tempo para dar essas respostas. Por enquanto, dada a ausência de informação, não há recomendação para reforço.

8) O que dura mais: a imunidade causada pela própria COVID-19 ou a produzida pelas vacinas?

A proteção conferida pela doença, chamada “imunidade natural”, pode variar de pessoa para pessoa. Como estamos lidando com um vírus “novo”, ainda não sabemos qual é o tempo de duração. As evidências disponíveis até o momento sugerem que é incomum contrair a doença pela segunda vez. Quando isso acontece, raramente se dá nos 90 dias após a primeira infecção. Já existe estudo demonstrando que a proteção pode durar pelo menos oito meses em grande parte das pessoas que adoeceram.

Também não sabemos por quanto tempo as vacinas prevenirão a COVID-19. Precisamos aguardar o prosseguimento dos estudos e ver como elas vão funcionar no mundo real, a partir da vacinação em massa ao redor do mundo.

O mais importante é lembrar que, ainda que a duração da proteção por vacinas seja menor, elas protegem sem os riscos envolvidos no adoecimento.

9) E quanto à segurança das vacinas COVID-19, o que sabemos?

No geral, as vacinas que vêm sendo aprovadas ao redor do mundo apresentaram bom perfil de segurança. A maioria dos registros é de casos leves a moderados, que se resolvem em poucos dias. Raros são os eventos adversos graves.

As quatro vacinas já aprovadas no Brasil apresentam um perfil de segurança semelhante ao das outras que utilizamos há anos. Elas não causam efeitos colaterais importantes na maioria das pessoas que as recebem. Os eventos mais comuns são dor no local da injeção e febre. Outros sintomas menos comuns são cansaço, mialgia e dor de cabeça, que cessam em poucos dias.

Embora fenômeno de hipersensibilidade imediata grave (anafilaxia) possa ocorrer após qualquer vacina, foram muito poucos os casos registrados até o momento no Brasil. Reações alérgicas são incomuns, mas podem ocorrer após qualquer vacina, sendo essencial que a aplicação se dê em locais capacitados para detectar os primeiros sinais e prestar pronto atendimento.

Entretanto, estamos falando de novas vacinas para uma doença que vem apresentando um comportamento muito peculiar, com estudos pré-aprovação mais curtos, com menor tempo de observação. Assim, eventos inesperados poderão ser registrados e cabe à vigilância exercer um acompanhamento rigoroso. Não podemos esquecer que eventuais riscos de raros eventos adversos graves pós-vacinais são muito menores do que os da COVID-19.

10) Posso ter reação alérgica grave após a vacina COVID-19?

Reações alérgicas graves (anafilaxia), em que a pessoa precisa ir a um hospital ou receber imediatamente injeção de adrenalina, podem acontecer com qualquer substância, incluindo as vacinas COVID-19. Mas isso é muito raro.

Dessa forma, é importante sempre ser imunizado, com qualquer vacina, em local com estrutura para atendimento de emergência e com profissionais capacitados para rapidamente reconhecer e tratar a reação.

11) Para que aconteça a tal “imunidade de rebanho”, quanto da população brasileira precisará ser vacinada?

A imunidade coletiva, ou de rebanho, é obtida quando a maior proporção de indivíduos em uma comunidade está protegida, seja porque teve a doença ou porque foi vacinada. Isso porque com poucas pessoas vulneráveis, a circulação do agente que causa a doença cai, protegendo de modo indireto aqueles que não estão imunizados.

A porcentagem necessária de vacinados para conseguirmos a imunidade de rebanho varia de acordo com a doença e com a efetividade da vacina. Ainda faltam informações sobre qual o percentual exato de imunizados é necessário para a adequada imunidade coletiva contra a COVID-19, contudo, dada a grande capacidade de contágio do SARS-CoV 2, podemos esperar que seja necessária uma grande proporção.

12) Quando será a minha vez de ser vacinado contra a COVID-19?

Como atualmente o fornecimento da vacina Covid-19 no Brasil e em todos os países é limitado, o Ministério da Saúde estabeleceu um plano em que os grupos serão progressivamente vacinados conforme aumentar a disponibilidade de vacinas.

