1) O Brasil recebeu o certificado de eliminação do sarampo em 2016. Por que houve tantos casos em 2018?            

A entrada de imigrantes com sarampo em Roraima deu início a um surto, que chegou rapidamente a outros estados — em especial o Amazonas — devido ao caráter altamente contagioso da doença. É importante destacar que isso só foi possível devido às baixas coberturas vacinais entre brasileiros, ou seja, caso tivéssemos feito a nossa parte, os casos os casos se limitariam aos importados.        

2) Na rede pública, a vacina tríplice viral é recomendada na rotina para pessoas entre 12 meses e 49 anos. Diante de surto, outras faixas etárias precisam ser vacinadas?

Sim. São elas:

  • Crianças entre 6 meses e 12 meses, em situações de surtos precisam ser vacinadas. Essa faixa etária apresenta a maior taxa de incidência (mais de 2000 casos/100.000 no Amazonas, por exemplo) e óbitos (55%).
  • Pessoas com mais de 49 anos provavelmente tiveram sarampo, por isso não são prioridade para a vacinação. No entanto, ainda que raramente (incidência de 39 casos/100.000 entre maiores de 50 anos no AM), podem adoecer. Diante da exposição ao vírus, dúvida sobre passado de doença ou sobre o histórico vacinal, a vacinação é indicada, inclusive para maiores de 60 anos.

3) É seguro indicar a vacina tríplice viral para menores de 12 meses ou maiores de 49 anos?

Sim, é seguro e recomendado pela Organização Mundial da Saúde para situações de surto. Nos tempos em que o sarampo era endêmico no país, inclusive, a vacinação  de rotina inicialmente, era feita aos 6 meses e depois passou a ser realizada aos 9 meses de idade, tendo em vista a incidência da doença nessa faixa etária em épocas passadas. Com o controle do sarampo e a consequente queda do risco, a vacinação passou a ser indicada a partir  dos 12 meses.

4) Em que situações menores de 1 ano devem ser vacinados?

Em situações de surtos ou se o bebê com mais de 6 meses tiver contato próximo com pessoa com sarampo. Hoje, a recomendação da vacinação de crianças entre 6 e 12 meses no Brasil se restringe aos Estados de Roraima e do Amazonas.

5) Quem é considerado adequadamente vacinado?

Todas as pessoas que receberam duas doses da tríplice viral depois dos 12 meses, com intervalo mínimo de um mês entre elas.

6) Qual o esquema de doses para cada faixa etária?

  • Duas doses, aos 12 e 15 meses.
  • Para os não vacinados:
    • Até os 29 anos: duas doses, com intervalo de um mês entre elas.
    • 30 a 49 anos: uma dose

      Em situações de surto, crianças entre 6 e 12 meses de idades devem receber uma dose. Essa dose, no entanto, não é considerada válida para fins de rotina: as doses dos 12 e 15 meses devem ser aplicadas normalmente.

8) Porque crianças vacinadas antes dos 12 meses de idade devem ser revacinadas?

A possível presença de anticorpos maternos em menores de 12 meses pode interferir na resposta adequada à vacina tríplice viral. Devido ao risco de falha primária, portanto, a dose aplicada entre 6 e 12 meses não é considerada válida para fins de rotina. As doses dos 12 e 15 meses devem ser aplicadas normalmente.

9) Para quem a vacina é contraindicada?

  • Gestantes
  • Pessoas imunossuprimidas por doença ou uso de medicação
  • Crianças que vivem com HIV/Aids que tenham imunossupressão e/ou sintomatologia grave (CD4 < 15%, para aquelas até 5 anos; e CD4 <200 cel/mm3, para maiores de 5 anos)
  • Adultos que vivem com HIV/Aids com CD4 < 200. Para aqueles com CD4 entre 200 e 350, os parâmetros clínicos e risco epidemiológico devem ser avaliados pelo médico para a tomada de decisão
  • Pessoas com histórico de alergia grave (anafilaxia) após aplicação de dose anterior das vacinas ou a algum de seus componentes. Importante: não há contraindicação para alérgicos a ovo
  • A rede pública dispõe de vacinas tríplice viral produzidas por três fabricantes: Fiocruz/Bio-Manguinhos, Serum Institute of India e GSK. A vacina do Serum Institute of India contém traços de lactoalbumina, portanto é contraindicada para alérgicos à proteína do leite da vaca. A condição deve ser informada na sala de vacinação, para que a vacina adequada seja administrada.ma das vacinas disponíveis na rede pública contém traços de lactoalbumina, portanto é contraindicada para alérgicos à proteína do leite da vaca. A condição deve ser informada na sala de vacinação, para que a vacina adequada seja administrada

10) A gestante vacinada inadvertidamente corre riscos? E o feto?

Inúmeras gestantes foram inadvertidamente vacinadas com a vacina tríplice viral em todo o mundo. Embora exista risco teórico para o feto, estudos publicados na literatura médica, inclusive brasileiros, relatam baixo índice de infecção fetal e nenhum caso de prejuízo à saúde do feto e da gestante ou intercorrências na gravidez.

11) Quanto tempo a mulher deve esperar para se vacinar após dar à luz?

A vacina pode ser administrada no pós-parto imediato. A amamentação não restringe a aplicação.     

12) É necessário esperar para engravidar após receber a vacina?

Sim, é recomendado aguardar 30 dias.

13) Que condições requerem o adiamento da vacinação?

  • Quimioterapia antineoplásica: três meses após a suspensão do tratamento
  • Uso de outras drogas imunossupressoras, inclusive biológicos: risco da interrupção do tratamento e intervalo mínimo para aplicação da vacina, que depende do medicamento em uso, devem ser avaliados pelo(a) médico(a)
  • Transplante de medula óssea: 12 a 24 meses após o procedimento
  • Uso de imunoglobulina, sangue e derivados: 3 a 11 meses, dependendo do hemoderivado e da dose administrada, devido ao possível prejuízo na resposta imunológica
  • Doenças agudas febris moderadas ou graves: até a resolução do quadro, com o intuito de não se atribuir à vacina as manifestações da doença

14) Caso a segunda dose esteja atrasada, o esquema precisa ser reiniciado?

Não, mesmo que a primeira dose tenha sido aplicada há muitos anos, basta aplicar a segunda dose.

15) O que deve fazer quem não sabe se já tomou a vacina?

Receber as duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias. Tomar mais doses do que o recomendado nos esquemas vacinais não representa qualquer risco à saúde.

Saiba mais:

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