O vírus da hepatite B causa inflamação no fígado. Na maioria das vezes é assintomática e será descoberta apenas quando surgirem as complicações ou quando feita investigação por meio de exame de sangue específico. Quando é sintomática, costuma causar dores musculares e de barriga, diarreia, vômitos, cansaço, perda de apetite e pele ou olhos amarelados (icterícia). Algumas pessoas tornam-se portadoras crônicas do vírus da hepatite B, e, nesses casos, além de poderem transmitir a doença, a inflamação do fígado pode evoluir para cirrose — com destruição progressiva do tecido normal do fígado — ou câncer. A hepatite B e suas complicações são preveníveis por vacina.

O risco de cronificação da hepatite B é maior quanto mais jovem for a pessoa. É o que ocorre com nove entre dez recém-nascidos infectados por suas mães no momento do parto. Por isso, os bebês devem ser vacinados nas primeiras horas após o nascimento. Esta é a melhor forma de assegurar que não pegarão a doença, mesmo que tenham sido expostos ao vírus, porque conseguirão produzir anticorpos antes que o invasor prolifere.

Transmissão:

O vírus é encontrado em líquidos corporais, como o sangue, a saliva, as secreções da vagina e o sêmen. As formas mais comuns de contágio são: relação sexual sem proteção, compartilhamento de objetos contaminados por sangue (como em procedimentos dentários e médicos, na manicure ou podólogo, na realização de tatuagens ou colocações de piercings), no compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas, como no caso do uso de drogas.

A transmissão também pode acontecer da mãe para seu bebê durante a gestação, no momento do parto ou pela amamentação. O vírus também pode ser transmitido por transfusão com sangue ou derivados contaminados, mas essas formas são mais raras atualmente, devido ao maior ao controle de qualidade.

Epidemiologia:

Segundo o Ministério da Saúde (MS), entre 2000 e 2024 foram confirmados 302.351 casos de hepatite B no Brasil, a maioria nas regiões Sudeste (34 %) e Sul (31%). De 2014 a 2024, a taxa de detecção do vírus no país caiu de 8,1 para 5,3 casos por 100 mil habitantes, o que representa um recuo de 34,6%.

No mesmo período, 87% dos registros continham informações sobre a apresentação clínica. Nestes, a forma crônica foi a mais comum (72,7%), ao passo que casos agudos e fulminantes representaram 15,1% e 0,2% do total, respectivamente. Os maiores percentuais de casos agudos estão entre crianças e adolescentes com menos de 14 anos: 29,9% entre menores de 5 anos, 51,2% na faixa de 5 a 9 anos e 31,3% entre os 10 e os 14 anos. Os dados reforçam a recomendação da vacina hepatite B na rotina infantil.

A hepatite B é a segunda maior causa de óbitos entre as hepatites virais, atrás apenas da hepatite C, contra a qual não existe vacina. De 2000 a 2024, ocorreram 21.065 óbitos relacionados à hepatite B.

Taxa de detecção de hepatite B (por 100.000 habitantes) segundo região de residência e ano de detecção. Brasil, 2014 a 2024.

Taxa de detecção de hepatite B (por 100.000 habitantes) segundo região de residência e ano de detecção. Brasil, 2014 a 2024
Fonte: Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais - Número Especial | Jul. 2025.

Taxa de detecção de casos de hepatite B (por 100.000 habitantes) segundo sexo, razão de sexos (M:F) e ano de detecção. Brasil, 2014 a 2024.

Taxa de detecção de casos de hepatite B (por 100.000 habitantes) segundo sexo, razão de sexos (M:F) e ano de detecção. Brasil, 2014 a 2024
Fonte: Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais - Número Especial | Jul. 2025

Taxa de detecção de casos de hepatite B (por 100.000 habitantes) segundo faixa etária e ano de detecção. Brasil, 2014 a 2024.

Taxa de detecção de casos de hepatite B (por 100.000 habitantes) segundo faixa etária e ano de detecção. Brasil, 2014 a 2024
Fonte: Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais - Número Especial | Jul. 2025

Coeficiente de mortalidade por hepatite B (por 100.000 habitantes) segundo região de residência e ano do óbito. Brasil, 2014 a 2024.

Coeficiente de mortalidade por hepatite B (por 100.000 habitantes) segundo região de residência e ano do óbito. Brasil, 2014 a 2024
Fonte: Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais - Número Especial | Jul. 2025

Prevenção:

A hepatite B pode ser prevenida por meio da vacinação e de medidas para evitar o contato com sangue ou secreções infectadas: usar camisinha nas relações sexuais; não compartilhar objetos como lâminas de barbear, escovas de dentes e material de manicure; não usar drogas injetáveis e exigir o uso de equipamentos descartáveis/esterilizáveis na aplicação de tatuagem e piercings.

É importante destacar que toda gestante deve estar vacinada contra a hepatite B e, durante o pré-natal, ser investigada quanto à possibilidade de infecção pelo vírus, situação em que haverá necessidade de adotar condutas específicas para a gestante e para o bebê.

Saiba mais:

https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/especiais/2025/boletim-epidemiologico-de-hepatites-virais.pdf/view (último acesso em 27/01/2026)

Vacinas disponíveis:

 

 

Voltar ao topo