O que é?

O vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das maiores causas de infecções respiratórias em recém-nascidos e crianças pequenas, sobretudo bebês. Também é um dos principais vírus associados à bronquiolite — infecção dos bronquíolos, pequenas e finas ramificações dos brônquios, que transportam o oxigênio até o tecido pulmonar. Outros vírus que também podem causar bronquiolite são influenza, parainfluenza e adenovírus.

Epidemiologia

Quase todas as crianças são infectadas com VSR pelo menos uma vez até os 2 anos de idade. Recorrências em outros momentos da vida não são incomuns, pois a infecção não proporciona imunidade completa, mas em geral são menos graves. Nos Estados Unidos, o VSR é responsável por mais de 50 mil hospitalizações anuais de menores de 5 anos de idade.

O VSR circula com maior intensidade no inverno e início da primavera, quando pode causar epidemias. Entretanto, surtos em outras estações do ano não são infrequentes, sobretudo em regiões de clima tropical, como o Brasil.

Sintomas

  • A maioria das crianças infectadas tem apenas sintomas leves, geralmente semelhantes aos sintomas de um resfriado comum, mas em menores de 2 anos a infecção pode evoluir para sintomas mais graves e associados à bronquiolite;
  • Inicialmente, há coriza, tosse leve e, em alguns casos, febre;
  • Em 1 a 2 dias, pode haver piora da tosse, dificuldade para respirar, aumento da frequência respiratória — com chiado a cada expiração — e dificuldade também para mamar e deglutir. Como sinal da menor oxigenação, pode haver azulamento dos dedos e lábios.

Diagnóstico

A identificação do VSR ou outros vírus respiratórios é feita por exames laboratoriais.

Tratamento

Não há tratamento específico para o VSR. Diante de um quadro com gravidade — mais comum nos prematuros e nos bebês com doença cardíaca ou pulmonar, fibrose cística, distúrbios neuromusculares ou imunodepressão — é imprescindível a hospitalização para oxigenoterapia e outras medidas de suporte. Pode ser necessário o uso de respiradores mecânicos, em ambiente de UTI.

A maioria das crianças inicia a recuperação em cerca de sete dias e se restabelece totalmente. Entretanto, algumas desenvolvem alterações respiratórias crônicas e tornam-se mais propensas à asma no futuro.

Transmissão

O VSR é transmitido da pessoa infectada pelas secreções do nariz ou da boca, por contato direto ou por gotículas. A transmissão começa dois dias antes de aparecerem os sintomas e só termina quando a infecção está completamente controlada. O período de maior contágio é nos primeiros dias da infecção. A incubação varia de dois a oito dias (em média quatro a seis dias).

Prevenção

Não existe vacina para prevenir a infecção por VSR.

A prevenção primária depende de cuidados básicos de higiene: lavar frequentemente as mãos, usar álcool gel antes e depois de entrar em contato com o doente, desinfectar de superfícies e objetos potencialmente contaminados pelo vírus, evitar aglomerações em locais fechados e manter distância de pessoas com sintomas respiratórios.

A profilaxia específica pode ser feita com o anticorpo monoclonal contra o VSR chamado palivizumabe, indicado para as crianças com risco elevado de desenvolver infecção grave por VSR, como bebês e crianças jovens com doenças cardíacas ou pulmonares graves e recém-nascidos muito prematuros.

O palivizumabe é aplicado por injeção intramuscular, uma vez por mês, durante o período de maior circulação do VSR, que varia de região para região no Brasil:

RegiãoSazonalidade (maior circulação)Período de aplicação
Norte Fevereiro a junho Janeiro a junho
Nordeste Março a julho Fevereiro a julho
Centro-Oeste Março a julho Fevereiro a julho
Sudeste Março a julho Fevereiro a julho
Sul Abril a agosto Março a agosto
Fonte: Adaptado de “Uso do anticorpo monoclonal Palivizumabe durante a sazonalidade do Vírus Sincicial Respiratório – VSR”. Ministério da Saúde. Brasil. 2022.
Recomendações para o palivizumabe
Ministério da Saúde e cobertura por planos de saúdeSociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)
Prematuros nascidos com até 28 semanas gestacionais: indicado durante o primeiro ano de vida Prematuros nascidos com menos de 29 semanas gestacionais: indicado durante o primeiro ano de vida
Bebês com displasia broncopulmonar: até durante o segundo ano de vida Bebês nascidos entre 29 e 32 semanas: até o sexto mês de vida
Bebês com cardiopatia congênita: até durante o segundo ano de vida Bebês com displasia broncopulmonar: até durante o segundo ano de vida
Bebês com cardiopatia congênita: durante os dois primeiros anos de vida
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