O que previnem:

No momento,  quatro vacinas pneumocócicas conjugadas estão disponíveis no Brasil: a 10-valente (VPC10), a 13-valente (VPC13), a 15-valente (VPC15) e a 20-valente (VPC20). Elas previnem, respectivamente, 10, 13, 15 e 20 tipos de pneumococos, bactérias responsáveis por doenças pneumocócicas invasivas, como pneumonia e meningite.

Observação: As vacinas VPC10 e VPC13, atualmente encontradas apenas no sistema público, em breve se tornarão indisponíveis.

Do que são feitas:

  • São vacinas inativadas, portanto, não têm como causar as doenças.
  • A VPC10 é composta por dez sorotipos de Streptococcus pneumoniae (pneumococo), oito deles conjugados com a proteína D do Haemophilus influenzae tipo b, um com o toxoide tetânico e outro com toxoide diftérico. Contém também cloreto de sódio, fosfato de alumínio e água para injeção.
  • A VPC13 é composta por sorotipos de Streptococcus pneumoniae (pneumococo) conjugados com a proteína CRM197. Contém também sais de alumínio, cloreto de sódio, ácido succínico, polissorbato 80 e água para injeção.
  • A VPC15 é composta por 15 sorotipos de Streptococcus pneumoniae (pneumococo) conjugados com a proteína CRM197. Contém também cloreto de sódio, L-histidina, polissorbato 20, água para injetáveis e alumínio (como adjuvante fosfato de alumínio).
  • A VPC20 é composta por 20 sorotipos de Streptococcus pneumoniae (pneumococo) conjugados com a proteína CRM197. Contém também fosfato de alumínio, cloreto de sódio, ácido succínico, polissorbato 80.

Indicações:

  • No PNI, para a vacinação de rotina de crianças menores de 5 anos , está indicado esquema de transição que combina as vacinas VPC10 e VPC20 até que os estoques de VPC10 se esgotem. Quando acabarem,  será utilizada somente a vacina VPC20. Saiba mais.
  • Também no PNI, pacientes com certas comorbidades podem receber na Rede de Imunobiológicos Especiais (RIE) esquemas diferenciados. Saiba mais.
  • A SBIm indica como rotina para a vacinação de crianças entre 2 meses até antes de completarem 6 anos de idade as vacinas VPC20 ou VPC15. Elas contêm os principais sorotipos responsáveis por doença pneumocócica invasiva no Brasil atualmente. Para crianças, adolescentes, adultos e idosos portadores de certas doenças crônicas, a vacina de escolha é a VPC20.
  • Para pessoas a partir de 50 anos, a SBIm recomenda como rotina uma dose de VPC20.

Contraindicação:

Pessoas que apresentaram anafilaxia após usar algum componente das vacinas ou após dose anterior das vacinas.

Esquemas de doses:

PNI (transição com VPC10 e VPC20)

Estratégia temporária para a vacinação de rotina das crianças de 2 meses até antes dos 5 anos. Será utilizada enquanto durarem os estoques de VPC10. Quando acabarem, a vacinação será feita somente com a VPC20.

O esquema varia de acordo com a idade e o histórico vacinal.

População alvoEsquema
Rotina do primeiro ano de vida, a partir de 2 meses - D1 com VPC20 aos 2 meses
- D2 com VPC10 aos 4 meses
- Reforço com VPC20 aos 12 meses (VPC20-VPC10/VPC20)
Entre 5 e 10 meses, com esquema incompleto ou desconhecido Se D1 com VPC10:
- D2 com VPC20
- Reforço com VPC20 aos 12 meses

Sem histórico ou não vacinado:
- D1 com VPC20
- D2 com VPC10;
- Reforço com VPC20 no segundo ano de vida
Aos 11 meses, com esquema incompleto ou desconhecido Se D1 com VPC10:
- D2 com VPC20
- Reforço com VPC20, 60 dias após a D2 (intervalo mínimo de 30 dias)

Sem histórico ou não vacinado:
- D1 com VPC20
- Reforço com VPC20, 60 dias após a D1 (intervalo mínimo de 30 dias).
De 12 meses a < 5 anos (4 anos, 11 meses e 29 dias) Com esquema primário (D1+D2) com VPC10 ou incompleto (apenas D1):
- Uma dose de reforço com VPC20 a partir dos 12 meses, 60 dias após a última dose administrada (intervalo mínimo de 30 dias)

Sem histórico vacinal ou não vacinado:
- Uma dose de VPC20

Crianças, adolescentes e adultos com algumas comorbidades podem ter acesso a esquemas diferenciados na RIE, de acordo com o histórico vacinal e a idade. A RIE ainda tem estoques de VPC13 e VPP23, razão pela qual também adotará temporariamente esquemas de transição. Saiba mais.