De início serão vacinados aqueles mais suscetíveis a desenvolver quadros graves, internação e evolução para óbito, bem como os profissionais da saúde envolvidos no atendimento de doentes com COVID-19. Isso reduzirá a mortalidade, o número de casos que demandarão atendimento médico e desafogará o sistema de saúde, que poderá atender menos pacientes e evitar mais óbitos.

Cada estado e município brasileiro, dentro das recomendações federais, tem autonomia para estabelecer os calendários a ampliar os grupos populacionais contemplados, de acordo com as suas realidades epidemiológicas e de disponibilidade de doses.

O objetivo final é que todos possam ser vacinados, mas para isso precisaremos de grandes quantidades dos imunobiológicos. Quanto maior o suprimento de vacinas, mais grupos serão adicionados.

13) O que faço para me proteger até que tenha tomado a vacina?

Para se proteger, siga estas recomendações:

  • Use máscara sobre o nariz e a boca e não coloque as mãos na frente da máscara.
  • Fique a pelo menos um metro e meio de distância das outras pessoas.
  • Evite multidões e aglomerações.
  • Evite espaços mal ventilados.
  • Lave as mãos frequentemente, ou use álcool em gel a 70⁰.
  • Não saia de casa se estiver com algum sintoma respiratório e não visite ninguém que esteja com algum sintoma desse tipo.
  • Proteja seus idosos e cuide para não levar infecções para suas casas.

14) Eu já tive ou estou com COVID-19. Posso ou devo ser vacinado?

Como a duração da proteção gerada pela própria doença é desconhecida, e por existir a possibilidade de reinfecção, ainda que rara, a vacinação é indicada independentemente de histórico de doença ou infecção pelo SARs-Cov2.

Mas para vacinar é necessário aguardar o completo restabelecimento e no mínimo quatro semanas após o início dos sintomas (ou do primeiro resultado positivo no exame de RT-PCR).

15) Quanto tempo leva para eu ficar imunizado?

O organismo precisa de tempo para fabricar os anticorpos. Estima-se que o potencial completo da vacina seja atingido em cerca de duas semanas após a imunização. E é importante lembrar que para as duas vacinas disponíveis no Brasil são necessárias duas doses.

16) As novas variantes do SARS-CoV-2 são cobertas pelas vacinas?

A julgar pelo conhecimento atual, provavelmente sim. Mas essa questão vem sendo e continuará sendo acompanhada de perto pela ciência. Caso surja alguma variante que interfira na resposta vacinal, os fabricantes rapidamente poderão adaptar suas vacinas.

17) Depois de vacinado, preciso continuar a usar máscara e manter distanciamento de outras pessoas?

Sim. Nenhuma vacina é 100% eficaz e não sabemos se as disponíveis até o momento são capazes de impedir a transmissão do vírus. Além disso, enquanto tivermos doses insuficientes para vacinar grande parte da população, sempre teremos pessoas vulneráveis e que poderão apresentar quadros graves da COVID-19.

18) Posso tomar outra vacina junto com a vacina COVID-19? Se não, qual é o intervalo que é preciso respeitar?

Não pode. A recomendação atual é a de que seja respeitado um intervalo de no mínimo 14 dias (antes e depois) entre a administração da vacina COVID-19 e outras vacinas. Se, por engano, isso acontecer, a secretaria de saúde do município deve ser notificada, pois trata-se de erro de imunização. Os esquemas, tanto da vacina COVID-19 quanto da outra vacina aplicada, não precisam ser reiniciados.

A orientação pode ser alterada caso dados futuros demonstrem mais segurança e eficácia da aplicação com outros intervalos ou simultaneamente.

19) As vacinas podem ser aplicadas em gestantes ou mulheres amamentando?

Grávidas constituem população de risco para doenças respiratórias como a COVID-19, e o período de amamentação requer alguns cuidados, embora a vacinação raras vezes represente uma preocupação. No entanto, na medida em que não há dados sobre segurança e eficácia específicos para esse grupo, a decisão de se vacinar deve ser compartilhada com o(a) médico(a).

