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Detalhes
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O que é?
O vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das maiores causas de infecções respiratórias em recém-nascidos e crianças pequenas, sobretudo bebês. É um dos principais vírus associados à bronquiolite, quadro caracterizado pela inflamação dos bronquíolos — pequenas e finas ramificações dos brônquios, que transportam o oxigênio até o tecido pulmonar. Outros vírus que também podem causar bronquiolite são influenza, parainfluenza e adenovírus.
Em adultos, a infecção por VSR também é capaz de causar quadros graves e de piorar ou descompensar condições de saúde pré-existentes, como cardiopatias, pneumopatias, diabetes, hepatopatias e nefropatias. As complicações são mais comuns em pessoas a partir dos 60 anos de idade.
Epidemiologia
O VSR circula com maior intensidade no inverno e início da primavera, quando pode causar epidemias, embora a sua sazonalidade varie localmente nas diferentes regiões do Brasil. Surtos em outras estações do ano não são incomuns, especialmente em regiões de clima tropical como o nosso país.
Quase todas as crianças são infectadas com VSR pelo menos uma vez até os 2 anos de idade. Recorrências em outros momentos da vida são comuns, uma vez que a infecção não proporciona imunidade completa, mas em geral são menos graves.
Nos Estados Unidos, o VSR é responsável por mais de 50 mil hospitalizações entre menores de 5 anos de idade. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, 15% dos 164.243 casos de SRAG em 2024 tiveram amostra positiva para VSR, sendo 72% em menores de 1 ano. Em 2025, foram registrados 230.622 casos de SRAG, dos quais 82% ocorreram em menores de 2 anos, faixa-etária que somou 35.935 internações. Pela maior sensibilidade e melhoria da capacidade de diagnóstico, entre 2023 e 2025 houve aumento de 84% na detecção de VSR em casos de SRAG hospitalizados em menores de 2 anos.
Embora numericamente inferior em número de casos, em comparação com as crianças, a letalidade anual por SRAG pelo VSR nas pessoas a partir de 60 anos supera a marca de 20%. A fragilidade, a idade avançada e a residência em instituições de repouso ou de tratamento paliativo são outros fatores que aumentam o risco destes pacientes, que apresentam maiores taxas de hospitalização.
Além disso, algumas condições crônicas possíveis em qualquer idade aumentam o risco de infecção grave por VSR. Entre elas estão doenças pulmonares (DPOC e asma), doenças cardiovasculares (como insuficiência cardíaca congestiva e doença arterial coronariana), imunocomprometimento moderado ou grave (por doença ou por tratamento), diabetes mellitus, distúrbios renais e hepáticos, e distúrbios hematológicos.
Sintomas
- A maioria das crianças infectadas tem apenas sintomas leves, geralmente semelhantes aos sintomas de um resfriado comum, mas em menores de 2 anos a infecção pode evoluir para sintomas mais graves e associados à bronquiolite;
- Inicialmente, há coriza, tosse leve e, em alguns casos, febre;
- Em um a dois dias, pode haver piora da tosse, dificuldade para respirar, aumento da frequência respiratória — com chiado a cada expiração — e dificuldade também para mamar e deglutir. Como sinal da menor oxigenação, pode haver azulamento dos dedos e lábios;
- A maioria dos adultos apresenta uma infecção leve do trato respiratório superior pelo VSR, com sintomas que duram apenas alguns dias. Alguns, no entanto, desenvolvem doenças graves do trato respiratório inferior, incluindo pneumonia com necessidade de internação e suporte respiratório. A letalidade é maior a partir dos 60 anos de idade e/ou em pessoas com uma ou mais doenças crônicas;
- Além disso, a infecção pelo VSR pode piorar ou descompensar doenças crônicas pré-existentes. Isso leva a taxas de internação mais altas e, consequentemente, à deterioração do quadro geral de saúde, com perda de independência, declínio cognitivo, e prejuízos na funcionalidade e na qualidade de vida no período posterior à doença.
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico, mas a identificação e confirmação do VSR é feita por exames laboratoriais, entre os quais testes rápidos e ensaios moleculares (como PCR-RT) que detectam o antígeno viral.
Tratamento
Não há tratamento específico para o VSR. Diante de um quadro grave, é imprescindível a hospitalização para oxigenoterapia e outras medidas de suporte. Pode ser necessário o uso de respiradores mecânicos, em ambiente de UTI.
A maioria dos pacientes inicia a recuperação em cerca de sete dias e se restabelece totalmente. Entretanto, crianças podem desenvolver alterações respiratórias crônicas e tornam-se mais propensas à asma no futuro. Entre adultos a partir de 60 anos, a recuperação é mais lenta e pode trazer, além de maior risco para eventos cardiovasculares, importante e progressiva perda da qualidade de vida. Quanto mais avançada a idade, maior é a vulnerabilidade,
Transmissão
O VSR é transmitido pelas secreções do nariz ou da boca da pessoa infectada, por contato direto ou por gotículas. A transmissão começa dois dias antes de aparecerem os sintomas e só termina quando a infecção está completamente controlada. O período de maior contágio é nos primeiros dias da infecção. A incubação varia de dois a oito dias (em média quatro a seis dias).