Recomendações da SBIm

  • A SBIm recomenda o uso das vacinas VPC20 ou VPC15 na vacinação infantil de rotina. O esquema deve ser iniciado aos 2 meses de idade, com três doses (aos 2, 4 e 6 meses) e um reforço entre 12 e 15 meses.
  • Em caso de atraso do início da vacinação, o esquema dependerá da idade da criança quando a primeira dose de VPC20 ou VPC15 for aplicada:
    • Até 6 meses: três doses no primeiro ano de vida e reforço entre 12 e 15 meses de idade (esquema 3 + 1);
    • Entre 7 e 11 meses: duas doses no primeiro ano de vida e reforço entre 12 e 15 meses de idade (esquema 2 + 1);
    • Entre 12 e 24 meses: duas doses com intervalo de dois meses (esquema 1 + 1);
    • A partir de 24 meses: dose única.
  • Para crianças a partir de 6 anos, adolescentes e adultos não vacinados que tenham alguma doença crônicas que aumenta o risco para doença pneumocócica invasiva: dose única de VPC20.A administração da dose única de VPC20 substitui o esquema sequencial.
  • A partir dos 60 anos, é recomendada como rotina dose única de VPC20.

Intercambialidade

A intercambialidade entre as vacinas VPC13, VPC15 e VPC20 foi avaliada por ensaios clínicos que compararam os níveis de anticorpos estimulados por esquemas completos de cada uma das vacinas com os produzidos por todas as possibilidades de intercâmbio.

A concentração de anticorpos específicos após a dose de reforço nos esquemas mistos foi adequada e equivalente à verificada em indivíduos que completaram o esquema com apenas uma das vacinas. A intercambialidade é, portanto, respaldada cientificamente em qualquer ponto do esquema vacinal, independentemente da vacina conjugada administrada na(s) primeira(s) dose(s).

Entretanto, caso a VPC10 tenha sido utilizada, para prevenir os principais sorotipos responsáveis por doença grave no Brasil atualmente (3 e 19A), a SBIm recomenda que deve ser adotado o esquema completo recomendado para a idade em que a primeira dose de vacina com maior valência (VPC13, VPC15 ou VPC20) for aplicada.

Via de aplicação:

Intramuscular.

Efeitos e eventos adversos:

  • VPC10 – Dor, inchaço e vermelhidão são relatados por 38,3% dos vacinados. Entre os sintomas gerais, irritabilidade é o mais comum (52,3%). Em mais de 10% ocorre sonolência, perda de apetite e febre. Entre 0,1% e 0,01% dos vacinados (crianças com até 5 anos) apresentam dificuldade respiratória, diarreia, vômitos, choro persistente. Erupções na pele e convulsões ocorrem em menos de 0,01% dos vacinados.
  • VPC13 – Em mais de 10% das crianças vacinadas ocorre: diminuição do apetite, irritabilidade, sonolência ou sono inquieto, febre e reações no local da aplicação (dor, vermelhidão, inchaço ou endurecimento). Pode haver, ainda, diarreia, vômitos, erupção cutânea, febre acima de 39°C. Até 1% dos vacinados apresentam por choro persistente, convulsões, urticária, reação local intensa. Raramente (entre 0,01% e 0,1%) ocorrem: episódio hipotônico-hiporresponsivo (EHH) e anafilaxia. Entre adultos, mais de 10% podem apresentar diminuição do apetite, dor de cabeça, diarreia, erupção cutânea, dor nas articulações, dor muscular, calafrios, cansaço e reações locais (endurecimento, inchaço, dor, limitação do movimento do braço); em até 10% ocorrem vômitos e febre e menos de 1% dos vacinados relatam náusea, alergia grave, gânglios no braço vacinado.
  • VPC15 – As reações adversas mais frequentemente relatadas após cada dose de VPC15 são irritabilidade, febre ≥38°C, sonolência, dor, edema, endurecimento e eritema no local da injeção, diminuição do apetite, irritabilidade. A maioria das reações adversas solicitadas é leve a moderada e de curta duração (≤3 dias). Reações graves ocorreram em até 1,5% dos vacinados (crianças e adultos), mesmo naqueles com condições especiais de saúde. Entre adultos, pode haver dor, eritema e inchaço no local da injeção, fadiga, cefaleia, artralgia mialgia e artralgia também leves e de curta duração (≤ 3 dias).
  • VPC20 - As porcentagens de pacientes com eventos adversos após a VPC20 foram geralmente semelhantes ou pouco mais frequentes do que as observadas após VPC13. Os eventos mais frequentemente relatados após qualquer dose foram de irritabilidade, sonolência e dor no local da injeção.

Cuidados antes, durante e após a vacinação:

  • Não são necessários cuidados especiais antes da vacinação.
  • Em caso de febre, deve-se adiar a vacinação até que ocorra a melhora.
  • Compressas frias aliviam a reação no local da aplicação.
  • Recomenda-se evitar o uso profilático (sem a ocorrência de febre) de antitérmicos e anti-inflamatórios antes e nas 24 horas que seguem a vacinação.
  • Qualquer sintoma grave e/ou inesperado após a vacinação deve ser notificado ao serviço que a realizou.
  • Sintomas de eventos adversos graves ou persistentes, que se prolongam por mais de 24 a 72 horas (dependendo do sintoma), devem ser investigados para verificação de outras causas.

Onde podem ser encontradas:

  • VPC10 – Nas Unidades Básicas de Saúde ou na Rede de Imunobiológicos Especiais (RIE), para crianças de 2 meses até 5 anos.
  • VPC13 – Na Rede de Imunobiológicos Especiais (RIE), para determinadas situações.
  • VPC15 – Nos serviços privados de vacinação.
  • VPC20 - Nos serviços privados de vacinação, Unidades Básicas de Saúde e na Rede de Imunobiológicos Especiais (RIE).

Saiba mais:

 

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