O Ministério da Saúde atualiza suas recomendações para esta e outras situações por meio de “Informes Técnicos” divulgados periodicamente. Fique atento(a).

20) Pessoas alérgicas a ovo ou leite podem ser vacinadas?

Sim, esses ingredientes não são usados nas vacinas COVID-19.

21) A vacina pode ser aplicada em pessoas com doenças crônicas, como câncer, doenças autoimunes, entre outras?

Pessoas com condições médicas subjacentes (comorbidades) podem receber as vacinas COVID-19 licenciadas para uso emergencial pela Anvisa, desde que não tenham apresentado reação alérgica imediata ou grave após dose anterior ou a algum componente da fórmula.

Estes grupos constituem grupo de risco para quadros graves de COVID-19, por isso foram incluídos entre as prioridades pelo Ministério da Saúde e devem ser vacinados. Mas, como ainda não temos estudos com esses pacientes, a avaliação de risco-benefício e a decisão pela vacinação deve ser compartilhada com o(a) médico(a) assistente, considerando não apenas o risco de COVID-19 grave, mas a doença de base, os medicamentos em uso, e a existência de contraindicações.

22) Pessoas imunodeprimidas podem ser vacinadas?

Da mesma forma que as pessoas com comorbidades, as imunodeprimidas e com outras condições que comprometem o sistema imunológico têm risco aumentado para a COVID-19 grave. Ainda que a resposta à vacina possa ser inferior, esse é um grupo cuja proteção pela vacina deve ser priorizada.

As vacinas disponíveis são inativadas, portanto, incapazes de causar doença em imunodeprimidos. Contudo, como ainda há poucos estudos específicos, a avaliação de risco-benefício e a decisão de vacinar deve ser compartilhada com o(a) médico(a) assistente.

23) O que acontece se eu tomar só uma dose da vacina? Posso me considerar protegido? Preciso recomeçar o esquema vacinal?

Os dados de eficácia conhecidos e comprovados referem-se a esquemas com duas doses, portanto, não podemos nos considerar protegidos com apenas uma dose.

24) O que acontece se a segunda dose atrasar?

Para garantia da eficácia esperada e documentada nos estudos, as vacinas devem ser aplicadas de acordo os intervalos estipulados para cada uma, mas não é preciso recomeçar o esquema em caso de atraso. Basta tomar a dose que falta, completando o esquema e obtendo a expectativa de proteção documentada. É preciso lembrar que não temos conhecimento sobre a proteção conferida entre as doses.

25) O que fazer se eu tomar a segunda dose em intervalo menor que o recomendado em bula?

A dose deverá ser desconsiderada e outra aplicada no intervalo correto.

26) Posso fazer a primeira dose com uma vacina e a segunda dose com outra?

Os esquemas de vacinação devem ser completados com a mesma vacina. No caso de pessoas vacinadas de maneira inadvertida com duas vacinas diferentes, a orientação do Ministério da Saúde (MS) é informar no “e-SUS Notifica” que houve erro de notificação e acompanhar possíveis eventos adversos e episódios de falha vacinal. Isso porque ainda não há dados bem estabelecidos sobre a segurança ou eficácia em situação de intercambialidade.

O MS também esclarece que “estes indivíduos não poderão ser considerados devidamente imunizados”, mas que, no momento atual, “não é recomendada a administração de doses adicionais de vacinas Covid-19.”

O MS poderá atualizar essa e outras recomendações por meio de “Informes Técnicos” que têm sido divulgados periodicamente. Fique atento.

27) A partir de que idade é possível se vacinar contra a COVID-19? Crianças e bebês podem?

Não há dados sobre segurança e eficácia das duas vacinas disponíveis no Brasil em menores de 18 anos de idade. A vacinação de crianças e bebês só poderá ser cogitada quando tivermos mais informações de estudos realizados especificamente nesta população.

28) Quais são as contraindicações para as vacinas COVID-19?

As vacinas COVID-19 atualmente disponíveis só são contraindicadas para pessoas com histórico de reação alérgica grave (por exemplo, anafilaxia) após dose anterior ou a qualquer componente da fórmula.

29) Posso ser vacinado se estiver com COVID-19 ou se já tive a doença?