Prevenção
1. Gestantes
- A vacinação da gestante tem como objetivo a transferência de anticorpos pela placenta, para proteção do bebê nos primeiros meses de vida;
- A SBIm recomenda como rotina a vacinação de grávidas de qualquer idade, a partir da 28ª semana de gestação, independentemente da sazonalidade do VSR. Por estar licenciada a partir de 18 anos, a vacinação de gestantes abaixo dessa idade constitui conduta “off label”, portanto, pode ser indicada a critério médico;
- Como a vacina (Abrysvo®) é licenciada pela Anvisa a partir da 24ª semana de gestação, também fica a critério médico o uso antes entre a 24ª e a 27ª semanas de gestação;
- É importante ressaltar que a estratégia só tem sucesso na prevenção de doença do trato respiratório inferior (DTRI) por VSR no recém-nascido caso a vacinação ocorra pelo menos 14 dias antes do parto;
- Pode ser coadministrada com as outras vacinas de rotina da gestante;
- A SBIm e o PNI recomendam a vacinação em toda gestação, o que também constitui indicação “off label”.
2. Recém-nascidos e lactentes
Para esse grupo, há duas estratégias: a vacinação da gestante com Abrysvo® e o uso de anticorpos monoclonais ( ou ) na criança após o nascimento. Em situações específicas, as duas estratégias devem ser consideradas. São elas:
- Mães vacinadas com menos de 14 dias antes do parto;
- Mães imunocomprometidas, mesmo que vacinadas;
- Recém-nascidos de alto risco: doença pulmonar crônica da prematuridade com necessidade de suporte médico, imunocomprometimento grave, fibrose cística, cardiopatias congênitas não corrigidas e síndrome de Down.
Para a profilaxia com os anticorpos monoclonais, há dois anticorpos monoclonais anti-VSR, o nirsevimabe e o clesrovimabe:
- O nirsevimabe é recomendado em dose única para crianças menores de 12 meses na primeira sazonalidade do VSR, especialmente prematuros, e para aquelas de até 23 meses de idade com comorbidades de risco para infecção grave por VSR. Prematuros (nascidos com menos de 37 semanas gestacionais) devem ser imunizados a qualquer momento, independentemente de sazonalidade e da vacinação materna contra o VSR durante a gestação. Na segunda sazonalidade, é indicado para crianças com condições de risco (mas não se restringindo a essas situações): doença pulmonar crônica da prematuridade (DPCP) com necessidade de suporte médico, imunocomprometimento grave, fibrose cística, cardiopatias congênitas não corrigidas e síndrome de Down;
- O clesrovimabe também é recomendado, como outra opção além do nirsevimabe, em dose única para crianças menores de 12 meses na primeira sazonalidade (especialmente prematuros) e para aquelas de de idade com comorbidades de risco para infecção grave por VSR. Prematuros (nascidos com menos de 37 semanas gestacionais) devem ser imunizados a qualquer momento, independentemente de sazonalidade e da vacinação materna contra o VSR durante a gestação.
- A ANS incluiu o nirsevimabe no rol de medicações fornecidas por planos e seguros de saúde. Têm direito:
- Prematuros com idade gestacional inferior a 37 semanas (até 36 semanas e 6 dias) e até 11 meses e 29 dias de idade, próximo ou durante a primeira temporada do VSR da vida;
- Crianças menores de 2 anos (até 1 ano, 11 meses e 29 dias) com doença pulmonar crônica da prematuridade com necessidade de suporte médico ou doenças cardíacas congênitas não corrigidas, imunocomprometimento grave, fibrose cística, síndrome de Down.
- O Ministério da Saúde considera sazonalidade o período de fevereiro a agosto. O nirsevimabe é oferecido pelo PNI para prematuros ao longo de todo o ano, mas, para crianças a termo com comorbidades até 23 meses de idade, apenas durante sazonalidade.
3. Vacinação de idosos
- Para idosos, as duas vacinas (Abrysvo® ou Arexvy®) são recomendadas na rotina pela SBIm, sem preferência entre elas, para pessoas a partir dos 70 anos de idade, independentemente da existência de comorbidades. Além disso, são recomendadas para as pessoas de 60 a 69 anos que tenham comorbidades de risco para doença grave pelo VSR. São consideradas condições de risco aumentado: cardiopatias, pneumopatias, diabetes, obesidade, nefropatias, hepatopatias e imunossupressão, além de idosos fragilizados, acamados e/ou residentes em instituições de longa permanência;
- O esquema é de dose única, a qualquer momento, independentemente de sazonalidade;
- O uso concomitante com outras vacinas recomendadas para a faixa etária é permitido;
- Os dados atuais demonstram proteção por duas temporadas. Até o momento, no entanto, não há evidências que sustentem a recomendação de reforços.
4. Vacinação de pessoas com comorbidades entre 18 e 59 anos
- Ambas as vacinas são licenciadas para pessoas entre 18 e 59 anos. A vacina é indicada, nessa faixa etária, para pessoas com comorbidades, a critério médico;
- São consideradas condições de risco aumentado (mas não se restringindo a elas) cardiopatias, pneumopatias, diabetes, obesidade, nefropatias, hepatopatias e imunossupressão;
- O esquema é de dose única, a qualquer momento, independentemente de sazonalidade;
- O uso concomitante com outras vacinas recomendadas para a faixa etária é permitido, embora estudos de segurança e imunogenicidade sobre aplicações simultâneas ainda estejam em andamento.
Imunizantes disponíveis