Não há evidências, até o momento, de preocupação com a segurança na vacinação de pessoas que tiveram COVID-19 ou têm anticorpos contra SARS-CoV-2 detectáveis. Também é improvável que a vacinação de indivíduos infectados assintomáticos ou no período de incubação cause algum prejuízo.

De todo modo, a vacinação de pessoas com quadro respiratório sugestivo de infecção em atividade deve ser adiada por pelo menos quatro semanas após o início dos sintomas, para evitar qualquer associação temporal entre complicações da COVID, que podem acontecer dentro deste período, mesmo em quem está com sintomas leves. A vacina só deverá ser aplicada após a recuperação clínica total ou, no caso de assintomáticos, quatro semanas a partir da primeira amostra de RT-PCR positiva.

30) Quais precauções devem ser tomadas para a vacinação contra a COVID-19?

  • Pessoas com histórico de desmaio após injeções devem ser colocadas em observação por pelo menos 15 minutos após a administração da vacina.
  • Pessoas que usam anticoagulantes ou têm algum distúrbio de coagulação devem ter o local da injeção pressionado com algodão seco por mais tempo, para evitar sangramento e formação de hematoma. Compressas geladas antes e após a aplicação também são recomendadas.
  • Diante de doenças agudas febris moderadas ou graves, recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro. A orientação, válida para qualquer vacina, é para não haver confusão entre a manifestação da doença febril e uma eventual reação vacinal.

31) Existe alguma restrição à ingestão de bebida alcoólica antes ou após tomar a vacina COVID-19?

O consumo moderado de bebidas alcoólicas não interfere na resposta gerada pela vacina. Mas saiba que a ingestão excessiva ou o uso crônico dessas substâncias pode ter um efeito imunodepressor, ou seja, pode reduzir a capacidade de defesa do organismo, deixando a pessoa mais vulnerável a contrair infecções. Então, independentemente da situação, não devemos consumir álcool em quantidade exagerada. Comportamentos responsáveis e positivos, bem como qualquer atitude de prevenção, sempre são bons para a saúde, incluindo aqui a vacinação.

32) Devo fazer sorologia para verificar resposta à vacina Covid-19 depois da vacinação? Se o resultado for positivo, estou protegido pela vacina?

Os testes sorológicos não são recomendados para esse fim porque não permitem uma conclusão inequívoca sobre a resposta à vacina. Isso ocorre por alguns motivos: 

  • Não se sabe o nível de anticorpos necessários (correlato de proteção) para prevenir a COVID-19, portanto o resultado positivo não significa necessariamente que a pessoa está protegida.
  • O resultado negativo pode refletir a baixa sensibilidade do exame (falso negativo). Pessoas protegidas pela vacina podem testar negativo.
  • As vacinas contra COVID-19 têm como alvo a produção de anticorpos contra a proteína S do SARS-CoV-2, responsável pela ligação com nossas células e a consequente infecção – esses anticorpos é que seriam os marcadores de proteção a serem investigados. Os testes atuais podem verificar tanto o nível desses anticorpos quanto de anticorpos contra outro componente do vírus, a proteína do nucleocapsídeo (N). Como nem sempre essa informação consta no laudo, pode haver equívocos de interpretação.
  • Mesmo que o resultado seja positivo para anticorpos contra a proteína S, pode não ser possível distinguir se foi resposta imunológica pela vacina ou se foi fruto de infecção prévia pelo vírus.

33) E antes da vacinação, é indicada a sorologia ou exame de RT-PCR para verificar se é necessária?

Da mesma forma que não há recomendação para sorologia após a vacinação, a pesquisa viral (RT-PCR) ou a sorológica para verificação de infecção anterior não são recomendadas com o propósito de tomada de decisão sobre a vacinação.

Os dados disponíveis indicam que as vacinas são seguras em pessoas previamente acometidas pela COVID-19. Também é possível, embora ainda não tenha sido cientificamente estabelecido, que a vacinação possa conferir proteção adicional a esses indivíduos.

Na medida em que a vacinação de pessoas com infecção previa é segura e pode até trazer benefício extra, não existe motivo para solicitar exames antes da vacinação. A vacinação deve ser oferecida independentemente da história de infecção anterior por SARS-CoV-2, sintomática ou assintomática.

34) As vacinas Covid-19 podem causar algum efeito na fertilidade das pessoas ou causar distúrbios menstruais?

Não há evidências que apoiem quaisquer preocupações sobre o efeito das vacinas na fertilidade ou no ciclo menstrual. Alegações associando as vacinas COVID-19 com alterações na integridade dos órgãos reprodutivos são especulativas e não são suportadas por dados científicos.

Não existem mecanismos biologicamente plausíveis para as vacinas causarem algum impacto na fertilidade. Os ensaios iniciais com animais indicaram não haver efeitos prejudiciais ao sistema reprodutivo, e resultados preliminares de estudos sobre toxicidade reprodutiva mostram que não há alteração na contagem de espermograma em homens vacinados.

35) A vacina tríplice viral previne a COVID-19? É especialmente recomendada para os ainda não incluídos nos grupos prioritários do Plano Nacional de Vacinação contra a COVID-19?

Dados preliminares de um estudo realizado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sugerem que a vacina tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) poderia interferir positivamente na evolução da doença por SARS-Cov-2, evitando casos sintomáticos.

A pesquisa, ainda não publicada, parte da premissa já conhecida de que vacinas atenuadas —a exemplo da tríplice viral — por estimularem com maior robustez o sistema imune e a chamada imunidade inata inespecífica, são capazes de prevenir a evolução mais grave de outras infecções.

Como os detalhes do estudo não são conhecidos e ainda não existem dados conclusivos, a SBIm não recomenda a prescrição da tríplice viral para este fim e orienta que a população seja informada de que ela não substitui em hipótese alguma as vacinas COVID-19. Em nota oficial (leia), a UFSC e a Prefeitura de Santa Catarina seguiram caminho semelhante.

Observação: em virtude da situação epidemiológica do sarampo no Brasil, com quatro estados apresentando transmissão ativa e mais de oito mil casos contabilizados somente em 2020, devemos recomendar a atualização da vacinação com a tríplice viral para as pessoas não vacinadas ou parcialmente vacinadas, para a prevenção do próprio sarampo.

36) Têm sido divulgadas informações de pessoas vacinadas que pegaram COVID-19 — algumas até faleceram. Posso ter a doença mesmo após receber todas as doses da vacina?

Em primeiro lugar, é preciso cautela ao compartilhar essas postagens. Diversas não são totalmente verdadeiras ou não esclarecem quanto tempo depois da vacinação a infecção aconteceu. Isso pode prejudicar bastante a adesão à campanha, fundamental para o combate à pandemia.

Em diversas situações, o intervalo entre o início dos sintomas e a aplicação da vacina não foi suficiente para a esperada resposta de anticorpos desencadeada pela vacinação. Ou seja, não houve tempo para impedir a infecção.

Além disso, falhas vacinais acontecem com qualquer vacina: nenhuma tem 100% de eficácia.Diante de um universo de dezenas de milhares de novos casos diários e do aumento gradual, ainda que lento, do percentual de indivíduos vacinados, é esperado que ocorra, cada vez mais casos de infecção em vacinados.

É incontestável que existe uma lacuna de dados em decorrência da necessidade de aprovar com agilidade as vacinas para a contenção da maior crise sanitária do século. Mas todas as notificações estão sendo acompanhadsa e investigadas pela Vigilância. Precisamos aguardar a publicação dos dados da avaliação da efetividade das vacinas na vida real e possíveis falhas vacinais.

37) É preciso respeitar algum intervalo entre a vacinação da lactante contra covid-19 e a administração das vacinas de rotina do bebê?

Não. O bebê deve ser vacinado normalmente, de acordo com o seu calendário.

Leia mais em https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/dcsbp-vacinacao-contra-covid19-lactantes.pdf.

38) É necessário interromper a amamentação após a vacinação das lactantes com as vacinas covid-19?

Não. Da mesma forma, não há restrição para doação de leite.

Leia mais informações sobre a vacinação de lactantes em https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/dcsbp-vacinacao-contra-covid19-lactantes.pdf

39) É verdade que a vacina Pfizer pode causar miocardite em jovens?

Como parte do processo de vigilância de eventos adversos relacionados às vacinas COVID-19, Estados Unidos e Israel verificaram um aumento nas notificações de miocardite e pericardite (inflamação do músculo cardíaco e da estrutura que envolve o coração) após a vacinação com vacinas de mRNA em adolescentes e adultos jovens. Os sistemas de monitoramento concluíram que existem poucos relatos desta condição até o momento, a maioria leve e tratável, e que esses casos parecem ocorrer:

  • predominantemente em adolescentes e adultos jovens,
  • mais frequentemente em homens do que mulheres,
  • mais frequentemente após a dose 2 do que após dose 1, e
  • normalmente dentro de 4 dias após a vacinação.

É importante ressaltar que ainda não é possível determinar se há mesmo uma relação causal, mas que uma associação é possível. De qualquer forma, o CDC continua a recomendar a vacinação nos EUA para todos os indivíduos com 12 anos de idade ou mais, considerando que os riscos associados à infecção por Covid-19 são maiores do que os que podem estar associados à vacinação.

Mais informações são necessárias para determinar se há realmente uma relação causal entre a vacina e a ocorrência de miocardite e pericardite e se haverá mudanças nas recomendações da vacinação em relação à faixa etária. 

40) Diante das ocorrências de miocardite em jovens, é seguro incluir os adolescentes entre os grupos de vacinação contra a COVID-19?

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a SBIm, assim como Programa Nacional de Imunizações (PNI), entendem ainda não ser o momento de vacinar crianças e adolescentes contra a COVID-19.  O risco de desenvolvimento de formas graves de COVID-19 nesta população é baixo e ainda são necessárias mais evidências sobre a segurança das vacinas nesta faixa-etária, incluindo a possibilidade de miocardite.  No caso de adolescentes com fatores de risco (comorbidades), a avaliação de risco/benefício deve ser individualizada.

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Vacinas COVID-19 não são seguras porque foram fabricadas com muita rapidez

MITO. Apesar da agilidade no desenvolvimento, todas as vacinas licenciadas para uso passaram obrigatoriamente por rígidos testes, desde a fase laboratorial até os estudos de fases 1, 2 e 3 em humanos, para confirmar sua segurança e eficácia. Os dados foram avaliados por especialistas independentes e entidades regulatórias — a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no caso do Brasil — e continuarão a ser monitorados na medida em que as vacinas forem aplicadas.

A possibilidade de desenvolver vacinas em curto espaço de tempo diante de uma emergência não devia ser motivo de desconfiança, mas de comemoração! Isso só é viável graças aos avanços de tecnologias que permitiram em uma semana o sequenciamento do genoma do vírus e a posterior aplicação desse saber no desenvolvimento de vacinas de diferentes plataformas.

Entre as vacinas já disponíveis no Brasil, a do Instituto Butantan/Sinovac (Coronavac) é feita a partir de vírus inteiros inativados, uma metodologia muito conhecida pela ciência e usada há décadas na fabricação imunizantes em todo o mundo.

A vacina da Fiocruz/Oxford/AstraZeneca é elaborada a partir dos chamados “vetores virais não replicantes”.  A tecnologia é recente, mas não inédita. Foi utilizada na vacina Ebola e nas pesquisas da vacina MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), doença também causada por um coronavírus.

Já as vacinas “genéticas” (Pfizer e Moderna), ainda não licenciadas no Brasil mas administradas em outros países, como os Estados Unidos, são totalmente inovadoras e igualmente seguras.

Vacinas genéticas alteram o código genético humano

MITO. As vacinas “genéticas”, como foram apelidadas as vacinas de RNA mensageiro (mRNA), apenas “ensinam” — de diferentes maneiras — a “receita” para o organismo produzir a proteína S (de spike), responsável pela ligação do vírus que causa a COVID-19 às nossas células. A presença da proteína S estimula a atuação do sistema imune, que gerará os anticorpos necessários para evitar a doença.

Não há nenhum risco de alterações no nosso DNA, modificações físicas, entre outros boatos que circularam nos últimos tempos. Inclusive, é interessante destacar que em uma infecção natural, os vírus invadem as células e as destroem por completo. Se fosse possível modificar o nosso DNA com tanta facilidade, um simples resfriado faria isso. Não a vacina.

Vacina com 50% de eficácia é igual a “cara ou coroa“

MITO. Os resultados dos testes de Fase 3 da vacina do Instituto Butantan/Sinovac (Coronavac) foram muito bons, embora tenham gerado desconfiança em parte da população. Para entendê-los, é preciso separar as informações:

  • Eficácia global de 50,4%: significa que o risco de ter a doença com sintoma, em qualquer grau, diminui pela metade.
  • Eficácia de 78% contra casos que necessitam de assistência médica: significa que a maioria dos vacinados tem casos leves, que podem ser tratados em casa. Esse dado é extremamente relevante porque reduzirá muito o número de pessoas que precisam de internação e assistência médica, reduzindo a sobrecarga do sistema de saúde.
  • Eficácia de 100% contra casos graves/mortes: ainda precisamos de mais números para comprovar esse achado. Mas se este índice ou valores próximos a ele se confirmarem, será espetacular.

Em resumo, se aplicada em grande número de brasileiros, a vacina não apenas protegerá os vacinados como reduzirá  a circulação do vírus na comunidade. Esse é o caminho para reverter o cenário atual no país. 

Quem já teve COVID-19 não precisa ser vacinado

MITO. Ainda não se sabe quanto tempo dura a proteção após a infecção natural pelo novo coronavírus e existe a possibilidade, ainda que pouco frequente, de se ter a COVID-19 mais de uma vez. A vacina, portanto, deve ser tomada por todos.

Entretanto, em pessoas com quadro respiratório sugestivo de infecção ativa recomenda-se adiar a vacinação até a recuperação clínica total e ao menos quatro semanas após o início dos sintomas. Pessoas assintomáticas que tiveram resultado de RT-PCR positivo para COVID-19 devem aguardar quatro semanas até a vacinação.

A vacina gripe protege ou ajuda a proteger de COVID-19

MITO. Infelizmente o vírus influenza, causador da gripe, não tem parentesco ou semelhança genética com o SARS-CoV-2, responsável pela COVID-19.

A Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe foi antecipada em 2020 para evitar uma sobrecarga maior no sistema de saúde e reduzir a possibilidade de confusão de diagnóstico. 

Quem se vacina contra a COVID-19 não pode beber álcool

MITO. Nenhuma vacina, incluindo as para prevenir a COVID-19, contraindica o consumo de bebidas alcoólicas ou exige precauções. Não há qualquer interferência na resposta imunológica ou aumento do risco de eventos adversos.

Apesar disso, é importante ressaltar que o uso crônico e abusivo de álcool pode enfraquecer o sistema imunológico, aumentar o risco de infecções por vírus e bactérias, além de trazer diversos outros prejuízos à saúde e à vida.

A cloroquina e a ivermectina são alternativas à vacinação

MITO. Não são. Ambas as substâncias, divulgadas como método de prevenção ou tratamento precoce da COVID-19, foram amplamente testadas e consideradas ineficazes. O uso indiscriminado, além de inútil, pode acarretar danos ao organismo. 

O vírus foi criado por laboratórios interessados em vender vacinas

MITO. O sequenciamento genético do vírus SARS-CoV-2, responsável pela COVID-19, demonstrou que ele tem mais de 92% de similaridade com o RaTG13, tipo de coronavírus que circula em morcegos. As diferenças entre ambos se distribuem de forma aleatória, o que indica um processo de evolução natural, provavelmente com um hospedeiro intermediário entre os morcegos e os humanos.

Possíveis modificações genômicas artificiais não teriam características aleatórias e seriam facilmente detectáveis. Fora isso, do ponto de vista econômico, não faz sentido um laboratório criar um vírus sem ter a solução e dividir os lucros com todos os concorrentes. 

O vírus foi fabricado pelo governo chinês

MITO. Como explicado na resposta anterior, o sequenciamento genético demonstrou que o vírus que causa a COVID-19 é fruto de um processo de evolução natural de um tipo de coronavírus que circula em morcegos. Não foi criado artificialmente.

A origem do vírus, porém, ainda não é clara. Apesar de os primeiros casos de COVID-19 terem sido relatados no fim de dezembro de 2019 na província de Wuhan, na China, indícios do vírus foram encontrados em amostras de esgoto congeladas por pesquisadores em datas anteriores. Uma delas no Brasil, no Espírito Santo, em novembro de 2019. 

Bebês abortados são usados para fazer as vacinas

MITO. É certo que as vacinas de vírus inteiros precisam ser cultivadas em células que têm rápida capacidade de multiplicação, como as embrionárias. O mesmo vale para pesquisas de diversos medicamentos. Mas, essas células podem ser de animais (ovos de galinha), vegetais ou humanas. As humanas são replicações em laboratório de células que foram obtidas décadas atrás — a mais comum é a HEK-293, colhida de feto abortado no início dos anos 1970. O cientista responsável pelo desenvolvimento da HEK-23 não teve qualquer relação com o aborto.

É importante destacar dois pontos:

  • O aborto não foi feito para fornecer material para pesquisa científica. Reconhecendo isso, o próprio Vaticano se manifestou favorável à vacina da COVID-19 e disse que o uso dessas células “não constitui em si uma legitimação, mesmo indireta, da prática do aborto”.
  • As vacinas passam por processos que eliminam possíveis vestígios das células embrionárias.

As vacinas contêm chips 5G para controlar as pessoas

MITO. Os ingredientes de todas as vacinas COVID-19 em teste estão publicamente disponíveis em base de dados online e reunidas no site da Organização Mundial da Saúde (OMS). Componentes distintos dos informados podem ser identificados com facilidade por meio de testes laboratoriais.

Esta teoria conspiratória surgiu a partir da deturpação da fala do empresário Bill Gates sobre uma tecnologia futura que permitiria auxiliar na identificação de quem já teve COVID-19 ou foi vacinado. Isso, no entanto, não tem nenhuma relação com a vacina ou com o 5G, que nada mais é do que a evolução do 4G que usamos hoje. Mesmo que quisessem, seria impossível usá-lo para controlar pessoas.

 

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Nesta seção estão reunidos todos os documentos produzidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) para orientar sobre a vacinação contra a COVID-19 no país.

Plano Nacional de Operacionalização

Demais informes

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Vacinação contra COVID-19 em gestantes: boletim conjunto SBIm, SBP, AMB e Febrasgo – Documento elenca as principais informações sobre a suspensão temporária da aplicação da vacina AstraZeneca/Fiocruz em gestantes e puérperas — 13/07/2021

Nota Técnica SBIm/SBP: Intervalo entre as doses das vacinas COVID-19 AstraZeneca/Oxford e Pfizer – As sociedades brasileiras de Imunizações (SBIm) e Pediatria (SBP) manifestam posição contrária à redução no intervalo entre as doses das vacinas COVID-19 Oxford/Astrazeneca e Pfizer, anunciada por algumas unidades federativas como forma de minimizar a propagação da variante Delta — 13/07/2021.

Boletim conjunto SBIm, SBP, AMB e Febrasgo – Elenca as principais informações sobre a suspensão temporária da aplicação da vacina AstraZeneca/Fiocruz em gestantes e puérperas, bem como as orientações de uso nesse grupo das vacinas disponíveis no país que não utilizam vetores virais (Coronavac© e Pfizer, neste momento) — 25/05/2021

Nota Técnica SBIm: sorologia para avaliar resposta à vacina COVID-19 não é recomendada – Dosagem de anticorpos neutralizantes não é suficiente para chegar a conclusões sobre a proteção contra o SARS-CoV-2 após a vacinação — 25/03/2021.

SBP: Vacinação contra a COVID-19 em lactantes – Documento elaborado pelos Departamentos Científicos de Imunização, Infectologia e Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria – recomenda a vacinação de mulheres amamentando "independentemente da idade de seu filho, sem necessidade de interrupção do aleitamento materno, ressaltando todos os benefícios de ambas as ações (imunização e amamentação) — 03/03/2021.

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